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ARTIGO: Coroações do Sagrado

26 de junho de 2025

A Solenidade litúrgica do Sagrado Coração de Jesus, neste ANO SANTO DA REDENÇÃO, que nos configura como Peregrinos da Esperança, é enriquecida com a data natalícia da Serva de Deus, Floripes Dornelas de Jesus, Lola. Em nossas comunidades, a cada ano, temos nesta época um espetáculo bem característico: crianças revestidas de longas túnicas dão uma leveza especial aos ares do corrido dia a dia. Suas batinas vermelhas nos remetem a tantas recordações… afinal, junho hospeda quase sempre a Solenidade de Corpus Christi e seus tapetes coloridos pelas ruas, avenidas e praças de nossas cidades. Além de suas inocentes feições, os meninos agregam um visual cardinalício com sua veste talar esvoaçando sob o rigoroso frio, cuja névoa se mistura à fumaça dos turíbulos, verdadeiros braseiros a queimar o perfumado incenso de corações que se elevam em hinos e cânticos eucarísticos.

No interior das Igrejas, o azul é substituído pelo vermelho nos belíssimos altares das coroações. Em lugar da Imagem da Mãe Rainha, põe-se a majestosa Imagem do Sagrado Coração de Jesus. Tudo está preparado para as coroações ou desagravo, conforme o costume local. Seria superficial ou até errada esta prática? Parece-me que não. Ou, pelo menos, tem tudo para não ser. Certamente há deficiências e equívocos que merecem reparos. Em geral, as iniciativas humanas muitas vezes, ao longo dos tempos, podem se esvaziar de seu verdadeiro sentido.  No entanto, recentemente o Papa Leão XIV, em sua pregação ao Clero de Roma, assegurou: “A devoção ao Sagrado Coração não é uma simples prática piedosa, mas um culto essencial, pois nos leva ao próprio amor de Cristo”.

Arquivo DACOM.

Como resgatar o sentido das coroações? Mais do que dar respostas, prefiro continuar perguntando. Contudo, temos alguns sinais que pontuam a construção da clareza do sentido das coroações: trata-se de um mel que atrai ao seio da comunidade quem dela se afastou ou pouco participa. É notória esta realidade que ficou ainda mais perceptível com o envolvimento de escolas e dos núcleos de catequese dos bairros. Pode ser neste caso, o pai ou a própria mãe que, trazendo o filho, acaba se beneficiando, sobretudo se a celebração for bem-preparada. O convívio, principalmente, dos pais e das crianças, com os coordenadores do evento e demais membros da comunidade, costuma reaproximar as pessoas. Destaque merece ainda a catequese feita através das encenações, cânticos, orações etc. Outra motivação interessante é que afervora a vida da comunidade, abrindo as portas do templo mais vezes, trazendo o povo para o encontro fraterno, alimentando a fé.

As coroações são sempre precedidas de uma celebração, oportunidade em que nos alimentamos na Mesa da Palavra e da Eucaristia. Tudo isto é intensificado pela criatividade que sempre complementa o gesto central da coroação e valoriza os sinais, em especial, a Imagem representando o Sagrado Coração de Jesus, sobre a qual é depositada a coroa, reconhecimento da Realeza universal de Cristo, por parte da comunidade reunida.

Além disso, é sempre válido apresentar algum gesto concreto, solidário para com os mais necessitados, pois são igualmente membros do Corpo Místico de Jesus, a Igreja. Oportunidade para ir além das encenações. Redescobrir e aprofundar o lugar de Cristo em nossa vida.  Reina mesmo? Correlacionado a este, vem o segundo: o aprendizado diário sobre a vivência comunitária. Formação na ação.

Certamente para estas famílias que desejam crescer no amor ao próximo, começando pelos mais enfraquecidos, Jesus vai dizer: “Venham vocês, que são abençoados por meu Pai. Recebam como herança o Reino que meu Pai lhes preparou desde a criação do mundo. Pois eu estava com fome, e vocês me deram de comer; eu estava com sede, e me deram de beber; eu era estrangeiro, e me receberam em sua casa; eu estava sem roupa, e me vestiram; eu estava doente, e cuidaram de mim; eu estava na prisão, e vocês foram me visitar” (Mt 25, 34-36).

A coroa nem é tanto aquela feita de flores ou de metal. É simplesmente simbólico e sugestivo. Aparecem também as três virtudes teologais: a fé, a esperança e a caridade, depositadas junto à Imagem seus símbolos: A Cruz, a Âncora e o Coração. As crianças, em sua pureza, nos dão o exemplo para que sejam no templo e na vida AS COROAÇÕES DO SAGRADO!

Padre Paulo Dionê Quintão
Pároco de Santa Rita de Cássia, em Viçosa (MG)

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