Assessoria Pastoral

19/02/2018 às 09h39

Hoje, em nossos grupos de pastoral muito se fala de assessoria. Diante das dificuldades que ainda existem na compreensão e até mesmo no exercício desta função, propõe-se essa reflexão não esgotar completamente a compreensão deste termo, mas abrir caminhos para um entendimento melhor do que seja o “assessor” e qual a sua a função no grupo e na comunidade.

Quando falamos de assessor, referimo-nos à pessoa de confiança que ajuda a tomar decisões. Neste sentido, o assessor é a pessoa com um conhecimento específico em determinada área, que dá sua contribuição para aqueles que devem tomar decisões, sejam no campo da pastoral ou da vida da comunidade. Ele mesmo não toma decisões, mas ajuda o grupo a decidir, interagindo e oferecendo o quadro da realidade ou mostrando as possíveis consequências de determinada decisão. “Provavelmente, na terminologia pastoral, o assessor foi a tradução brasileira para os ‘expertos’ que acompanharam os bispos no Concílio Vaticano II”.i

É preciso considerar que o assessor é também um agente de pastoral, que participa da caminhada da Igreja e oferece sua contribuição a partir do seu conhecimento sobre determinados assuntos. “Assessor é a pessoa perita em determinado campo de conhecimento que presta serviços eventuais ou esporádicos a uma comunidade ou a um conjunto de comunidades. Seus serviços podem ser no campo da reflexão ou formação (teologia, Bíblia, liturgia, análise da realidade, história, sociologia etc.) ou no campo da metodologia (pedagogia, educação de base, espiritualidade, planejamento, arte etc.). Os serviços de assessoria podem ser prestados por leigas, leigos, religiosas, religiosos, diáconos, presbíteros e bispos, desde que dominem bem sua área de conhecimento. Isso não significa que tenham alta escolaridade, pois também é valioso o conhecimento advindo da prática”.ii

Para que um assessor ?

Em certos grupos, a dependência do assessor (vindo de fora e de preferência famoso) quase virou vício. Há assembleias que, ano após ano, dependem inteiramente do carisma de assessores convidados. Daí uma série de más compreensões a respeito da função de assessoria:

Isso não quer dizer que o assessor pode ser dispensado. Uma pessoa competente, afinada com as necessidades do grupo e chamada corretamente consegue ser muito útil à caminhada pastoral. Pode abrir horizontes, clarear aspectos que dependem da sua especialização, esclarecer dúvidas, sintetizar conhecimentos que o grupo não teria condições de pesquisar exaustivamente. Ele é uma ponte que coloca a pesquisa acadêmica, sua experiência ampla e seu entusiasmo pelo assunto ao alcance de grupos de menor porte, facilitando o acesso a um certo tipo de saber mais aprofundado.

Portanto, o assessor é aquele que vai oferecer caminhos para o grupo; e pode até mesmo, criar alguns laços ou vínculo e, em alguns momentos, subsidiar o grupo. Porém é “descartável”, não deve criar a dependência no grupo.

Como escolher um assessor

Antes de se chamar um assessor, explorem-se as potencialidades dos grupos locais. Muitos assuntos podem ser estudados com proveito pelo próprio grupo, em mutirão. Isto é válido, especialmente em temas para os quais já se dispões de farto material, como acontece, por exemplo, com a Campanha da Fraternidade.

O assessor se mostra útil, quando o grupo chega a um impasse e reconhece que precisa clarear o caminho num assunto específico. Neste caso, o assessor deve receber todas as informações sobre o que se deseja, as características das pessoas envolvidas, o que já foi feito e o que se pretende fazer a partir do trabalho dele. Um relato por escrito do caminho feito e das questões e dúvidas que o grupo gostaria de esclarecer irá ajudá-lo a se situar e programar uma atuação que corresponda melhor às necessidades.

O assessor não comanda nem coordena o encontro ou assembleia. Ele presta um serviço determinado e limitado, sob a coordenação da equipe local, que deve buscar o máximo de participação do próprio grupo no trabalho.

O assunto tratado não se encerra, quando o assessor vai embora. Ele oferece alimento para uma reflexão que deve continuar e ter consequências sobre os rumos do trabalho. Além de algum eventual material escrito que o assessor forneça, a equipe deve fazer um registro das principais ideias e pistas apresentadas para serem trabalhadas em atividades posteriores.iii

São muitas as reclamações em relação à assessoria. É comum ouvir alguém dizer: “O encontro foi muito animado e o assessor muito bom, mas foi embora e tudo continua do mesmo jeito”. Após cada encontro ou assembleia, os participantes devem recapitular tudo o que foi dito e buscar meios de colocar em prática tudo o que foi discutido. Isso já não é mais função da assessoria. É do próprio grupo pastoral.

Para refletir

1. Que recursos seu grupo pastoral procura, quando encontra dificuldades para caminhar ou desenvolver determinado trabalho? Procura um assessor ou tenta resolver tudo sozinho?

2. Seu grupo pastoral tem procurado assessores para determinados encontros? O que o grupo faz depois que o assessor “vai embora”?

Pe. José Geraldo de Oliveira

Presidente Bernardes - MG

 

i Pe. Nelito, Pedro Ribeiro, Tereza Cavalcanti. O Papel da assessoria... Revista Vida Pastoral - Maio-Junho de 2010, p. 29-34

ii Idem

iii Algumas Questões dentro do Processo de Planejamento Pastoral. Texto de Padre Manoel Godoy


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