domingo

, 05 de abril de 2020

Artigo de Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho
Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos, diretor Espiritual do Movimento de Juventude da Paróquia de Santa Rita de Cássia em Viçosa desde 1960, membro da Academia Mineira de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

Publicou 19 Livros.

E-mail: cjgvidigal@gmail.com

A morte e a ressurreição de Lázaro

23 de março de 2020 Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

Preciosas lições oferecem a morte e a ressurreição de Lázaro (Jo 11,1-45). A morte e a vida são duas realidades que devem também ser encaradas com sabedoria. Na trajetória humana nesta terra, surgem estes dois enigmas perante os quais é preciso se posicionar, pois sérias as questões que  suscitam. É preciso, porém, meditar sobre elas com esperanças e sem angústias. O drama vivido pelas irmãs de Lázaro diante de seu falecimento e as palavras de Jesus trazem claridade para um tema tão importante. É à luz da fé que se deve considerar a condição do ser racional perante tais fatos incontestáveis. Ante, sobretudo, da doença mais profundamente se medita sobre o valor da vida e o fato da morte. Foi o que ocorreu com as irmãs de Lázaro entristecidas com sua enfermidade e posterior falecimento. Inicialmente tomaram uma providência sensata, pois mandaram dizer a Jesus: “Senhor, aquele a quem amas está enfermo”. Sem dúvida uma medida exemplar, revelando enorme confiança no divino taumaturgo. Jesus chega e Marta vai ao seu encontro, enquanto Maria fica em casa curtindo sua dor. Recebeu, porém, o aviso de sua irmã: “O Mestre está lá e te chama”. Marta havia renovado sua confiança no poder de Jesus: “Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido, mas agora eu sei que tudo o que pedires a Deus, Deus te concederá”.  Jesus se serviu daquele acontecimento para dar um ensinamento sobre a ressurreição:” Eu sou a ressurreição e a vida; aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá;  todo aquele que vive e crê em mim não morrerá jamais”. Cobrou, contudo de Marta um ato de fé: “Crês isto?”.  Belíssima a resposta que recebeu: “Sim, creio Senhor, que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo que vieste a este mundo!”. Portanto, diante da morte ali estava o Senhor da vida. Este ato de fé foi um motivo a mais para que Jesus ressuscitasse seu amigo Lázaro. Deu-lhe uma ordem em frente de sua sepultura: “Lázaro, vem para fora!”. Ele mesmo, depois de morto e sepultado, ressuscitaria imortal e impassível, firmando definitivamente a esperança de seus seguidores de gozar de corpo e alma a vida eterna. Jesus mostrou o sentido da morte e do destino humano. Daí a convicção com que se repete no Símbolo dos Apóstolos: “Creio na ressurreição dos mortos” e isto com todas as suas consequências luminosas. Onde Marta e Maria tinham visto doença e morte Jesus viu a vida. A confiança, porém, em Jesus foi para Marta e Maria um caminho de fé, pavimentado de profunda confiança no poder do divino amigo. A atitude das irmãs de Lázaro é um convite para que se coloque em Jesus toda esperança. Disto deve resultar um profundo amor ao divino Redentor que leve a um abandono e oferta pessoal de cada um para viver unido a Ele. Assim se obterá com Ele a vitória dos ressuscitados, após o fato inevitável da morte. Isto como e quando já foi determinado por Deus nos seus insondáveis desígnios. O corpo humano apesar de todas as misérias que o cercam está destinado a uma glória eterna, graças ao poder salvífico da redenção ofertada pelo Filho de Deus. Este ressuscitará cada um para a felicidade eterna de acordo com as boas obras praticadas nesta terra. É a fé em Jesus que a Igreja firma e reafirma a iluminar a existência daquele que tem a felicidade de nele crer e esperar.  Eis aí o que deve tornar o seguidor de Cristo forte e, ao mesmo tempo, humilde. Ter sempre diante de si a perpétua visão de um mundo feliz por toda a eternidade depois desta vida mortal A teologia da morte que a ressurreição de Lázaro nos faz recordar é um dos capítulos mais belos do credo cristão. Feliz aquele que tiver Jesus junto de si na hora de sua morte.  Ao túmulo de Lázaro chegou Jesus para levar a luz e a salvação. Lázaro escutou sua voz que o tirou da sepultura. Bem-aventurado aquele que no instante derradeiro perceber a presença do divino Salvador. Não importará o lugar em que estiver desde que esteja ligado a Cristo. Entrará tranquilo na eternidade feliz do céu, aguardando o dia da ressurreição universal. Toda situação de medo, incerteza e agitação terá passado.  Saibamos viver estes ensinamentos, depositando uma confiança total naquele que é o vencedor da morte.

 

 

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