Dom José Aristeu Vieira comenta realidade da Igreja

09/02/2018 às 16h40

Desde segunda-feira (5), padres e diáconos da arquidiocese, juntamente com o arcebispo, Dom Geraldo, estiveram reunidos em Borda do Campo, em Antônio Carlos, na Região Pastoral Mariana Sul, para o retiro anual do clero, que teve como tema "O Mistério de Jesus Cristo e eu, o Ministério de Cristo e meu".

O assessor do encontro, Dom José Aristeu, bispo da Diocese de Luz, concedeu uma entrevista ao Departamento Arquidiocesano de Comunicação (DACOM), em que apresenta a realidade da Igreja e do Brasil.

 

Desafios da Igreja

“São tantos. Eu diria que o primeiro é realmente acolher toda essa proposta de renovação, de conversão pastoral, conversão missionária que o Papa e que a Igreja no Brasil e na América Latina propõe para nós. Concretizar, esse é o desafio. É preciso sabedoria, um processo, um tempo. Com certeza, mexer com aquilo que está estabelecido dá uma certa insegurança, exige um discernimento dos passos a serem dados que, com certeza, deixa um pouco de incômodo e, às vezes, acha-se que não tem que fazer nada, outras vezes acha-se que tem que partir para um lado que não é o justo. Como concretizar todo esse programa que é tão bonito, tão insistente do papa para renovar nossas comunidades, a estrutura das paróquias, a organização diocesana, tudo em função da evangelização da pastoral? Esse é o primeiro desafio”, esclarece.

 

Pastoral Presbiteral

“A pastoral presbiteral é uma criação nossa, da igreja do Brasil. É uma longa caminhada, ela garante justamente essa ajuda mútua da formação permanente, da espiritualidade, da fraternidade, traduzindo de forma concreta isso que a gente chama de amor presbiteral, amor fraterno, fraternidade prebisteral. Nós precisamos incrementá-la sim com meios bem organizados, mas cada diocese conforme sua caminhada, conforme sua história. Não há uma receita só. Essa pastoral presbiteral que nós falávamos hoje é a pastoral do cuidado uns com os outros. Ela tem que ser responsabilidade de cada um de sentir que além de cuidar dos irmãos, por todos os meios possíveis, chegar, estar presente, isso é crescer na fraternidade, na proximidade, na amizade. Enfim, na ajuda possível que cada um pode dar a cada um”, explica.

 

Realidade do Brasil

Dom Aristeu comentou sobre como a Igreja pode orientar as pessoas em meio a complexidade política que o país está vivendo.

“Acho que esse é um dos principais desafios. Qual é nossa forma de presença nessa sociedade? Eu chamaria de um desafio que exige muito discernimento, muita busca, relfexão. O desafio é primeiramente dar esperança ao nosso povo, mesmo que a gente não esteja vendo no fim do túnel uma luz muito clara, mas é preciso ter esperança, não partir para rebeldia, para a confusão, para a rebelião porque isso não vai levar a nada. A gente precisa, vamos dizer assim, conversar muito entre os grupos, buscar juntos de que maneira participar da sociedade"

"Por exemplo, lá na diocese, o que estamos fazendo? Nós estamos reunindo as autoridades e os grupos e fazendo debates, conversando. Começamos com os comunicadores para que eles sintam a responsabilidade do que estão comunicando. É qualquer coisa? Não. Vamos fazer uma comunicação positiva que leva o povo a realmente ter uma responsabilidade cidadã nesse momento. Assim, estamos filtrando um pouco para não comunicar mais desesperança, violência, porque isso está fermentando pela sociedade. A responsabilidade é dos comunicadores. O segundo encontro nós fizemos com os políticos, chamando os prefeitos, vereadores, deputados. ‘Vocês conhecem um pouco a doutrina social da igreja?’ ‘O que a igreja pensa de justiça, de solidariedade?’ Fizemos esse encontro, participaram umas 100 pessoas. Terceiro encontro: Igreja, sociedade, cidadania e segurança. Discutimos essa questão. Dessa vez quem foi chamado? Juizes, advogados, promotores, policias civis, militar, advogados das instituições. Foi um debate muito bom, os padres sempre convidados. Aquilo gerou reflexão. O próximo será com os educadores, previsto para 3 de maio. Já passou o tempo em que nós achavamos que nós como Igreja íamos fazer história sozinhos. Isso foi um erro do passado. Hoje temos que ser parceiros, somar com quem pensa diferente. Dialogar para acharmos caminhos de bem comum", explica.

 

Esperança

Após agradecer à Arquidiocese de Mariana pelo convite para o retiro, Dom José Aristeu deixou uma mensagem final de esperança.

"Nós devemos procurar viver com muita esperança o nosso ser Igreja, sem pessimismo, sem tristeza, com alegria. Consciente de um tesouro, de uma riqueza, de uma contribuição valiosa que nós temos de dar para essa sociedade e procurar pelos meios possíveis para transmitir isso. Não ser os salvadores, os Messias, mas ter consciência. Por isso nos rezávamos sobre o mistério de Jesus Cristo, toda essa riqueza e herança que é o ser discípulo, o ser cristão, o que isso significa, como valor que ganhamos por presente e mistério de Deus na história de nossas comunidades, nossas famílias. Sobretudo, então, que nossos padres e bispos, reflitam sobre nossa tarefa específica. Nosso ministério, nossa contribuição própria de pastores e ministros da esperança, da justiça, do amor. Ânimo, coragem, não desanimem! Não é momento de tristeza, de nos sentirmos acuados, desprestigiados, criticados, nada disso. Temos que ter consciência da contribuição que nós temos a dar", destaca.

 


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