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, 07 de maio de 2026

Redes sociais e IA são temas da formação dos Presbíteros do Regional Leste II em Cachoeira do Campo

29 de janeiro de 2026 Arquidiocese

Entre os dias 26 e 30 de janeiro, o Retiro das Rosas, em Cachoeira do Campo, distrito de Ouro Preto (MG), sedia o encontro de formação dos presbíteros da CNBB Regional Leste 2. Com o tema “Ações pastorais em tempos de redes sociais e Inteligência Artificial”, o evento busca capacitar as lideranças religiosas para os novos desafios comunicacionais e tecnológicos da Igreja.

O encontro é guiado pelo lema bíblico: “Sem liderança, o povo se arruína; e com muitos conselheiros se salva” (Provérbios 11, 14). A escolha da temática reflete a urgência de debater o impacto das ferramentas digitais no cotidiano das comunidades e na evangelização contemporânea.

As atividades tiveram início na segunda-feira, dia 26, com a acolhida dos participantes e com momentos de integração. A assessoria do encontro está sob a responsabilidade do Padre Gilmar Tito Ribeiro, da Diocese de Cornélio Procópio (PR), convidado para conduzir as reflexões sobre o uso ético e pastoral da tecnologia.

Padre Gilmar Tito Ribeiro, Diocese de Cornélio Procópio (PR).      

Na terça-feira, pela manhã, houve um momento de espiritualidade conduzido por Dom Aloísio Vitral, Bispo Emérito de Sete Lagoas. Instantes em que os sacerdotes puderam vivenciar, mais profundamente, a presença do Espírito Santo em suas vocações, fortalecendo-se para continuar na caminhada pastoral.

No meio dos dois sacerdotes está Dom Aloísio Vitral, Bispo Emérito de Sete Lagoas.

Durante os cinco dias de imersão, os presbíteros debatem estratégias para equilibrar a presença digital com a essência do pastoreio, analisando como a Inteligência Artificial pode servir como ferramenta de apoio sem substituir o contato humano e espiritual.

Para tanto, a base para esse debate é a mensagem do Papa Leão XIV para o 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais, em que o Santo Padre destaca a importância de “preservar vozes e rostos humanos”, tendo como pilares a responsabilidade, a cooperação e a educação.

“O desafio que nos espera não é impedir a inovação digital, mas sim orientá-la, estando conscientes do seu caráter ambivalente. Cabe a cada um de nós levantar a voz em defesa das pessoas, para que estas ferramentas possam realmente ser integradas por nós como aliadas. Esta aliança é possível, mas tem de se basear em três pilares: responsabilidade, cooperação e educação”.

Durante os dias de formação foram destacados: a origem da Inteligência Artificial; os desafios das ações pastorais; a missão da Igreja frente a revolução humana recente; mídia training e o trabalho com prompt e agente da Inteligência Artificial.

O media training é um treino, por etapas, o qual tem o objetivo de orientar pessoas e empresas a se comunicarem de maneira clara, assertiva e confiante em situações como entrevistas, apresentações públicas e interações com profissionais de comunicação.

Já o prompt é um estímulo, o qual direciona a forma de como a Inteligência Artificial responde as perguntas dos usuários, variando em estilo e nível de detalhe. Além disso, podem ser descritivos, de comandos ou de pergunta, cada um com a sua especificidade.

E os agentes de Inteligência Artificial são os sistemas que utilizam esses prompts para a interação com os usuários e com os dados tecnológicos, capazes de dar respostas rápidas e ações personalizadas.

Para o Presidente da Comissão de Presbíteros da CNBB Regional Leste 2 e pároco na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Congonhas (MG), Pe. Mauro Lúcio de Carvalho, o tema das redes sociais e da Inteligência Artificial assusta e atrai ao mesmo tempo.

Segundo ele, o assessor da formação, Pe. Gilmar Tito, foi contundente ao ressaltar que o desafio esperado não é impedir a inovação digital, mas orientar o povo de Deus para o uso consciente desta ferramenta tecnológica.

Além disso, Pe. Mauro mencionou ainda a opinião do Papa Francisco (in memorian) em pontuar a beleza e os riscos da era digital durante o seu Governo, e que condiz com a opinião do Papa Leão XIV. Segundo eles, não se pode sofrer de “tecnofobia”, que é o medo das tecnologias digitais.

Diante de todo exposto na formação, Pe. Mauro, sentiu que é preciso atuar nas pastorais, auxiliando as pessoas a usarem esse novo meio tecnológico de forma ética e sem abusos.

“A formação ajudou-me a perceber a pertinência do tema e a necessidade de conhecê-lo um pouco mais, com o intuito de orientar, pastoralmente o uso ético das redes digitais. Já se ouve os sofrimentos de pessoas que se deixaram levar pelo uso abusivo das redes sociais: casais, jovens, adolescentes e crianças. São as novas demandas pastorais que emergem em nossas comunidades paroquiais”, finaliza Pe. Mauro.

O encontro termina na sexta-feira, dia 30, após a Santa Missa e a avaliação dos momentos vividos pelos sacerdotes.

Texto: Dacom/Arquidiocese de Mariana 
Fotos: Pe. Evandro Alves Bastos e Pe. Hedivan Junior Pereira Alves

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