Ano Mariano III

20/07/2017 às 14h56

Dom Geraldo Lyrio Rocha

Arcebispo de Mariana

 

O Ano Mariano que estamos celebrando no Brasil, por ocasião do tricentenário do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, nos oferece a oportunidade para aprofundar nossa devoção a Maria e aponta caminhos para vivenciá-la de forma sempre mais autêntica. As sábias orientações do Beato Paulo VI, em sua Exortação Apostólica Marialis Cultus, muito nos ajudam a desenvolver um culto à Bem-aventurada Virgem Maria, dentro dos parâmetros dos ensinamentos do Magistério da Igreja.

Considerando os livros litúrgicos publicados de acordo com a reforma do Concílio Vaticano II, o Papa Paulo VI enfatiza alguns aspectos das Orações Eucarísticas que se encontram no Missal Romano. Assim, o antiquíssimo Cânon romano (Oração Eucarística I), comemora a Mãe do Senhor, em termos densos de doutrina e de fervor cultual: "Unidos na mesma comunhão, veneramos primeiramente a memória da gloriosa sempre Virgem Maria, Mãe do Nosso Deus e Senhor, Jesus Cristo". De igual modo, a Oração Eucarística III exprime, com intensa súplica, o desejo dos que oram, de compartilhar com a Mãe a herança de filhos: “Que ele faça de nós uma oferenda perfeita para alcançarmos a vida eterna, com os vossos santos: a Virgem Maria Mãe de Deus". Tal evocação, colocada no coração da celebração do divino Sacrifício deve ser considerada forma particularmente expressiva do culto que a Igreja tributa à "Bendita do Altíssimo" (cf. MaC 10).

Os inúmeros textos encontrados no Missal Romano apresentem os grandes temas marianos que devem nutrir nossa devoção à Virgem Santíssima: conceição imaculada, virgindade perpétua e fecunda, templo do Espírito Santo, cooperadora na obra do Filho, santidade exemplar, intercessão misericordiosa, assunção ao céu, realeza materna e outros mais.

Ao volver seu olhar tanto para a Igreja primitiva, como para a contemporânea, a Liturgia aí encontra Maria: nos primórdios, como presença orante, juntamente com os Apóstolos; mais proximamente, como presença operante, juntamente com a qual a Igreja quer viver o mistério de Cristo. Por isso, imploramos: "Dai à vossa Igreja, unida a Maria na paixão de Cristo, participar da ressurreição do Senhor". Além disso, juntamente com seu louvor, queremos glorificar a Deus e implorar: "fazei-nos dóceis ao Espírito Santo, para cantar com Maria o vosso louvor". Dado que a Liturgia é um culto que exige coerência com o modo de proceder na vida, nós imploramos que os féis traduzam o culto à Virgem Maria, num amor bem concreto e sofrido pela Igreja, como admiravelmente propõe, a oração após a comunhão da festa de 15 de setembro: "recordando as dores de Nossa Senhora, completemos em nós, para o bem da Igreja, o que falta à paixão do Cristo" (cf. MaC 11).

O Lecionário, como temos atualmente, é um dos livros do Rito romano que mais se beneficiou com a reforma feita após o Concílio, tanto pelo número dos textos que aí foram acrescentados, como pelo valor que eles têm, pois, se trata efetivamente de textos que contém a Palavra de Deus, sempre viva e eficaz. Daí resultou, como consequência lógica, que o Lecionário contenha um número maior de passagens do Antigo e do Novo Testamento, referentes à bem-aventurada Virgem Maria. Foram selecionadas aquelas leituras que podem ser consideras de caráter mariano. Importa observar, além disto, que essas leituras não se encontram apenas nas festas da Santíssima Virgem, mas são proclamadas em muitas outras ocasiões; assim como sucede em alguns domingos, ao longo do ano litúrgico e nas celebrações de diversos ritos ligados à vivência sacramental do cristão e às suas opções de vida, bem como foram levados em conta os momentos de alegria, esperanças, tristeza, dificuldades e sofrimentos que acompanham nossa existência terrena (cf. MaC 12).


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