Natal: a vida renasce no coração acolhedor

19/12/2016 às 13h46

Onde a pastoral carcerária está organizada e é atuante, o natal é celebrado de um modo mais especial. Novena, atendimento de confissões, celebração da eucaristia, confraternização. Em Carandaí, Mariana, Ponte Nova e em outros lugares da nossa arquidiocese os agentes não mediram esforços para estar presentes e ajudar os detentos a acolher a mensagem deste ano: “Jesus, rosto divino do homem, rosto humano de Deus.” Os que recebem o indulto passam o natal com a família, a maioria retorna, alguns têm recaída, outros tornam-se foragidos. Dificilmente se recuperam, poderão ser presos novamente, ou encontrar o termo da caminhada. São mais de 620 mil encarcerados, alguns com muito dinheiro, esperando as delações premiadas, ou pagando fabulosas finanças para aguardar o julgamento em regime semi aberto. Mas a maioria é gente pobre, excluída, confinada. Os que cumprem as penas recomeçam com quase nada, o tempo não é mais o comum, o mesmo para todos.

Natal é tempo de mudança, de acolher o Verbo que se fez carne e veio morar entre nós. Aprendendo com dom Paulo Evaristo Arns, chamado à presença de Deus, aos 95 anos de idade “de esperança em esperança”, somos motivados a semear o amor, a alegria, o compromisso com o reino de justiça, verdade e paz.  “Brasil, nunca mais” o registro das torturas, direitos humanos violados, as páginas tristes de uma história, que sempre será lembrada para não mais se repetir os atos de barbárie contra o ser humano que sonha com um mundo novo sem prisões e plena liberdade. A venda do palácio episcopal para construir mais de mil centros comunitários nas periferias de São Paulo são ações proféticas da fé iluminando a vida. É o natal celebrado na identificação de Jesus com os pobres, presos, famintos, peregrinos, pessoas em situação de rua, o menor entre os menores, o maior no reino dos céus.

Caminhamos para o final e início de um novo ano. Renovamos nossa confiança, superamos os desafios, procurando dar novos passos. Emanuel, Deus conosco,hoje e sempre.

Pe. Geraldo Barbosa


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