Um País marcado pela violência

17/01/2017 às 10h16

Quando éramos crianças, ouvíamos nossos professores dizer do orgulho que deveríamos sentir por viver num país tão calmo e pacífico como o Brasil. Cantávamos orgulhos o Hino Nacional Brasileiro, na sessão cívica de nossas escolas, semanalmente. Quando jovens, começávamos a entender que aquele País que nos mostravam era governado por ditadores que perseguiam e matavam, na justificativa de defender a soberania nacional e manter a ordem. Um pouco mais de tempo e já pudemos compreender que vivíamos num país recordista de futebol, carnaval, fome; falta de educação, saúde e moradia.

Hoje, atordoados, assistimos a escalada da violência em nossa “Pátria amada, idolatrada”. Vemos, pela mídia, a violência em massa nos presídios do Norte do Brasil. Mas isso parece não assustar nem ao governo, que só reagiu diante da situação depois de lhe darem um “puxão de orelhas”, pois referiu-se, inicialmente, ao massacre como “um acidente”.

Pesquisas mostram que o Brasil ocupa, no ranking mundial, o quarto lugar em corrupção. O massacre nos presídios de Manaus e Roraima trouxe à tona, mais uma vez, a realidade dos encarcerados em nosso País: o Brasil é o quarto País do mundo em população carcerária.

Todos já reconhecem a existência de facções criminosas, no Brasil. A existência de uma facção se dá quando está infiltrada em instituições legítimas ou pela presença de agentes do poder nelas, como juízes, promotores, policiais, advogados, políticos, empresários. Com o domínio de presídios, territórios rurais e áreas urbanas, tais facções procuram se impor e colocam em risco não somente a tranquilidade da ordem, mas a segurança nacional, pela sua organização e poder bélico.

A história do Brasil é marcada pela violência, desde o massacre dos índios, quando da chegada dos descobridores, passando pela violência da escravatura negra, das ditaduras militares, até explodir no atual número assustador de sessenta mil assassinatos por arma de fogo no País. A violência está presente nas campanhas políticas dos municípios de nossa Arquidiocese, muitas vezes física, mas principalmente moral. Está em cada um de nós que “não leva desaforo para casa”.

Fala-se, nos projetos de governo, do combate à violência. Não se destrói o mal, sem combater a sua causa. A violência nasce dos mais diversos problemas não resolvidos ou mal resolvidos em nossa sociedade, como a fome, a miséria, a falta de oportunidades para todos, os caminhos do progresso fechados a tantos, a desestruturação familiar, o desrespeito à dignidade da pessoa, a competição pelo poder e pelo lucro.

As mais diversas formas de violência apresentam-se, desde a violência silenciada pelo medo, no recinto dos lares, nas condições desumanas de trabalho e nas áreas do tráfico de drogas, até a violência propagada e apologizada pelos meios de comunicação. Pode-se dizer que grande parte do povo brasileiro é vítima diária de um massacre de suas condições de vida.

Corremos o sério risco de nos acostumarmos com essa realidade e banalizar a luta pelo direito à vida.

Pe. José Geraldo de Oliveira


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