Seminário em preparação para a Romaria dos Trabalhadores e Trabalhadoras discute as consequências da mineração

12/03/2018 às 15h21

Em preparação para a 28ª Romaria dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Arquidiocese de Mariana, a Dimensão Sociopolítica realizou o Seminário “Mineração para quê e para quem? Por uma economia a serviço da vida”, na manhã do último sábado (10), no Centro Pastoral padre Adelmo, da Paróquia São Sebastião, em Itabirito. Mais de 20 pessoas participaram.

Lideranças paroquiais e movimentos populares participaram do seminário, que discutiu as consequências da mineração e o projeto de lei do código da mineração no Brasil. “Também avaliamos o processo que estamos desenvolvendo nesses 28 anos da romaria na Arquidiocese de Mariana, que vem nos ajudando a ligar fé e vida e nos empenhar verdadeiramente com grandes bandeiras sociais, alimentando justamente essa parceria dos grupos eclesiais e dos movimentos populares a serviço da vida e da esperança, sobretudo no foco dessa romaria: mineração para quê e para quem”, afirma o Coordenador da Dimensão Sociopolítica, padre Marcelo Santiago.

Para o representante da Comissão de Meio Ambiente da Província Eclesiástica de Mariana, Whelton Pimentel (Leleco), o seminário foi uma oportunidade de unir a luta de Itabirito, Mariana e Congonhas, cidades que têm a mineração como principal atividade. “Nós entendemos que a romaria deixou de ser um evento, no sentido do próprio dia, para ser um processo de formação. [...] É um processo muito importante que dá tempero, fermenta a massa e dá esperança que esse seminário de Itabirito sirva como uma mobilização no espaço importante de luta”, avalia. Segundo padre Marcelo, o debate foi a alavanca que abriu perspectivas para melhorar a organização das cidades ligadas à mineração, com o objetivo de dar respostas aos desafios socioambientais que estão sendo enfrentados.

A discussão do seminário resultou em 12 encaminhamentos que complementarão a carta-compromisso da 28ª Romaria, como a aprimoração da divulgação e do convite para a romaria, valorização dos espaços de reflexão popular e fortalecimento do fórum permanente da Bacia do Rio Doce, como espaço de diálogo e de ações em vista da sua revitalização. “Os encaminhamentos vão fortalecer a nossa organização, aprofundando os nossos debates e nos mobilizando verdadeiramente para ações concretas que visam, justamente, dar ao povo a soberania popular e nos empenhar para criar mecanismos em que as condições socioambientais sejam as melhores em defesa da nossa casa comum, que é o nosso planeta Terra, e em defesa da vida, em todas as suas expressões, sobretudo a vida humana, a partir do pequeno e do mais necessitado”, destaca o coordenador da Dimensão Sociopolítica.

 

Romaria dos Trabalhadores

A 28ª Romaria dos Trabalhadores e Trabalhadoras acontecerá no dia 1º de maio, em Congonhas, com o tema “Mineração para quê e para quem?” e o lema “Por uma economia a serviço da vida.

A primeira edição da Romaria dos Trabalhadores aconteceu em 1991, na cidade de Urucânia, como gesto concreto da Campanha da Fraternidade daquele ano, que tinha como lema “Solidário na dignidade do trabalho”. “Essa romaria é resultado de uma sensibilidade pastoral, que tem o compromisso de pautar os trabalhos de Igreja às lutas do povo por direito e dignidade, procurando ligar com iniciativas concretas, que aderem à vida”, explica padre Marcelo.

 


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