A Semana Santa é tempo propício para aprofundar o mistério da Redenção. Recordemos os últimos acontecimentos da presença temporal de Jesus na história: no Evangelho de João, em seu capítulo sétimo, a partir do primeiro versículo, lemos que se aproximava a festa judaica das Tendas, ou Páscoa dos Judeus e Jesus sobe a Jerusalém para festejá-la. Ele sabia que sua doutrina incomodara os sumos sacerdotes e os fariseus e que estes queriam matá-lo.
Consciente do verdadeiro sentido da redenção e não sendo masoquista, Jesus procurou ocultar-se para não ser preso. Porém, Judas Iscariotes, um dos Doze, colabora com os chefes do poder e facilita a prisão. A noite evitou tumulto popular. Judas foi um informante precioso e preciso para a realização do plano de eliminar Jesus.
Os Evangelhos são unânimes em mostrar que a elite social e religiosa de Jerusalém é a responsável direta e imediata da morte de Jesus. Os evangelistas destacam, também, que o povo estava encantado com JESUS e que isto protege por algum tempo a sua vida.
Jesus foi apresentado diante do grande Sinédrio de Jerusalém para ser julgado. O sumo Sacerdote em exercício o interrogou, mas para se desembaraçar do incômodo, ao invés de instaurar um processo religioso condenando Jesus por blasfêmia, resolveu acusá-lo de crime político perante a autoridade romana, enviando-o assim a Pilatos.
O Poder romano, na pessoa do procurador Pilatos, é apresentado pelos Evangelhos como aquele que autoriza a execução de Jesus, sob pressão dos chefes do Templo.
Por ocasião da Páscoa, Pilatos viera de Cesaréia para a sua residência no antigo palácio de Herodes, à oeste de Jerusalém. Jesus foi apresentado diante de Pilatos como sedicioso que preparava uma rebelião contra Roma e pretendia tornar-se “rei dos judeus”.
Tentando uma operação política, o prefeito da Judéia propõe a liberdade costumeira a um preso pela Páscoa, assim ele libertava Jesus e evitava a explosão de um motim. Para fazer com que a multidão o apoiasse e diminuíssem o prestígio e a autoridade dos sumos sacerdotes sobre ela, Pilatos manda flagelar Jesus, para indicar que Ele já tinha sido repreendido. Porém, manobrada pelos sumos sacerdotes, a multidão escolhe Barrabás, um autêntico agitador, ao invés de Jesus. Pilatos deu seu consentimento e Jesus foi condenado.
O Sinédrio procurou motivos formais para matar Jesus. Internamente, procura motivos religiosos e teológicos. Junto a Pilatos, alega motivos políticos. Mas, no fundo, a morte de Jesus é consequência de tudo o que Ele fez, desde o início de sua vida pública. A verdadeira causa é o perigo que as elites viam em Jesus. Ele lhes parece ter o poder de mobilizar perigosamente o povo. Ele questiona, com suas práticas e palavras, a estrutura baseada no sistema do Templo. Ele representa um poder destruidor. É uma ameaça. Concluem que Ele tem de ser eliminado. E eliminado o quanto antes.
A vertente mais profunda da morte de Jesus é a sua decisão pessoal de não abandonar o caminho quando surge a cruz. Jesus vai até o fim. Sua fidelidade à missão vai às últimas consequências. É o que nos lembra com muita clareza o Evangelho de João: Jesus dá livremente a sua vida (Jo 10,18). Amou durante toda a vida; e ama até o fim (Jo13,1).
No Evangelho de Lucas, capítulo quarto, versículo treze, lemos que após as tentações no deserto, o diabo deixou Jesus até o tempo oportuno. A paixão de Jesus, este é o momento em que Jesus seria novamente tentado. Tentação de quê? Tentação de fugir e abandonar tudo, tentação de negociar saídas e explicar que há mal-entendidos, tentação de reagir com violência contra os que o maltratavam.
Jesus supera a tentação pela oração. Manifesta sua angústia diante da morte, mas confirma, também sua fidelidade ao Pai e é confortado por Deus (Lc22,41-44). Não basta que Jesus vença a tentação. Os discípulos também terão de enfrentá-la e precisam preparar-se para isso através da oração. Oração deles próprios e de Jesus. (cf. Lc 22,31.40.46).
Mil e duzentos anos antes da crucifixão, Deus sugeriu a Moisés que erguesse uma serpente de bronze. O povo estava sofrendo provações e moléstias ao caminhar para a terra prometida. Veio o remédio: bastaria olhar para a serpente e ficaria curado. Jesus mesmo se proclamou a Divina Serpente. Em sua carta aos Filipenses, o Apóstolo Paulo mostra como Jesus aceita sofrer e morrer e nos recorda a atitude de adoração que se deve Ter diante de Jesus. (Fl 2, 6-11).
Jesus sofreu para obter para a humanidade o perdão dos pecados. A cruz que Cristo carregou e nela doou sua vida pelo resgate da nossa foi a reparação necessária pelos nossos pecados. Ele nos mereceu a salvação. Esta é a resposta à pergunta: POR QUE JESUS FOI CRUCIFICADO?
Padre Paulo Dionê Quintão
Pároco da Paróquia Santa Rita de Cássia, em Viçosa (MG)