Uma campanha pela vida

16/02/2017 às 09h55

Nunca se falou tanto, como nos últimos tempos, sobre a necessidade de preservação da vida natural, com destaque para a vida humana. Decorrendo o mês de fevereiro, nossas comunidades já vão se preparando para conhecer e vivenciar a Campanha da Fraternidade. É de se notar que, nos últimos anos, a grande preocupação da Igreja tem sido a preservação da natureza, com todas as suas riquezas e sua biodiversidade, com foco no ser humano, obra principal das mãos do Criador.

Com o tema “Fraternidade: Biomas brasileiros e preservação da vida”, neste ano, a Igreja nos convida a “cuidar da criação, de modo especial dos biomas brasileiros, dons de Deus, e promover relações fraternas com a vida e a cultura dos povos, à luz do Evangelho”.

O que nos chama a atenção é que as campanhas vêm como necessidade de dar resposta a uma realidade ímpar, hoje vivida pela humanidade, que é o descaso pela vida, não somente humana, mas de toda a espécie criada. Mais do que nunca, a vida na terra é ameaçada pelo egoísmo destruidor do homem, que parece desvirtuar o desígnio do Criador: “crescei e multiplicai, dominai sobre os peixes do mar, as aves do céu e todo ser vivo...”(Gn. 1, 28). Ao invés de ser tornar o “dominus”, senhor, tornou-se o dono e destruidor. O mundo industrializado é, sem dúvida, a vertente mais avassaladora da destruição da vida. É o responsável pela poluição da água, espoliação da terra, destruição das matas e extinção de inúmeras espécies animais e vegetais.

O ecologista e agrônomo brasileiro José Lutzemberger, ao falar do desrespeito à natureza, afirma que “o homem moderno se confessa materialista. Oxalá que ele fosse materialista, pois assim ele trataria a matéria com mais carinho e respeito. Na verdade, o homem moderno é um homem que inventou uma religião, a religião do progresso. Este novo ídolo o homem moderno adora e a ele sacrifica tudo”. Esta religião também tem dogmas: o dogma da riqueza, onde está a felicidade; o dogma do antropocentrismo, onde o homem é o centro e a medida de tudo e só ele tem direitos, não a natureza, a terra, os animais; o dogma do imediatismo, segundo o qual o homem quer consumir tudo agora, quanto antes, sem se preocupar com as gerações que virão depois, comenta Lutzemberger.

Mais uma vez, a Campanha da Fraternidade vem nos interpelar e desafiar nossas comunidades cristãs a vencer os sinais de morte e destruição da vida, tão latentes em nossa sociedade. Pena que, em muitas comunidades, a campanha fica restrita apenas ao tempo da quaresma, sem um compromisso mais sério no decorrer do ano. É verdade que alguma coisa se fez após as campanhas dos anos anteriores, porém ficou muito aquém da necessidade e urgência do problema da preservação da vida sobre a terra. Que esta Campanha desperte a Igreja no Brasil para uma voz profética diante do absolutismo do poder político e econômico que, sem dó nem piedade, destrói a biodiversidade dos biomas brasileiros, enquanto nós, cristãos, assistimos a tudo passivamente.

Pe. José Geraldo de Oliveira


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