Mineração para que e para quem?

02/05/2018 às 15h14

Celebramos, no 1º de maio, a 28ª Romaria Arquidiocesana dos Trabalhadores/as, na cidade de Congonhas com o foco na mineração. Nós nos perguntamos: Mineração pra que e pra quem?

De fato, nos assusta e indigna a regularidade com que vem acontecendo os crimes ambientais, de responsabilidades de mineradoras, como em Mariana, com o rompimento da barragem de Fundão e agora, no mês de março, em duas situações, em Santo Antônio do Grama.

Isto mostra o quanto é falha a atual legislação ambiental; como é insuficiente a fiscalização dos órgãos competentes; como os governos e órgãos públicos se deixam vender aos interesses do capital financeiro, pois são capazes de colocar em risco a vida do povo a troco de dinheiro, de recursos econômicos para suas cidades, o estado e a união.

Assusta e indigna a todos nós a ganância das empresas mineradoras, em toda essa região do território da Arquidiocese de Mariana. Elas, ávidas do lucro, têm “olhos de cifrão” – em tudo, veem o dinheiro e não a vida. Estão na contramão do sonho de Deus que, ao dar vida todas as coisas, viu que “tudo era bom, muito bom” e confiou ao ser humano o cuidado com a casa comum, a mãe terra.

De fato, levam à exaustão, à escassez, as nossas jazidas minerais; pressionam nosso povo e nossos municípios com demissões e ameaça de perda de recursos advindos de impostos e passivos ambientais; sugam, ao máximo, a força de trabalho de seus operários; colocam em risco a vida do povo com suas barragens de rejeitos e com alteamentos sempre maiores, no interesse vil de lucrar mais e mais.

A todo o momento, ouvimos falar de responsabilidade social, de sustentabilidade, mas não é isto o que vemos. Ao contrário, impera a exploração, o caos social e a destruição do meio ambiente. Esse modelo predatório, assumido pelas empresas mineradoras, está fadado ao fracasso, sob pena de se colocar, “em xeque-mate”, com maior poder de destruição, a vida e a sustentabilidade do planeta.

Ao celebrar a romaria, reafirmamos que no centro de cada sistema social e econômico está o ser humano e que a economia deve estar a serviço do povo e da vida em suas dimensões e expressões e não a serviço do lucro pelo lucro e da exploração humana e ambiental.

Exigimos, no compromisso com a cidadania, que os órgãos governamentais e jurídicos façam valer a justiça social e ambiental; que não se dobrem aos encantos demoníacos das empresas mineradoras; que as comunidades sejam ativamente ouvidas a respeito das condições de mineração em seu território; que as empresas sejam responsabilizadas, legalmente, pelos danos sociais e ambientais.

Cobramos dos que se encontra à frente dos municípios que ajam com mais transparência no respeito ao povo e na prática do bem comum; que ouçam as comunidades e seus grupos organizados e não apenas o lado das empresas; que busquem, com responsabilidade social, alternativas para a diversificação da economia local e que não traiam o povo por poucas moedas.

Com o Papa Francisco dizemos não a uma economia de exclusão e de desigualdade onde o dinheiro reina em vez de servir.

Ao recordarmo-nos de São José Operário, pedimos sua intercessão em prol de nossas lutas, no compromisso com o evangelho da vida, em defesa da dignidade do trabalho e do trabalhador, em tempos sombrios de perdas de conquistas trabalhistas, de exploração e de desemprego.

Que cresça nossa organização como movimentos eclesiais, sociais e populares, somando forças, na defesa do povo, dos trabalhadores/as e de seus direitos, na construção da sociedade justa e fraterna e na promoção da vida digna para todos. A vida em primeiro lugar!

Pe. Marcelo Moreira Santiago


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