Perdoar sempre aos irmãos

11/09/2017 às 09h40

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

O apóstolo Pedro indagou a Jesus quantas vezes devemos. perdoar aos ofensores, inclusive perguntando se eram sete vezes. Magnífica a resposta do Mestre divino: “Não te dito até sete vezes, mas até setenta vezes sete” (Mt 2, 18-35). É que a bondade não tem limites. Jesus ensina então que se deve perdoar sempre, sem delimitar a misericórdia para com os ofensores. Ilustra o seu ensinamento com uma parábola, mostrando claramente o que Ele acabava de dizer, inculcando inclusive a consequência da ausência do indulto cordial, ou seja, quem não perdoa o próximo não será perdoado pelo Pai que está nos céus. Grandes são as faltas pelas quais devemos pedir a clemência divina e, assim sendo, não pode haver morosidade, dúvida alguma quanto a importância de absolver qualquer injúria recebida do próximo. Se Deus na sua compaixão infinita perdoa as faltas de cada um, por que não relevar os ultrajes bem menores daqueles com os quais se convive. O servo da Parábola devia a seu senhor mil talentos e foi perdoado, mas depois a alguém que lhe devia apenas cem dinheiros tratou com rispidez e até mandou que fosse encarcerado. Deus é o senhor que é bom, mas que exige a mesma ternura de uns para com os outros, evitando toda e qualquer crueldade e irritação. Se todo aquele que é ofendido, pensasse nas muitas vezes em que Deus o perdoou e, na verdade, injúrias bem maiores, absolveria logo qualquer ofensor. Lançaria imediatamente para longe o mais leve sentimento de vingança, envolvendo na complacência seja qual for. É sabedoria tirar da ofensa recebida frutos para a vida eterna, rezando inclusive pelos que nos ofendem, pois desta atitude resultarão inúmeras graças divinas para nós mesmos. A brandura, a caridade fortificam o cristão e o faz merecedor da clemência de Deus. Extirpar a cólera do fundo do coração é um dos maiores bens que o seguidor de Cristo pode ostentar. O perdão cordial bane a tristeza e vãs inquietudes. Deus coroa sempre a paciência para o próximo. Tanto mais algum inimigo persegue o verdadeiro cristão, mais este sabe pagar o mal com o bem. Cumpre imitar em tudo Santo Estevão que, apedrejado, rogava a Deus pelos seus carrascos. O perdão é o caminho luminoso do amor. Não é um ato fácil, mas é possível para os humildes de coração. É uma vereda de vida, fundamental, vital para o cristão. Isto mostra que só o perdão permite curar em profundidade uma relação ferida, sobretudo se isto acontece com o próximo mais próximo que é aquele com o qual se convive sob o mesmo teto. Diante de uma ofensa, de uma agressão, de um ataque o primeiro movimento meramente humano é cair na defensiva e revidar. Isto ao invés de resolver o problema o agrava, pois o contra-ataque nada resolve. A falta de perdão lança numa espiral de erros, numa escalada de contradições. O perdão ensinado por Jesus é um ato de libertação interior, não é uma fraqueza, uma tolice. Ao contrário, é uma prova de que alguém não se deixa dominar pela maldade que seu adversário lhe proporciona e desfaz o círculo malévolo da violência, da incompreensão. O perdão é sempre um ato criador de harmonia. Ele permite recrear a relação que foi destruída. É um veemente apelo para que o mal não tenha nunca a última palavra, mas dê lugar a um ato de dileção. Amar apesar de tudo, acima de tudo, não obstante tudo, apesar da atitude malévola do próximo. Isto é possível quando se considera constantemente a que ponto Deus ama a cada um de nós com uma ternura de Pai, de Amigo, e ama apesar dos pecados cometidos contra Ele. É preciso sempre se imergir na imensidade de Sua misericórdia para difundir clemência em todas as circunstâncias por mais penosas que sejam. Eis aí a chave do perdão. Quem age como filho e filha de Deus, andando sob o Seu amor, é possível perdoar. Quem experimenta o quanto é amado pelo Pai do céu, tem a força insuperável de anistiar as ofensas alheias. Como é bom imitar Jesus que insultado, vilipendiado no alto de uma Cruz indultava seus ferozes inimigos: “Pai perdoa-lhes eles não sabem o que fazem”. É sempre necessário analisar a razão última das atitudes agressivas do próximo, pois isto facilita relevar-lhe o insulto, a perversidade. Nunca se medita demais nas palavras do Pai Nosso: “Perdoai nossas ofensas como nós perdoamos a quem nos ofendeu *

Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.


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