Eu vos aliviarei

03/07/2017 às 11h09

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

Jesus insuflou total confiança em seus seguidores: “Vinde a mim todos os que estais afadigados e sobrecarregados e eu vos aliviarei” (Mt 11,25-30). Palavras admiráveis unicamente registradas por São Mateus. Elas patenteiam o Coração amabilíssimo de Jesus, fonte de toda misericórdia, de todo o bem. Para quem nele confia tudo se torna suave. Toda a Bíblia nos ensina a certeza da clemência divina.

Assim se dirige o salmista a Deus “Tem piedade de mim ó Deus, tem piedade de mim porque a minha alma se refugia em ti. E à sombra de tuas asas me acolho, até que passe a calamidade” (Sl 56,2). Afiança o Eclesiástico que quem confia em Deus não será nunca abandonado (Ecl 32,28). O profeta Jeremias proclama: “Bem-aventurado o homem que confia no Senhor, e de quem o Senhor é a esperança” (Jr 17,17). É que “os que confiam no Senhor (são firmes) como o monte de Sião que não é abalado, permanecendo para sempre”. (Sl 124,1). Daniel assevera também que jamais são confundidos os que confiam em Deus (Dn 3,40). Se assim era no Antigo Testamento, com a vinda de Cristo a esta terra a virtude da confiança ficou ainda mais embasada, porque as manifestações do Filho de Deus inspiram a mais total segurança. Tanto isto é verdade que São Paulo pôde declarar: “Sei em quem pus minha confiança, e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até este dia” (1 Tm 1,12).

Estas outras palavras do Mestre aos discípulos são definitivas para mostrar o quanto Ele preza a total e absoluta entrega a ele: “Tende confiança, sou eu, não temais” (Mt 14,27). Ao proferir esta assertiva, o Salvador mostrou o resultado faustoso desta disposição interior, a saber, a ausência do medo, da intranquilidade, da incerteza. É que a confiança gera uma convicção profunda, inabalável naquele que tudo pode e tanto ama suas ovelhas. Imperturbável transcorre então a existência de quem deposita em Jesus todas as suas preocupações. Ainda que em seu derredor se amontoem as ruínas de sua felicidade, quem confia em Cristo permanece na serenidade mais inebriante. Firmeza interior confere esta virtude e, então se podem repetir os dizeres paulinos: “Eu estou certo que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem a força, nem a altura, nem a profundidade, nem outra criatura nenhuma nos poderá separar do amor de Deus, que está em Jesus Cristo Nosso Senhor” (Rm 8,38). Instalada no Coração de Cristo, mais senhora de si que o sábio da antiguidade, a alma do justo jamais vacilará. Apoia-se em Cristo com tanto maior segurança quanto mais precários, frágeis e insuficientes são os auxílios humanos, certo do dito de Jeremias: “Maldito o homem que confia no homem” (Jr 17,5). Nas estradas da vida, muitas vezes repletas de imprevisíveis contratempos, quando nuvens negras lançam suas tenebrosas sombras, obnubilando as mais lisonjeiras perspectivas, a confiança no Redentor faz atravessar potente seu raio de luminoso alento, envolvendo o ser em fagueiras expectativas, mimoseando-o com íntimo beatífico sossego. Aquele que penetra dentro do Coração divino de Jesus degusta sua infinita misericórdia e dulcíssima bondade .Sabe que Ele intervirá nos instantes mais desesperadores e sustentará aquele que nele confia. Se Ele afirmou: “sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5) é óbvio que com Ele tudo é possível.

É esta certeza que, na luta cotidiana contra o mal físico e moral, outorga ao cristão aquela serenidade que o faz imbatível. Jesus que vaticinou aos seus epígonos: “Haveis de ter aflições no mundo”, logo acrescenta: “Mas tende confiança, eu venci o mundo” (Jo 16,33). É por isto que Ele declarou: “Vinde a mim todos os que trabalhais e vos achais carregados e eu vos aliviarei” (Mt 11,28). A confiança em Jesus é assim estrela luminosa que guia sempre para os páramos beatíficos da paz porque está sempre a mostrar o Pastor carinhoso e todo poderoso. Para isto é necessário imitá-lo, pois Ele disse: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” (Mt 11,29). Apenas a estes o Pai revela as maravilhas de sua bondade ( Mt 11,25). É preciso pedir sempre a Cristo que aumente nossa confiança nele e que Ele faça que nos aproximemos dele com muita humildade.

 

Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.


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