quinta-feira

, 02 de abril de 2020

Artigo de Pe. Antônio Claret Fernandes

Opção pelo empobrecido, critério de salvação

30 de novembro de 2019 Pe. Antônio Claret Fernandes

Há conjunturas tão adversas em que o profetismo não é suficiente. Ele precisa da linguagem apocalíptica para dialogar com o povo. Pois sua poesia e metáforas rompem o ‘beco sem saída’ e abrem a janela do sonho, da esperança.

O Brasil e o Mundo vivem num desses momentos sem saídas aparentes.

O nosso país tem, hoje, 13 milhões e meio de empobrecidos. Isso não é um fenômeno natural, como a chuva, o calor; é consequência lógica da prioridade de governos por uma economia separada da vida concreta do povo.

Vida se faz de opção. Se você está na Matriz de Nossa Senhora da Conceição numa sexta-feira pela manhã, hisso implica renúncias a outras possibilidades: dormir mais um pouco, trabalhar.

Opção real não é discursiva, é prática. O testemunho de algumas pessoas podem nos ajudar a entender melhor. A vida de dom Luciano mostra, claramente, de que lado ele está, qual sua opção fundamental. A fala e, principalmente, o testemunho do Papa Francisco revelam seu lado. Pois fazer opção é tomar lado!

É essencial a compreensão de que opção não é discurso. O que mostra a opção não é o que se fala, mas o que se vive e com quem se vive. Discursos só por si, independente de sua ‘linha’, podem ser assinados por qualquer pessoa porque não dizem absolutamente nada.

Ao menos duas metodologias de ação precisam ser realçadas enquanto igreja. A primeira é caritativa. Ela que anima tantos membros da Sociedade São Vicente de Paulo, por exemplo. Ela que possibilitou tantos hospitais, santas casas, que fizeram e fazem muito bem.

Mas a caridade, por mais que seja importante, não dá conta da demanda, hoje crescente. O próprio Jesus curou cegos, surdos, mudos, coxos, mas, certamente, ainda sobraram muitos doentes naquela região assolada pela crueldade e violência do império romano. Suas curas sinalizam o rumo do reino. Assim o é a caridade.

Aqui entra a Política Pública. Ela é fundamental! É parte integrante da Doutrina Social da Igreja, destacada, de diferentes modos, nas campanhas da fraternidade, nas romarias, nos gritos dos excluídos.

A melhor atitude cristã, com vistas à garantia da Política Pública, é ser proativa. Indignação sempre! Choramingar de vez em quando. Mas ter iniciativa! A pergunta central é ‘o que podemos fazer?’. Pois podemos fazer muito! Porque Jesus Cristo acompanha e precede nossas ações concretar pela vida.

Por último, a opção pelos empobrecidos não é algo acessório. Um carro tem algo que você pode abrir mão e algo que lhe é essencial. Motor, energia, direção não podem faltar. Assim é a opção pelos pobres do ponto de vista do evangelho. Ela não é alguma coisa que se pode escolher ou não. Porque é critério de salvação.

Confira Mais Artigos de Pe. Antônio Claret Fernandes