Claustro e Jardim do Bom Pastor, em Barbacena, MG
O Instituto José Luiz Ferreira (Bom Pastor), localizado em Barbacena, foi criado pela Congregação do Bom Pastor de Angers, por intermédio de Fernando Sabino. Após cinco décadas funcionando em regime de internato, voltado para meninas a partir dos cinco anos, foi adquirido pela Arquidiocese de Mariana. Esta, por sua vez, instalou no local a Paróquia do Bom Pastor, o Seminário Arquidiocesano Propedêutico e o Centro de Pastoral da Região Mariana Sul.
Com a transferência do Seminário Propedêutico para a sede do arcebispado, o amplo e belíssimo espaço que o abrigava passou a constituir-se na CASA DO PADRE.
Puxando o fio da história e refrescando a memória, é bastante prazeroso recordar em que consistia o Instituto que, em Barbacena, abrigou por longos anos a obra grandiosa capitaneada pela Congregação de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor de Angers.
As recordações nos permitem retomar os caminhos percorridos até se tornar o que hoje constitui a Igreja Matriz e Sede da Paróquia Bom Pastor, no Centro de Pastoral da Região Mariana Sul e na apreciadíssima Casa do Padre, a qual foi entregue ao gerenciamento da Congregação Oblatos de Cristo Sacerdote, tendo como primeiro Coordenador o Revmo. Sr. Padre Sebastião César Moreira.
No dia 27 de janeiro de 2023, o Arcebispo Metropolitano de Mariana, Dom Airton José dos Santos, abençoou a Casa do Padre, instalada nas dependências do Bom Pastor para acolher os Sacerdotes doentes ou idosos.
A Casa do Padre acolhe e cuida dos Sacerdotes que se tornam eméritos e que se encontram em situação de enfermidade, mesmo que temporária ou por outras necessidades. O lugar é um espaço aconchegante e de cuidados importantíssimos para com estes irmãos que se doam inteiramente ao serviço do Evangelho.
Com o objetivo de atender melhor às necessidades dos seus residentes, a Casa do Padre teve o seu Regulamento Interno divulgado.
Quem são esses Sacerdotes Eméritos? De quê se ocuparam? São peritos em quê? Por que uma Casa dos Padres?
A Pastoral Presbiteral os conhece bem e descreve seu perfil sob a ótica de uma espiritualidade que os sustenta naquilo que se convencionou chamar de diocesaneidade.
Vale a pena trazer à luz algumas considerações sobre a vida de oração de um Padre diocesano, envolvido nas múltiplas tarefas paroquiais, com seus conselhos, suas pastorais, seus movimentos e associações, com o intuito de ir ao coração do mundo para, por meio do testemunho profético da caridade, infundir um sopro renovador na sociedade onde vive.
A oração cristã é obra que brota de um coração animado pelo Espírito Santo, e Esse encontra espaços, preocupações, anseios, prioridades diferentes em cada indivíduo, segundo sua função e vocação no seio do Povo de Deus.
Enquanto a oração de um cônjuge tem como tesouro precioso o amor pelo seu par, e os pais, o amor dos seus filhos, o coração do Padre é coração de pastor, voltado para as ovelhas que, em nome de Cristo, ele amorosamente pastoreia.
Tendo como exemplo Jesus Cristo, Pastor Divino e Verdadeiro, é interessante percorrer alguns trechos do Evangelho de Lucas. Já aos 12 anos Ele explica aos seus pais que deve ocupar-se das coisas de seu Pai.
Jesus rezou para iniciar sua missão (Lc. 3,21) e fez duras penitências para não se deixar dominar pelos tentáculos do poder, da glória mundana, do prazer; continuamente buscava o rosto do seu Pai. Pela oração é que o Espírito Santo O levou a escolher seus apóstolos. E nela, Ele descortina o plano do Pai, quando da Transfiguração, de salvar a humanidade mediante sua paixão, morte e ressurreição (Lc. 9,28-36).
A intensa prece O levou a tomar os passos mais decididos para Jerusalém, para beber o duplo cálice: o humilhante e doloroso da morte e o glorioso da Ressurreição. Na prece dolorida do Horto das Oliveiras assume corajosamente o desígnio do Pai. Ali, Ele abraçou com amor a Cruz redentora. No Calvário, com os braços abertos e orante, entrega-se ao Pai por nós.
O povo piedoso, com sua sagacidade própria de quem realmente serve ao Senhor, iluminado pelo Espírito, com certa facilidade percebe o diferencial entre os Sacerdotes que estão ao seu serviço. O grande diferencial não é a liderança, a capacidade de construir, a pregação fascinante e repleta de brilho, mas a oração.
Seu ministério tem o valor precioso dos calos em seus joelhos e o que simplesmente busca celebrar com amor os mistérios sacrossantos de nossa Redenção. A oração diferencia, qualifica o ministério e santifica sua vida. O Padre fala com Deus daquilo que seu coração está cheio.
Antes de escolher os fiéis para coordenar uma pastoral, formar um conselho ou tomar qualquer decisão importante para o seu povo, ele vai buscar a companhia do Senhor do Rebanho, dividir com Ele seus sonhos, suas preocupações ou mesmo derramar junto ao altar suas sofridas lágrimas, ou ainda, exultar de alegria na contemplação do Reino que acontece e deixa marcas no coração do mundo.
Habituado à oração, o coração do Padre bom e santo está ocupado com as ovelhas de Cristo. Ele tem o altar como lugar central e, como o discípulo amado, frequentemente tem sua cabeça reclinada no peito do Senhor. Esta chama acesa da espiritualidade Sacerdotal nos faz pensar que este oásis no deserto tem um nome: CASA DO PADRE!
Padre Paulo Dionê Quintão
Pároco de Santa Rita de Cássia, em Viçosa (MG)