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Artigo de Pe. Luiz Faustino

Ano novo, ainda há esperança!

23 de janeiro de 2020 Pe. Luiz Faustino

“Geração vai, geração vem, e a terra permanece sempre a mesma” (Ecl 1,4). O tempo segue e as estações se sucedem. Os povos vão seguindo uma rotina construída a partir das origens, dos novos hábitos introduzidos e, hoje, por imposição da mídia capitalista.

Os países marcados pela tradição cristã tem um calendário de eventos religiosos. O capitalismo, com sua selvageria, domesticou um povo para consumir: comprar, comprar, comprar… É preciso ter muito para gastar com muitas coisas supérfluas.

No final do ano, precisa ter mais dinheiro: para viajar, vestir diferente, comer muito e beber até… O alimento necessário para ter saúde se transforma em problema. E para resolvê-lo precisa mais dinheiro. O ser “humano” paga caro por sua falta de bom senso! Já dizia o profeta: “meu povo está morrendo por falta de conhecimento” (Os 4,6).

O que esperar do novo ano, 2020? Há 100 anos o povo brasileiro reivindicava direitos sociais e políticos. Havia uma tentativa de formar um sistema político democrático As mulheres conquistaram seu direito de votar, em parte do mundo ocidental. E avançaram: começaram a usar maiô na praia e a calça cumprida em público. A sociedade chamava os anos de 1920 de “os anos loucos”. A juventude perdida pelo seu modo de vida alienado e superficial. Junto a tudo isto, se somava, já naquela época, a intolerância, os preconceitos e a xenofobia. Ainda no início do século passado os Estados Unidos fecharam as portas aos italianos e espanhóis pobres.

A Igreja fez muito bem dentro de sua compreensão de época. Assumiu o lugar do poder público omisso: Construiu hospitais (“Eu estive doente e…”), fundou escolas (“… e Jesus ensina as multidões”), construiu cinema paroquial (“venham descansar um pouco”).

Com o Concílio Vaticano II (1962-1965) a Igreja entendeu a palavra de Jesus, “não levem duas túnicas”: reduziu as roupas e aumentou o anúncio da Boa Notícia. Considera-se falta de inteligência, quando a gente repete erros do passado.  Ousamos ter esperança em 2020! No texto dos discípulos de Emaus (Lc 24), Cléofas disse ao “estranho” peregrino: “Esperávamos que… Também nós esperamos que… os loucos sedam lugar aos normais, que as eleições sejam menos decepcionantes, que a Igreja seja mais fiel ao Mestre, que a mídia seja menos endeusada, que a Palavra de Deus seja melhor compreendida e os votos de “ano feliz”, sejam construídos.

Pe. Luiz Faustino dos Santos

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