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, 30 de abril de 2026

Sermão da Soledade é proferido pelo Pe. Rodrigo Souza da CNBB Leste 2

02 de abril de 2026 Arquidiocese

Enquanto seu filho pendia”, a mãe silenciava o coração.

Para acompanhar o silêncio do coração de Maria, após seu filho ser levado ao Calvário, na noite de Quarta-Feira Santa, 01 de abril, a Catedral da Sé, em Mariana (MG), ficou repleta de fiéis e devotos para ouvir o Sermão da Soledade, proferido pelo Secretário do Regional da CNBB Leste 2, Pe. Rodrigo Souza da Silva.

Em sua oratória, Pe. Rodrigo destacou a “Soledade de Nossa Senhora” como uma profunda experiência de fé, destacando as virtudes do silêncio e da perseverança diante do sofrimento e da incerteza.

Segundo Pe. Rodrigo, a solidão de Maria aos pés da cruz de Jesus não foi um fim, mas uma passagem, ensinando a todos que a fé se manifesta e nos amadurece através do silêncio e da perseverança, mesmo quando Deus parece estar em silêncio e a dor é avassaladora, levando, em última instância, à ressurreição.

Pe. Rodrigo Souza da Silva, Secretário do Regional da CNBB Leste 2.

“Esta experiência de Nossa Senhora é uma expressão de nós. Cada um de nós, em algum momento da vida, conhecemos a realidade da soledade interior”, destacou Pe. Rodrigo.

Ele evidenciou os pontos principais da experiência da solidão interior e o silêncio de Deus. Pois, a vida, muitas vezes, confronta o ser humano com limites e dores que parecem não ter resposta, levando à sensação de que Deus está em silêncio. Outras vezes, muitas pessoas carregam “cruzes escondidas” e dores inexprimíveis, porém, a pergunta “Onde está Deus?” surge nesses momentos de solidão.

No entanto, para o sacerdote, Maria surge como modelo de resposta, uma presença firme em vez de explicação. Maria demonstra que Deus não abandona mesmo nas situações mais adversas. Ela não explica o mistério do sofrimento, mas mostra como atravessá-lo através de duas virtudes: o silêncio e a perseverança.

A Virtude do Silêncio: 

Pe. Rodrigo explicou que a Igreja ensina que o caminho espiritual passa necessariamente pelo silêncio, não um silêncio vazio, mas “habitado por Deus”.

Ele citou Santo Agostinho, o qual revela que Deus se manifesta na profundidade silenciosa da alma, convidando-nos a entrar em nós mesmos. Ele citou também o Evangelista Lucas, a passagem, a qual narra que Maria “guardava e meditava todas as coisas em seu coração”, silenciando exteriormente para aprofundar interiormente.

Além disso, purifica a alma da dispersão, conduz o ser humano ao seu interior, abre a escuta para a voz de Deus e leva ao repouso na presença divina.

“É o silenciar das paixões desordenadas, das inquietações, das vozes suspensas que atrapalham o coração. Por isso, o silêncio se torna caminho de purificação do interior”, frisou Pe. Rodrigo.

A Virtude da Perseverança:

O Secretário ressaltou a perseverança de Maria, “permanecia de pé” junto à cruz (Jo 19, 25), um ato que revela sua atitude fundamental de não fugir ou se afastar, mesmo quando tudo parecia desvalorizado.

Para ele, já em Mateus 24, 3, “aquele que perseverar até o fim será salvo.” A verdadeira fé se manifesta na constância. Deus age mesmo na escuridão, e a fé reconhece a salvação na cruz. A “noite da fé” de Maria não foi sem Deus, mas “em Deus”, mantendo-se presa a Ele.

“A perseverança aprofunda o silêncio, porque, permanecer fiel, exige um coração recolhido e firme. Ambas aparecem de forma luminosa na vida de Nossa Senhora”, ressaltou o sacerdote.

