Reforma da (Im)previdência

07/02/2018 às 14h28

Se o povo não acordar, a reforma da Previdência (que prefiro chamar de imprevidência), proposta pelo governo, vai passar. Não merece qualquer valorização compreensível aos olhos humanos e divinos o que o governo, por muitos classificado como golpista, quer fazer com o povo brasileiro. Está marcada para dia 19 de fevereiro a votação desta reforma que afronta a dignidade humana. Podemos nos perguntar até que ponto o povo tem conhecimento claro de suas consequências?

Se depender da grande mídia, esta reforma da “imprevidência” vai descer goela abaixo, porque os meios de comunicação dominantes não informam corretamente; pior, endossam em favor dos grupos econômicos a quem interessa a reforma tal como é apresentada pelo governo. Essas incomunicações divulgadas na grande mídia delineiam e alienam grande parte de nossa população. Com gastos exorbitantes, a publicidade do governo tem poder de fazer verdadeira lavagem cerebral naqueles que não pensam criticamente a atual realidade política, econômica e social vivida pelo país, correndo o risco se de tornarem massa de manobra. Entre esses há muitos que estão mais preocupados com um “espiritual” desencarnado da realidade. Louvam a Deus, mas não se preocupam com os pobres, empobrecidos e marginalizados, com os excluídos e abandonados pelo sistema.

A reforma não contempla o povo nem o país. A argumentação do governo é falaciosa quando diz que vai faltar dinheiro para os cofres públicos se a reforma não for feita. O governo tem dinheiro para distribuir aos seus deputados, senadores e ministros para se manter no poder, mas não tem verbas para a saúde, educação e melhorias sociais. Diz a propaganda oficial que não fazer a reforma é negar o futuro. Por que o governo não taxa as grandes fortunas? Por que não cobra os bilhões que se devem à Previdência Pública? Bancos, empresas privadas e grupos megaeconômicos devem fortunas ao país, mas não são cobrados. Segundo dados dos Auditores Fiscais da Receita Federal, essas dívidas já chegam a mais de R$ 400 bilhões.

Podemos dizer, então, que a reforma, na forma em que se apresenta, é a reforma do caixão e da morte porque os desempregados e a força de trabalho barato não sobreviverão, sendo já sacrificados no presente. Não têm expectativa de vida. Como um desempregado conseguirá emprego aos 60 anos ou mais? O que o governo quer é aumentar os lucros dos bancos e empresas que receberão as contribuições do povo e dos pobres e, na verdade, de todos. Trabalharão até a morte e não conhecerão o descanso e a aposentadoria digna. É a reforma da manobra que muita gente não consegue ver e perceber.

Aos que sonhamos com um país em que a justiça social se faça a partir dos pobres, cabe ajudar o povo a fazer o discernimento do quanto a reforma do governo é prejudicial à maioria dos brasileiros. Nesse momento, a mobilização é fundamental para trazer a público o descontentamento do povo com a reforma. Em março do ano passado, a CNBB já alertava, em nota, que o caminho escolhido pela reforma é o da exclusão social e convocava “os cristãos e pessoas de boa vontade, particularmente nossas comunidades, a se mobilizarem ao redor da atual Reforma da Previdência, a fim de buscar o melhor para o nosso povo, principalmente os mais fragilizados”. É hora de atendermos à convocação de nossos pastores. 

 

Pe. Paulo Barbosa


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