Os vinhateiros perversos

02/10/2017 às 13h53

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

Na parábola dos vinhateiros perversos Jesus sintetiza a história da Aliança de Deus com a humanidade (Mt 21,33-43). Para sua vinha de predileção, o país de Israel Ele mandou os profetas que não foram bem recebidos e, até, mal tratados. Na plenitude dos tempos numa derradeira manifestação de misericórdia Ele enviou o seu próprio Filho, o verdadeiro herdeiro das promessas feitas a Abraão. Cristo foi rejeitado, crucificado fora da Cidade e seus inimigos o mataram. Entretanto. “a pedra que os construtores rejeitaram se tornou a pedra angular”. O Reino de Deus se estenderia por toda a terra, pois esta pedra angular que é o Messias, desprezado pelos chefes de Israel, uniria e sustentaria os membros do edifício divino através dos tempos. Séculos afora, porém, novos maus vinhateiros surgiriam, falsos profetas, arautos do erro que, deliberadamente por malícia ou por ignorância, combateriam Jesus Cristo e sua obra redentora. Revolta contra sua Igreja e as exigências do Evangelho e repugnância à observância integral e verídica dos mandamentos sagrados. Todos os meios seriam usados para enfraquecer sua doutrina, desqualificando seus seguidores, armando campanhas caluniosas. Tentativas para denegrir os católicos, as legítimas autoridades eclesiásticas, num uso satânico dos meios de comunicação social. Tudo isto num desejo malévolo de marginalizar Jesus e seus fiéis seguidores. Entretanto, a obra salvadora do Filho de Deus não ruiria por terra, pois o Enviado do Pai afirmou que as portas do inferno não prevaleceriam contra sua Igreja. É que há da parte de Deus um permanente desejo de salvar os seres humanos, apesar da atuação das forças malignas desencadeadas por satanás. Este se empenha em desestabilizar a fé no coração dos fiéis seguidores de Jesus, mas a vitória será sempre daquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida. A obra salvadora de Deus é imbatível, surpreendente, uma maravilha aos olhos dos que têm fé e andam nas veredas da virtude e sabem que a esperança nas promessas divinas não decepciona. Deus, porém, não isenta os justos da luta contra o espírito do mal, mas lhes confere firmeza. Conta assim com os de boa vontade para a construção de um mundo conforme os parâmetros do Evangelho e, através deles, demonstra sempre os sinais de seu poder. É deste modo que os cristãos verdadeiros não desfalecem e dão frutos para o Reino de Deus. O Vinhateiro divino conta, século após séculos, com milhares de autênticos discípulos de Jesus a espalhar por toda parte a mensagem da salvação eterna, ampliando o grande edifício edificado sobre a Pedra Angular, Cristo Redentor, pedra sempre sólida por entre os turbilhões da perversidade desencadeada por aqueles em cujo coração reina o ódio contra Ele. Como bem salientou o notável teólogo Frei Jean-Christian Lévêque “coragem nos vem para entrar nós mesmos, na construção da casa de Deus”. Para que haja sempre esta fidelidade à Pedra Angular pairam as palavras animadoras de Jesus: ”Procurai o Reino de Deus e tudo mais vos será dado em acréscimo” (Mt 6,33), Deste modo, as ilusões terrenas não impedem aos autênticos cristãos de serem pedras vivas unidas à Pedra Angular e acontecimentos admiráveis ocorrem nesta terra. É porque há milhares de bons vinhateiros, cristãos fervorosos por toda parte que o Reino de Deus se mostra como uma edificação sólida É um lamentável erro o que diz certa música ao afirmar que “hoje, se a vida, é tão ferida, deve-se a culpa, a indiferença dos cristãos (sic).São inúmeros os bons cristãos que existem por toda parte com pensamento elevados sempre para Deus com um coração ardente e uma alma livre, almejando ser um vinhateiro fiel a seu Deus e Senhor. São aqueles que cumprem o seu dever e suas boas obras os transforma em pedras luminosas no edifício da Igreja seja onde estiverem. Há maus vinhateiros, mas, em compensação, numerosos os que trabalham fielmente para o Reino de Deus. Sejamos sempre de suas fileiras para glória de Deus e bem das almas.

* Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos


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