O Dom da vocação presbiteral (I)

20/01/2017 às 09h33

A Congregação para o Clero, cujo prefeito é o Cardeal Beniamino Stella, ofereceu à Igreja, no dia 8 de dezembro passado, solenidade da Imaculada Conceição, um importantíssimo documento, intitulado “O Dom da Vocação presbiteral”. Enquanto o documento 93, elaborado pelo episcopado brasileiro, e aprovado pela mesma congregação para o Clero, contém as diretrizes para a formação de presbíteros da Igreja no Brasil, o Dom da vocação presbiteral (ou Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis) apresenta as diretrizes da Sé Apostólica para a formação de presbíteros, aplicando-se a todos os países sob competência da Congregação para o Clero.

A redação de uma nova Ratio Sacerdotalis esteve entre as primeiras iniciativas do Papa Francisco. A Ratio vigente até dezembro passado, promulgada pela Congregação para a Educação Católica em 1985, consistia em emendas à Ratio de 1970, que foi enriquecida com o conteúdo do Código de Direito Canônico de 1983. Nestas décadas houve mudanças profundas no processo formativo dos presbíteros. Numerosos foram os documentos que emergiram, da parte da Igreja universal e das conferencias episcopais, dentre os quais recordamos a Pastores Dabo Vobis (1992), que se tornou o texto de referência para as Conferencias episcopais e para as Igrejas particulares.

A nova Ratio Sacerdotalis, portanto, é expressão do zelo do atual pontífice para com o ministério presbiteral. Salvo melhor juízo, no esforço de renovação da Cúria Romana, a Congregação para o Clero foi a que passou por maiores e mais profundas alterações. A esta congregação foi confiada a formação inicial dos futuros presbíteros, anteriormente sob competência da Congregação para a Educação Católica, tendo sido nomeado um secretário para se dedicar exclusivamente às questões ligadas à formação inicial e permanente. Foram nomeados pelo Papa Francisco, ainda, o cardeal prefeito e o secretário, além da substituição de vários dos sacerdotes que estavam a serviço daquele Dicastério.

A leitura da Ratio Sacerdotalis, recentemente promulgada, nos permite perceber que se trata de um documento que tem sua origem e traz as marcas do atual pontificado. O Santo Padre, com efeito, em seu Magistério insiste frequentemente sobre o tema das vocações, e em diversas circunstâncias: nas viagens apostólicas, por ocasião das visitas ad Limina, em muitas homilias, e o ensinamento deste magistério é parte integrante da nova Ratio.

Na mensagem dirigida aos membros da Assembleia plenária da Congregação para o Clero (3/10/2014), em que foi apresentado e amplamente discutido o texto-base da atual Ratio, o Papa Francisco se refere às vocações nos seguintes termos: a vocação é um tesouro escondido no campo. Para o Santo Padre, a vocação é de fato um tesouro que vem de Deus, e depositado no coração dos que são chamados e escolhidos a segui-lo em diferentes modos, dentre eles o ministério presbiteral.

Na visita à Congregação para o Clero, realizada em junho de 2015, o Santo Padre volta a afirmar que as vocações são muito preciosas, e que devemos estar atentos para o fato de que atualmente se tornou generalizada a preocupação com o aspecto quantitativo, uma vez que muitas partes do mundo estão profundamente marcadas pelo fenômeno da escassez das vocações ao sacerdócio ministerial. Neste contexto, o Santo Padre recordou que o próprio Deus fez a promessa de nunca deixar a Igreja privada de Pastores. Mantendo-nos em atitude de oração, devemos nos manter confiantes na promessa do Senhor.

Cada vocação nasce como iniciativa da Graça de Deus. Por isto, Papa Francisco recorda ao povo de Deus o pedido de Jesus quanto à oração pelas vocações. Somos motivados a criar nas comunidades cristãs, em todo o mundo, o bom hábito de rezar, pedindo ao Senhor da messe que mande operários para a sua messe; para que os chamados perseverem no caminho vocacional; e que sejam sacerdotes e consagrados convenientemente preparados para a missão que o Senhor lhes confia. A atual Ratio parte, claramente, deste princípio. As vocações ao ministério presbiteral são um dom precioso, colocado sob a responsabilidade da Igreja, para o seu serviço. A Ratio é, então, manifestação da solicitude do atual pontífice para com o ministério presbiteral.


Voltar

Confira também: