sábado

, 08 de agosto de 2020

Processo de Isabel Cristina

No dia primeiro de setembro de 2009 foi encerrado no Santuário de Nossa Senhora da Piedade, em Barbacena, o processo de beatificação da Serva de Deus Isabel Cristina Mrad Campos, na sua fase arquidiocesana. Estiveram presentes Dom Geraldo Lyrio Rocha, arcebispo de Mariana, Dom Gil Moreira, arcebispo de Juiz de Fora, o Tribunal encarregado do processo, o padre Geraldo Cifani, vice-postulador e grande propagador da causa, mais de trinta padres, vários diáconos e seminaristas.

Isabel Cristina

Isabel Cristina nasceu aos 29 de julho de 1962, em Barbacena. É filha de José Mendes Campos e Helena Mrad Campos. Em 1982, foi para Juiz de Fora, frequentar um curso pré-vestibular. Queria fazer medicina. Era uma moça como tantas outras. Estudava, namorava, participava de festas. Mas tinha uma vida de oração e sonhava ser pediatra para ajudar crianças carentes. Era sensível, sobretudo com os mais pobres, idosos e crianças, o que certamente aprendeu na família, que era vicentina. Na época, seu pai era presidente do Conselho Central de Barbacena.

No dia 1º de setembro do mesmo ano, um homem foi montar um guarda-roupa no pequeno apartamento para onde mudara com seu irmão, Paulo Roberto, e tentou violentá-la. Encontrando resistência, deu-lhe uma cadeirada na cabeça, amarrou, amordaçou, rasgou suas roupas. Como Cris não cedeu e continuasse resistindo, desferiu-lhe 15 facadas, matando-a sem piedade. Foi um crime cruel, com grande repercussão, e que abalou muito a família e todos os que souberam do caso.

Por causa da maneira como morreu e, sobretudo, pela forma como viveu, algumas pessoas tiveram a iniciativa de entrar com o pedido de um processo para sua beatificação. A solicitação foi aceita por Roma e, no dia 26 de janeiro de 2001, em Barbacena, foi instalado o processo, quando Isabel Cristina recebeu do Vaticano o título de Serva de Deus.

Para conduzir a causa, Dom Luciano constituiu um Tribunal Eclesiástico e o compôs com os seguintes membros: padre Roberto Natali, Juiz Delegado; Mons. Vicente Diláscio, Promotor de Justiça, substituído, com sua morte, por seu irmão cônego Paulo Diláscio; diácono Antônio Rodrigues do Prado, Notário Atuário. Durante oito anos, fizeram um trabalho exaustivo. Colheram depoimentos de quase sessenta pessoas, coletaram documentos, apreciaram testemunhos, organizaram vasto material, formalizaram o processo. Depois veio a digitação, a tradução para o italiano, as cópias exigidas.

Nos últimos dias, já com a presença do Postulador, padre Paolo Lombardo, e do oficial técnico, Agostini Battistelli, que vieram de Roma, foi feita a exumação, a preparação e catalogação dos restos mortais. Pelo fato da Cris ter sido batizada e ter feito a primeira Comunhão na Matriz da Piedade, pela ligação afetiva de seus pais com a paróquia e, sobretudo, para facilitar a visitação, decidiu-se que esses restos deveriam ficar no Santuário da Piedade.

Na tarde do dia primeiro, após a celebração eucarística, aconteceu a sessão de conclusão desta fase do processo. O caixão de madeira com os restos mortais foi lacrado pelo Arcebispo Dom Geraldo, na presença do Postulador, e depois colocado num sarcófago de granito na Capela dos Passos, onde todos poderão rezar, meditar e fazer memória da Serva de Deus. Também a caixa com toda a documentação foi lacrada e entregue ao sr. Agostini, portador delegado, que irá conduzi-la até a Congregação para os Santos, em Roma.

Rezemos por sua beatificação. Que ela seja modelo e referência para a nossa juventude: uma pessoa normal, simples, porém, marcada pela vida de oração e pelo desejo de servir e ajudar, sobretudo aos mais pobres e sofredores.

Colaborou: Pe. José Antônio de Oliveira