Pe. Rodrigo salientou que a dor e a solidão de Maria diante da crucificação foram uma “passagem”, não um fim. Seu silêncio foi fecundo, e sua perseverança, uma fidelidade viva, preparando-a para a Ressurreição, pois a cruz não tem a última palavra, a dor não é definitiva, e o silêncio de Deus é um mistério em ação, não ausência.

Para concluir, o sacerdote exortou os fiéis e devotos a aprender com Maria, como silenciar o coração e a permanecer com ela, sempre confiando mesmo quando não se compreende determinadas situações na vida, e, principalmente, amar até o fim.

A fidelidade silenciosa de Maria nos ensina que, quem permanece com Cristo na cruz, passará com Ele para a ressurreição. Que a Virgem da soledade, venerada nesta Catedral, e na fé do nosso povo, nos ensine esta fidelidade. Que ela nos acompanhe nas nossas travessias, e que, sustentados por sua intercessão, possamos chegar à luz da ressurreição”, concluiu Pe. Rodrigo.

O devoto, Paulo Francisco, da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Mariana (MG), enfatizou que a Semana Santa “está maravilhosa” e que peregrina em virtude de sua saúde.

“Hoje, eu estou na minha peregrinação, pela melhora da minha saúde, pedindo a Nossa Senhora das Dores pela minha situação. E, nós estamos aí, firmes na fé e agradecendo a Deus por tudo que está acontecendo na nossa vida”, enfatizou Paulo.

Para anteceder o Sermão da Soledade, a Santa Missa foi celebrada pelo nosso Arcebispo, Dom Airton José dos Santos, no Santuário Nossa Senhora do Carmo, seguida da procissão com a Imagem de Nossa Senhora das Dores até a Catedral da Sé, onde Pe. Rodrigo proferiu o Sermão da Soledade.

Em sua homilia durante a Missa, Dom Airton reforçou que a Semana Santa é o momento de aprender muitas lições com as paraliturgias.

“Nesta Semana Santa, queridos irmãos e irmãs, estamos sendo instruídos, através dos textos bíblicos, dos sermões, das nossas meditações ou da nossa participação, as quais nos trazem algo novo. Nós podemos ser uma presença boa, nova, revigorante neste mundo, aonde Deus nos colocou”, reforçou o Prelado.

Para o seminarista Igor Augusto, da Paróquia Santo Antônio, em Itabira (MG), Deus fala no coração de cada ser humano e, com isso, ajuda na meditação diária.

“Deus nos mostra através de suas simples palavras, dos salmos de Davi, como podemos meditar o amor e a misericórdia de Deus neste tempo da Semana Maior de nossa fé, buscando sempre a redenção e a conversão do nosso coração em busca do Senhor”, ressaltou Igor.

Ofício de Trevas

Após a Santa Missa e o Sermão da Soledade rezou-se o Ofício de Trevas no interior da catedral da Sé.

Mas, “por que este nome de Trevas? Esta parte do Ofício, rezada na Quarta-Feira, Sexta-Feira e Sábado da Semana Santa, expressa, de modo admirável, através das orações, salmos, lamentações, leituras e responsórios, os sentimentos que animaram Nosso Senhor na sua Paixão.

Segundo uma tradição dos primeiros cristãos, as 15 velas acesas no grande Candelabro Triangular, colocado ao lado do altar para o canto do Ofício Divino, são apagadas sucessivamente pelo acólito no final de cada salmo, exceto a vela do vértice do triângulo.

Estas velas, que assim vão se apagando, representam a glória de Nosso Senhor, que vai também se apagando pela ignomínia e sofrimento da sua Paixão. Ao canto de antífona, no final do “Benedictus“, a vela acesa que ficou no vértice do triângulo é que simboliza Jesus ‘Luz que ilumina todo homem’”. Texto: Pe. Paulo Barbosa.

Texto: Dacom/Arquidiocese de Mariana 
Fotos: Sarah Corrêa e Pedro Victor

Veja, abaixo, mais fotos da celebração

Clique no link e veja o Sermão da Soledade, proferido pelo padre Rodrigo Souza da CNBB Leste .

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