A autoridade de Jesus

22/01/2018 às 09h26

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

No episódio ocorrido na sinagoga de Cafarnaum aparece claramente a sabedoria de Jesus que ensina com autoridade; que age, libertando um endemoninhado e impressiona vivamente a todos (Mc 1,21-28). Ele era o Mestre, o Salvador, o Evangelizador. Sua palavra tocou profundamente a todos. Sua ação sobre o diabo impressionou. Sua fama “correu logo por toda parte, em toda a região da Galileia”. Um dos ouvintes na sinagoga era um homem possuído por um espírito imundo que se pôs a arguir o Filho de Deus. O demônio é sempre o dominador pela tentação. Coloca a liberdade humana à prova. Cristo na sua passagem por esta terra sempre desmascarou o pai da mentira que é satanás, triunfando sobre ele com sua força divina. Através dos tempos quem O invocasse e seguisse seria também um vencedor do espírito das trevas. Aqueles que deixassem florescer em suas vidas as paixões desregradas, os vícios mais hediondos não afastando os defeitos cairiam nas garras deste inimigo feroz. Nunca, porém, é tarde para a libertação, pois aquele que em Jesus se refugia ouvirá sua ordem decisiva ao diabo: “Cala-te e sai dele”. Muitos de tal forma se deixam dominar pelo espírito mau que o combate se torna gigantesco, não por parte de Jesus, mas por parte daquele que possuído pelos seus erros se disponha a uma vida nova. Para ganhar a batalha a graça divina supõe a disposição inicial de uma conversão total para se achegar ao Santo de Deus. É preciso que se reconheçam os próprios defeitos para dominá-los e fechar as portas do coração às insídias diabólicas. Então se possibilita a ação do Mestre divino, seu poderio espiritual que liberta, redime e salva. É que há no interior de cada um, mesmo se estiver no fundo do poço de seus pecados, um raio de luz que o pode conduzir até o divino Redentor. É uma parte preciosa que vem de Deus e possibilita a regeneração espiritual. O essencial por entre as vicissitudes da luta contra o diabo é não se esquecer de quem é Jesus. Ele é o Cristo, o Filho poderoso de Deus. Isto é um privilégio, mas um privilégio que não pode ficar obnubilado com uma falsa imagem de Cristo o que seria uma deturpação demoníaca. Este Jesus libertador é aquele que sentenciou: “Quem quiser ser meu discípulo renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga”. Portanto, Ele agirá somente quando há a renúncia ao demônio dentro e fora de si, o esforço muitas vezes crucial contra as ilusões satânicas e a disposição de caminhar com o Libertador. Dia a dia o autêntico cristão precisa descobrir quem é Jesus, conhecê-lo de fato e nele viver. Com efeito, em Cafarnaum esplendeu também a santidade do divino Redentor. Santidade sobre lugares em que passou, sobre os homens e demônios. Trata-se de uma ação que consagra e conduz ao Deus três vezes santo. Ela é a plenitude de vida oferecida ao ser humano, portanto bem próxima dele, accessível a todos. O diabo proclamou que Cristo era o Santo de Deus. Porque poderoso Ele vence sempre todas as forças que o diabo pudesse mobilizar. Diante da sua presença e da sua palavra se desfazem as insídias satânicas. Verifica-se naquele que a Ele recorre uma ação sagrada, forte e imediata que liquida qualquer tentativa maléfica. Feliz aquele que acorre a este Deus salvador, pois dele emana uma plenitude de vida, uma amizade gratuita que afasta os rugidos infernais. Muitas vezes mesmo o cristão cauteloso que foge das ocasiões de pecado é visitado em certos momentos pelo medo da luz e se deixa envolver por uma íntima aflição. Foi por isto que Cristo ensinou a pedir ao Pai: “Não nos deixeis cair em tentação”. A autossuficiência pode abrir as portas ao inimigo, impedindo que a palavra viva e poderosa de Jesus envolva todo o coração. Todo cuidado é pouco para saber discernir entre o acolhimento ou a impermeabilidade, o diálogo ou o mutismo, a docilidade ou o endurecimento, a transparência ou a dissimulação, a esperança ou desânimo. Deus exige sinceridade total para que, com sua graça, não se deixe satanás avançar com suas propostas fatais. Nesta hora é clamar: “Jesus, eu confio em vós” e a adesão a Ele será absoluta. Então raiará sempre a liberdade e estará afastada a escravidão demoníaca. Aquele que é o Santo de Deus oferece aos de boa vontade o remédio celestial que fortalece e torna seu seguidor triunfante em todas as tormentas causadas pelo diabo.

* Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.


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