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, 07 de maio de 2026

Fiéis e devotos acompanham o Sermão do Encontro mesmo debaixo chuva

01 de abril de 2026 Arquidiocese

Mesmo com muita chuva, fiéis e devotos acompanharam o Sermão do Encontro, na Terça-feira Santa, 31 de março, na Praça Minas Gerais, em Mariana (MG), proferido pelo Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte e filho da Arquidiocese de Mariana, Dom Edmar José da Silva.

De frente as suntuosas igrejas de Nossa Senhora do Carmo e de São Francisco de Assis, Dom Edmar explanou sobre o encontro de Maria com seu filho, Jesus, a caminho do calvário.

As cerimônias iniciaram-se as 19h, uma na Capela de São Vicente com a Santa Missa celebrada pelo Pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, Pe. Fabiano Alves de Assis, e a outra da Igreja Nossa Senhora do Rosário, presidida pelo nosso Arcebispo Dom Airton José dos Santos e concelebrada pelo Reitor da Catedral da Sé, Pe. Geraldo Buziani e pelo Vigário Paroquial da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, Pe. Jean Lúcio de Souza.

Em seguida, debaixo de chuva, que alternava sua intensidade, a Imagem do Senhor dos Passos desceu a ladeira, por entre os casarões, sentido à Praça Minas Gerais, enquanto a imagem de Nossa Senhora das Dores seguia as ruas históricas do centro para encontrar seu filho.

Já na Praça Minas Gerais, em sua explanação sobre o encontro de Maria com seu filho, desfigurado e humilhado, Dom Edmar propôs três lições essenciais para lidar com a dor:

A importância da oração contínua e confiante: o grito de Jesus na cruz “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” é uma súplica confiante de quem busca socorro em Deus, desejando a proximidade do Pai.

A educação para a oração se torna fundamental antes que o sofrimento chegue, cultivando uma vida de oração nos momentos alegres e vitoriosos. A oração nos tempos difíceis é fortalecida pela prática contínua.

Jesus é o mestre da oração, retirando-se frequentemente para conversar com o Pai. Para Dom Edmar, a oração não é um anestésico, mas um reposicionamento da alma que transforma a solidão em comunhão, concedendo fortaleza interior e a certeza do olhar amoroso de Deus.

Confiança inabalável em Deus: “Só Deus Basta” (Santa Teresa de Ávila): Dom Edmar citou a Santa, a qual foi marcada por doenças terríveis, como a paralisia, a perseguição e a desconfiança, sendo uma testemunha de como enfrentar a dor com fé.

O Bispo, evidenciou o Poema dela “Nada Te Perturbe” encontrado entre os pertences de Santa Teresa, o qual encapsula a essência da confiança, pois “nada te espante. Tudo passa, Deus não muda. A paciência tudo alcança. Quem a Deus tem, nada lhe falta, só Deus basta”.

Essa confiança coloca o sofrimento numa perspectiva pascal, onde o sofrimento é passageiro e a cruz não é o destino final, mas o caminho para a vitória da Ressurreição.

A humildade de deixar-se ajudar: Três figuras são destacadas na ajuda a Jesus: Maria, sua Mãe: seu encontro de olhares silenciosos transborda amor e presença, dando coragem a Jesus. Simão de Cirene: ao carregar a cruz, Simão simboliza que ninguém precisa suportar o peso do mundo sozinho, nem mesmo o Filho de Deus em sua humanidade. É um convite à compaixão e a aceitar ajuda. A solidão da falta de humildade: quem sofre precisa de humildade para aceitar a ajuda de qualquer pessoa. A falta de humildade gera solidão, tornando a dor ainda mais insuportável.

“Amados irmãos e irmãs, nesta noite Santa, em que as imagens se encontram nessas ruas históricas da nossa cidade, convido a cada um de vocês, a não contemplar apenas a cena do encontro do Senhor dos Passos e a Senhora das Dores. Olhem para dentro de si mesmos. O sermão desta noite quer tocar diretamente no seu coração. Desejo ajudá-lo a enfrentar as dores e os sofrimentos de cada dia à luz deste encontro de amor e de dor entre Jesus e a sua amada Mãe”, frisou Dom Edmar.

O devoto da Paróquia da Catedral da Sé, Geraldo Batisteli, compartilhou sua reflexão sobre o sofrimento de Maria Santíssima, conectando-o diretamente às realidades contemporâneas e fazendo uma analogia entre o sofrimento da mãe de Jesus e de muitas outras mães.

“Imagino esse momento muito difícil, e trago para os tempos atuais, olhando muitas mães hoje, as quais têm muito problema familiar, filho envolvido com droga, filho que não está no caminho da normalidade, perdidos. A gente, nesse mundo tão difícil, e vê esse tipo de coisa. É um sofrimento muito grande para as mães”, compartilhou.

Ao concluir sua oratória, Dom Edmar ressaltou que o “Encontro” não é um ponto final, mas um impulso espiritual para a etapa mais exigente: a subida ao Calvário.

Segundo o Prelado, é preciso continuar caminhando com o Senhor dos Passos e a Senhora das Dores, aceitando que a fé é vivida na perseverança e não apenas no consolo.

“A força deste encontro deve nos dar vigor para não desfalecer, compreendendo que somente atravessando o Calvário, à plena imitação de Cristo e Maria, poderemos contemplar a glória da Ressurreição”, destacou Dom Edmar.

E exorta os fiéis a permanecerem na oração.

“Que ao voltarmos para a nossa casa, levemos no coração a paz de Santa Teresa, ‘que nada nos perturbe e nada nos espante’, porque quem aprendeu a rezar com alegria e ser ajudado nas dificuldades, pode descobrir, de fato, que só Deus basta”.

Texto: Dacom/Arquidiocese de Mariana
Fotos: Cremilda Moutinho e Pedro Victor

Veja, abaixo, mais fotos da cerimônia

Clique no link e veja o Sermão do Encontro, proferido por Dom Edmar, Bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte.

 

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