A messe e o apostolado

12/06/2017 às 08h33

Cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho*

Diz o evangelista São Mateus que Jesus “ao ver as multidões, condoeu-se delas, porque andavam maltratadas e abatidas, como ovelhas sem pastor”. O Mestre divino logo diagnosticou o problema: “A messe é grande, mas os trabalhadores poucos”. Ofereceu uma solução que deve tocar todos os seus seguidores: “Rogai, pois, ao Senhor da messe que envie trabalhadores para a sua messe” (Mt 9,35-38). Em primeiro lugar é de se notar que não se pode atribuir o termo trabalhador apenas aos sacerdotes, aos religiosos e religiosas e aos missionários. Isto porque todo cristão precisa tomar conhecimento da tristeza de Cristo diante da imensidão da seara. É certo que a diversidade dos ministérios oferece formas diferentes para o trabalho apostólico, mas todos os discípulos de Jesus são chamados a trabalhar na evangelização de acordo com os carismas que Deus lhes concedeu. A força do apostolado e o seu sucesso é unicamente a força de Deus. O fiel não visa nunca sua própria honra, mas sim a glória divina e o bem das almas. É evidente que na sua generosidade infinita o Senhor da messe nunca deixa de recompensar aqueles que se mostram operários zelosos para que reine o bem neste mundo. O próprio Jesus afirmou: “Regozijai-vos porque vossos nomes estão inscritos no céu” (Lc 10,20). É de se notar, porém, que Jesus fala em colheita abundante, não num campo imenso que deve ser cultivado. Isto porque a semente já foi lançada, o trigo já germinou e amadureceu, cumpre agora a ceifa. Esta necessita de mais trabalhadores. A humanidade contem em si um potencial enorme em vista ao Reino de Deus. Como dizia Santo Agostinho, “Muitos são do Reino, sem ser da Igreja”. Aí está o papel do operário de Cristo qual seja pelo seu exemplo de vida, pela palavra oportuna, pelas atividades pastorais, trazer os que andam longe de Deus para a prática integral dos mandamentos e das virtudes pregadas no Evangelho. Não menos importante o suporte de tudo isto que é o apostolado através da oração, de uma prece confiante que converte e salva pecadores e arrasta os que não usufruem dos bens espirituais da Igreja Católica para receberem as graças dos sacramentos e demais recursos espirituais oferecidos por esta Igreja. O papa São João Paulo II na “Exortação Apostólica, Christifideles Laici, de 1988, sobre a vocação e a missão dos Leigos na Igreja e no mundo, deixou clara a importância do apostolado de todos os discípulos de Cristo. Este trecho deste documento é sumamente ilustrativo: “No apostolado individual existem grandes riquezas que precisam ser descobertas em ordem a uma intensificação do dinamismo missionário de cada fiel leigo. Com essa forma de apostolado, a irradiação do Evangelho pode tornar-se mais capilar, chegando a tantos lugares e ambientes quanto os que estão ligados à vida quotidiana e concreta dos leigos”. Além deste apostolado individual, na medida do possível, felizmente, alguns se engajam nas diversas pastorais de acordo com o tempo que dispõem e nas atividades que mais se coadunam com seu perfil caracterológico. Tal acontece porque é preciso atender ao clamor de Cristo, dizendo que há poucos trabalhadores para sua messe. O trabalho apostólico é, por vezes, difícil e existe esforço e muita confiança em Deus, mas traz benefícios pessoais e para toda a comunidade. Além disto, no citado documento o Papa observa a urgência atual de uma nova evangelização referente ao problema missionário nas regiões que necessitam de pastores desvelados. São milhões de pessoas que não com conhecem ainda a Cristo. Donde o apelo feito pelo Papa para que as famílias cristãs percebam a responsabilidade de favorecer a maturação de vocações especificamente missionárias, sacerdotais, religiosas ou leigas. Vale então mais do que nunca o apelo de Cristo: “Rogai ao Senhor da messe que envie trabalhadores para a sua messe”. Portanto, há muitos meios para a cooperação na obra de santificação do mundo. Não se pode ser cristão em tempo parcial. O fundamento de tudo isto é o ensinamento recordado pelo Concílio Vaticano II, mostrando que todo batizado participa do múnus sacerdotal, régio e profético de Cristo. Em síntese, todos os batizados são chamados a trabalhar na seara do Senhor na certeza de que nada é mais belo que ser um apóstolo de Jesus.

* Professor no seminário de Mariana durante 40 anos.


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