Eu vim para que tenham a vida

16/04/2018 às 11h13

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

Jesus, o Bom Pastor, veio ao mundo oferecer à humanidade a salvação e isto em plenitude. Afirmou categoricamente: “Eu vim para que todos tenham a vida e a tenham em abundância” (Jo,10,11-18). Exerceu o múnus de um Pastor desvelado que se faz conhecido e reconhecido por todos que pertencem ao seu redil. Mostrou nitidamente que a lógica do dom de si mesmo ao próximo e a Deus não se manifesta teoricamente, mas na execução de uma sublime missão. O serviço numa oblação constante caracterizou a passagem de Jesus nesta terra. Ele ensinou a seus seguidores a se imolarem pelos outros, recebendo em compensação notável recompensa de Deus. Eis por que São João Paulo II mostrou que o cristão “não pode plenamente se encontrar senão na entrega desinteressada de si mesmo”. Dado que se imolou pela humanidade, Cristo, o bom Pastor, pôde ofertar a suas ovelhas todas as benesses divinas. Unido a seu amor o fiel aprende a amar os irmãos com ações concretas, fazendo outros participantes das graças da Redenção. Jesus empregou uma metáfora expressiva: “Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará e encontrará pastagem”. Assim ser necessário a cada uma de suas ovelhas serem elas também uma porta e não um muro para aquelas que se acham longe do Bom Pastor por causa do pecado, da falta de fé ou de seu endurecimento nos erros. Eis porque São Paulo advertiu: “Que ninguém procure o seu próprio interesse, mas o bem dos outros” (Cor 10,24). Para isto é necessária a coerência mais efetiva de cada dia entre o que se crê e o que se vive para atrair e não afastar os outros do aprisco de Jesus. Este pôde declarar: “Eu vim para servir e não ser servido”. Tornou-se então até o Cordeiro imolado para salvar todas as ovelhas. Fez-se um Pastor universal. Aí a razão pela qual um apostolado efetivo das ovelhas que se acham junto dele garante inclusive a credibilidade da sua Igreja na sua vocação de transfigurar toda a humanidade. Fora do redil do Bom Pastor não se tem a vida em abundância. É aí que se encontra a liberdade e o verdadeiro amor. Através de suas ovelhas fiéis o Bom Pastor vê ao longe outras ovelhas que Ele quer conduzir para a mesma felicidade. Para isto é preciso o apostolado do bom exemplo através da correção de vida, do perdão cordial, sendo cada um o reflexo do Bom Pastor neste mundo tão dissociado da virtude. Trata-se de uma grande tarefa que requer sabedoria e coragem para afastar os lobos vorazes que atacam o aprisco de Jesus. São feras que, segundo São Paulo “procuram os próprios interesses e não os de Jesus Cristo” (Fil 2,21). Donde ser preciso uma identidade com o Bom Pastor para que haja a reta intenção de trabalhar afim de que haja um só rebanho e um só Pastor. Cumpre ouvir a voz do pastor verdadeiro e fazer com que outros também a escutem e ajam em consequência. Cada ovelha fiel a Jesus deve ser o princípio e o liame desta realidade sublime. Entretanto, cada cristão é livre para generosamente contribuir para que ovelhas tresmalhadas venham para o verdadeiro redil do único autêntico Pastor. Este livremente se sacrificou e se entregou à morte por todos, mas quer a cooperação das ovelhas fiéis a fim de trazer as afastadas para junto dele. Pela oração e pela ação o bom cristão pode fazer com que a voz do Bom Pastor se estenda por toda a parte. Esta é a vocação do seguidor de Cristo: trabalhar para a glória de Deus e o crescimento do rebanho de Jesus. Trata-se de obter os bens eternos para si e para o próximo. É preciso cultivar sempre a pedagogia e a espiritualidade próprias das ovelhas de Cristo. É necessário, portanto, imitar o Bom Pastor, ajudando-o a salvar as ovelhas perdidas através das preces e do testemunho de vida. Unido a seu Pastor divino, quem assim a seu rebanho pertence cresce dia a dia na união com Deus e na prática efetiva de todas as virtudes. Está sempre atento à sua voz, jamais se desvia do caminho por Ele traçado, evita tudo que possa desagradá-lo. Daí uma fuga constante de todas as mensagens deletérias lançadas pelos seus inimigos nos meios de comunicação social. Uma ovelha de Jesus nunca acessa sites pornográficos, mas foge de tudo que possa macular sua união com Ele, impedindo o acatamento a tudo que Ele preceituou.

* Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.


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