A Igreja está do lado de quem?

21/11/2016 às 14h19

A Igreja, na Arquidiocese de Mariana, tem sido alvo de questionamentos sobre sua atuação no mundo real dos desafios econômicos e sociais. Exemplo é sua presença profética e libertadora nas questões ligadas ao rompimento da barragem de Bento Rodrigues que, todos sabem, levou e acarretará consequências infindáveis nos campos ambientais, humanos, sociais e políticos. Desde o início, daquele fatídico 05 de novembro de 2015, o Sr. Arcebispo Dom Geraldo Lyrio Rocha estabeleceu as frentes à tragédia anunciada há alguns anos; sofrimento incomensurável e desdobramentos essenciais se tornaram presentes na vida eclesial das organizações diocesanas. Comissões foram organizadas, equipes diversas e grupos distintos e conexão com atingidos pelo desabamento da barragem foram e continuam sendo notórios no enfrentamento às demandas socioambientais e humanas. A Igreja nem um pouco foi omissa ou indiferente ao drama real que se historiou e penetrou no íntimo e na vida dos mais pobres, que sempre pagam a conta e até com a própria vida, muitas vezes.

A Igreja não trabalha sozinha. Ela também conta com os Movimentos Populares, como o MAB (Movimento dos Atingidos pelas Barragens), com os organismos de outras Igrejas , ONGs e com todos aqueles que têm como princípio e prioridade a vida humana. A Doutrina Social da Igreja pressupõe a defesa da vida em todas as suas fases e, sobretudo, das vidas mais ameaçadas. O Papa Francisco tem condenado veementemente toda agressão à dignidade humana, como os terrorismos de todos os lados, a corrupção e a degradação causada pela economia que busca os lucros desenfreados em detrimento do ser humano. A CNBB torna-se profética quando declara as imprecisões da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) de número 241 (na Câmara Federal) e, agora, de número 55 (no Senado Federal), porque elege os pobres, doentes, jovens e trabalhadores para pagarem os gastos governamentais. Será que é tão difícil entender esse parecer da Igreja e seu compromisso com a vida?

Admira-me quando católicos e ou cristãos criticam a Igreja Católica pelas suas manifestações e apoios às causas populares. A mídia golpista e suas engendradas anticomunicações conseguem ludibriar pensamentos e atitudes até de quem se diz católico praticante. Em nome de que Deus? De qual Igreja ou credo religioso? Mas me conforta saber e viver numa Igreja que não tem medo de lutar pelo seu povo e pela vida de todos, não obstante religião e cultura racial.

Aquele que morreu na Cruz deixou uma comunidade de seguidores para a continuidade de Seu Reino que passa pelo martírio e tem dimensão de eternidade por causa da justiça social e da utopia do amor, da fraternidade e da libertação.


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