Jesus, Mestre e Modelo

02/05/2018 às 17h16

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

Admirável o ensinamento de Jesus: “Este é o meu mandamento, que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei” (Jo 15,9-17). Preceituou, decodificou a verdadeira dileção, revelou até onde deve chegar a autêntica amizade. Grandeza sublime a dos cristãos, pois Jesus disse claramente: “Vós sois meus amigos”! A ternura de seu coração estava isenta de qualquer interesse a ponto dele revelar a seus seguidores os segredos do Pai, como Ele mesmo afirmou. Aos que seguissem seus ensinamentos estavam abertas as portas da esperança, porque Ele comprovou o seu amor se sacrificando por eles até a morte. Esta perspectiva faz caminhar muito além do temor. Ela ostenta as portas da eternidade feliz para os que bem compreendem a mensagem de amor do Filho de Deus. Esse amor deveria se caracterizar não por um sentimento banal, mas pela fidelidade ao que Ele pregou e fez. O cristão tem o modelo que é Jesus, mas nem sempre age de acordo com este exemplar. Trata-se de uma imitação dele em todas as horas, pois continuamente cada um se encontra com o seu próximo a quem deve, como o Mestre divino, prodigalizar afeto e serviço sinceros. Nisto é que consiste inclusive a experiência que se deve ter de Deus contemplado nos outros. De fato, quem segue Jesus não anda nunca nas trevas, mas terá sempre a luz da vida (Jo 8,12). Trata-se de renunciar a todo mal ao semelhante, multiplicando continuamente os sinais de uma intenção desinteressada, mas profundamente construtiva. Então se dá o que disse o profeta Zacarias: “O Senhor do universo será uma coroa gloriosa e um diadema de alegria” para este bom cristão. Esse será em tudo atendido por Deus e nunca será submergido no mar da angústia. Sobre ele repousa o espírito de seu Senhor. Trás em seu coração o Evangelho de Jesus e todas as suas ações se enchem de amor. É que amar é viver para Deus e para o outro, Abre-se assim o horizonte da verdadeira liberdade longe dos grilhões da perversidade que escraviza e mata. É a vitória sobre o egoísmo, a agressividade, ultrapassando as fronteiras da mera filantropia ou convenções sociais e culturais eivadas de interesses escusos. Nos caminhos do amor a vida do fiel se torna criativa para si e para os outros num culto perfeito a Deus, oceano de misericórdia. É certo que, por vezes, o caminho da abnegação pode parecer árduo e longo, exigindo sempre novos esforços, mas com a graça de Deus maravilhas acontecem para o bem de si mesmo e dos outros. Dá-se uma aventura divina, por vezes penosa, mas gratificante, porque como dizia Elisabeth Leseur: “Uma alma que se eleva, eleva o mundo todo”. É que Deus é maior que o coração humano e quem vive em seu amor está aquecendo a terra inteira. Ele é onipotente, inefável, insuperável, mas quis enobrecer o homem com a beleza de sua imagem. É por isto que, apesar de tantas misérias e tantos pecados, paira no mundo a luminosidade provinda daquele que verdadeiramente ama a Deus e o próximo. Tudo de bom acontece a quem assimila a ordem de Jesus: “Este é meu mandamento: que vos ameis uns aos outros”. Isso porque este é o mesmo amor do Filho para com o Pai que reina com o Espírito Santo desde toda a eternidade. Como bem se expressou São Columbano, “Deus, concedeu ao homem a imagem de sua eternidade e a semelhança de seu agir. Grande dignidade, a semelhança de Deus, se bem guardada”. Esta semelhança se dá através do amor que Ele semeou em nós. Deste modo, o fiel se volta para Aquele que é clemente e veraz. O colérico, o soberbo, o mundano é um usurpador da imagem de Deus. A língua do cristão deve ser então erudita para não ser uma tesoura que corta a honra alheia, nem um punhal que mata a dignidade do próximo. É que o amor verdadeiro tende a propagar e a difundir o bem e não o mal. A dileção ensinada por Jesus e da qual Ele deu o exemplo rompe o circulo vicioso que inclina cada um a se fechar em si mesmo, impedindo um amor universal. Amar é difícil, porque supõe afastar entraves e requer esforço para escutar a voz do Espírito de Deus. Cumpre ao cristão tomar conhecimento desta força do amor, que é o próprio Deus, para ser capaz de amar em atos e em verdade como este Deus ama a cada um e lhe oferece uma felicidade a ser irradiada por toda parte.

* Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.


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