Ano novo sob a proteção de Maria

27/12/2017 às 09h49

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

Um ano novo abençoado por Deus é, sem dúvida, o grande voto que desejamos para todo o mundo. Para receber esta bênção divina há um modelo que é Maria, a Mãe de Jesus, “bendita entre todas as mulheres”. Ela acolheu na fé e na confiança o dom do Filho de Deus e pode interceder pela paz mundial, dilatando a fraternidade universal. O Concílio de Éfeso no ano de 431 lhe deu o título de “theotokos”, ou seja, aquela que é verdadeiramente a Mãe de Deus. Por isto mesmo ela está sempre em estado de mãe, amparando todos os filhos de Deus através dos tempos, realizando o que Jesus disse a São João evangelista lá no Calvário: “Eis aí a tua mãe” (Jo 19,26-27). Toda a Igreja, desde então, através de uma percepção universal dos fiéis e nos mais belos escritos que consagraram a pena de doutores famosos, compreendeu que João é aí um representante. Maria recebe de seu divino Filho o gênero humano em tutela. Os homens ganham Maria, mãe espiritual. Herança sublime legada pelo Salvador. Em Belém dadas manifestações ante a manjedoura de Jesus, como bem registrou São Lucas, “ela conservava todos estes acontecimentos e os meditava no seu coração” Deixou um exemplo de como se deve comportar ante as dádivas divinas, a saber, lá no íntimo do coração no cotidiano de todos os dias deste Ano Novo. A imagem da Mãe de Deus foi a inspiradora para os cristãos de todos os tempos. Ela está a lembrar sempre a proximidade do Deus que fez aliança com a humanidade e ao qual devemos abrir a porta de nossa vida. É preciso que este ano novo nos encontre abertos e disponíveis ao Espírito divino para que Ele possa nos inspirar tudo que dissermos e fizermos. Então sim estaremos contribuindo para a paz neste mundo tão conturbado. Paz que deve reinar em cada coração para ser difundida no meio em que se vive como uma tocha a iluminar toda a sociedade. O cristão é por excelência o arauto da tranquilidade, sob o signo da esperança mais fagueira. Como bem se expressou o Papa Francisco “a paz é um dom de Deus, mas dom confiado a todos os homens e a todas as mulheres que são chamados a realizá-la”. O cristão tem, de fato, a missão de ser testemunha desta dádiva sublime de Deus. Serenidade nas famílias, nas relações profissionais, nos lugares de diversão. Lastimáveis as lutas corporais nos estádios de futebol, ocasionando mortes violentas. Por toda parte os crimes mais hediondos e a cada minuto em nosso país alguém é barbaramente assassinado sem contar os que são mortos no seio materno com a selvageria dos abortos! Mais do que nunca precisamos criar um clima de paz numa pátria digna de seres civilizados. Irradiar a serenidade, a calma, a imperturbabilidade, eis uma tarefa a ser assumida pelos verdadeiros seguidores de Cristo aos quais Ele afirma: ”Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz, Não é como o mundo a dá que vo-la dou” (Jo 14,27). È preciso então pedir a Maria, sua Mãe, para que sejamos receptáculos desta maravilhosa graça divina, para a podermos partilhar onde quer que estejamos. Para isto é necessária a arte do diálogo, da conciliação, da harmonização, da paciência. É sabedoria prever as situações que podem gerar desavenças, preparar o antídoto e prover aos males. Isto significa liquidar com as tensões logo que aparecem em situações adversas, tendo em mira objetivos positivos. Cumpre trazer logo à tona os conflitos latentes e as situações contraditórias antes que elas eclodam e fujam a todo o controle. O respeito mútuo, que exclui qualquer imposição, é um fundamento elementar para o convívio social. Entretanto, a base de uma paz duradoura só se firmará, realmente, dentro de um humanismo profundo que respeite aqueles valores que dignificam o homem e isto só será possível quando a fraternidade reinar a partir da verdadeira noção da paternidade divina e do respeito das diretrizes que o Criador imprimiu no íntimo da consciência humana. Estas estão bem claras no Decálogo cujo menoscabo é a fonte última de todas as divergências. É deste modo que se deve começar o Ano Novo sob a proteção da Rainha da Paz. Nada é impossível porque há caminhos seguros que conduzem à felicidade própria e do próximo, afim de que 2018 seja venturoso para todos.

* Professor no seminário de Mariana durante 40 anos.


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