Em uma noite marcada pela emoção e pelo resgate da identidade mineira, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, datada de 1707, no distrito de Camargos, em Mariana (MG), foi devolvida, restaurada, à comunidade na quinta-feira, 9 de abril de 2026.
A cerimônia teve início com a procissão da Padroeira pelas ruas da comunidade. Ao chegar à Igreja, nosso Arcebispo Metropolitano, Dom Airton José dos Santos abençoou e incensou a porta principal e, ao abri-la com o toque de seu cajado, todos adentraram no Templo para a celebração da Santa Missa.
Já dentro da Igreja, o Arcebispo aspergiu com água benta as paredes e o altar, além de incensá-lo.
Em seguida, o Prelado presidiu a Santa Missa, sendo concelebrada pelo atual pároco da comunidade, Pe. Leandro Ferreira; pelo Padre Gilsimar Tavares; pelo Reitor da Catedral da Sé, Pe. Geraldo Buziani; pelo ecônomo arquidiocesano, Pe. José Geraldo Coura (Pe. Juca); pelo Diretor da Faculdade Dom Luciano, Pe. Edvaldo Antônio de Melo e pelo Diretor do Museu Arquidiocesano, Pe. Anderson Paiva.

O rito marcou o início de uma nova história na comunidade, a qual compareceu, massivamente, à celebração e, também, na Arquidiocese, que perdurará por muitos anos.
Dom Airton ressaltou o valor simbólico do restauro, destacando que a recuperação física das paredes e altares reflete o fortalecimento espiritual da comunidade.
“E essa igreja agora, sendo protegida, sendo cuidada, vai durar muito tempo para a promoção dos atos litúrgicos, do culto a Deus. E nós agradecemos a Deus por tudo isso e pelo pessoal que trabalhou e que se empenhou. Agora vamos continuar na conservação, na proteção desse patrimônio aqui”, ressaltou.
Pe. Gilsimar Tavares acompanhou os trabalhos de restauro nos últimos anos e destacou sua alegria com a reabertura do Templo e a volta das atividades religiosas.
“Mais do que um belíssimo patrimônio artístico, é um importantíssimo patrimônio religioso, espiritual para os fiéis desta querida comunidade, local onde se reúnem semanalmente para suas orações”, destacou.

Após a liturgia, autoridades civis e religiosas participaram do ato oficial de entrega do Templo à comunidade.
E para o representante do escritório do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em Mariana (MG), Leandro Batista, essa é uma obra que resgata e mantém a memória afetiva da comunidade.
“Todos nós somos responsáveis, temos a nossa atribuição e temos a obrigação de manter essa memória viva. Além disso, acompanhamos também para que as coisas sejam feitas da forma correta e para que as pessoas, no caso do distrito de Camargos, possam entender o valor de se preservar esse patrimônio”, destacou Leandro.
O Templo com mais de 300 anos de história, terá o Pe. Leandro Ferreira à frente dos trabalhos religiosos. Ele compartilhou sua alegria e assumiu o compromisso de preservar e trabalhar para o bem do templo, que considera muito bonito.
“Eu compartilho da alegria da comunidade em receber a Igreja restaurada na sua beleza, no seu esplendor e assumo este compromisso, junto à comunidade, de continuar preservando, trabalhando para o bem deste templo que é tão bonito”, compartilhou Pe. Leandro.

Durante o período em que esteve fechada, desde agosto de 2023, inclusive, para a atividades religiosas, a obra contemplou tanto a estrutura civil, quanto o restauro delicado dos elementos artísticos, garantindo que cada detalhe fosse preservado para as futuras gerações.
O Presidente do Conselho Municipal de Patrimônio Cultural (Compat), Eduardo Batista, expressou uma profunda sensação de dever cumprido e uma grande honra ao devolver este importante templo religioso à comunidade.
“Além da sensação de dever cumprido, é uma honra muito grande devolver à comunidade esse templo religioso que traz tanta significância, não somente para a história de Mariana, como também para a história da comunidade de Camargos”, expressou.
A Igreja passou por uma revitalização minuciosa, o qual é uma joia da arquitetura colonial e que, agora, suas portas se abrem para celebrar, não apenas a fé, mas a preservação de um dos patrimônios mais preciosos da região.
Portanto, o templo possui grande significado histórico, especialmente para a comunidade de Camargos, sendo um símbolo central de sua fé.

Túlio Carlos, morador da comunidade, celebrou a devolução da igreja, totalmente restaurada, e evidenciou seus sentimentos de alegria e de esperança para o retorno das atividades religiosas.
“É um sentimento de alegria, não só para mim, mas para toda a comunidade. O que mais queremos agora é o retorno das Missas aqui, não só no fim de semana, mas, quem sabe, durante a semana também, evidenciou Túlio.
Ao término, a ata foi assinada pelas autoridades religiosas, civis e pelas pessoas da comunidade, um registro histórico que ficará guardado para as futuras gerações. Além disso, houve o descerramento da placa, a qual marca, na história, o restauro e a entrega da Igreja para a comunidade.
A obra, de alta complexidade técnica, exigiu um investimento total de R$ 4.538.523,36. Esses recursos foram deliberados pelo município de Mariana, através do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural (Compat) em parceria com a Arquidiocese de Mariana.
O projeto foi executado pela empresa especializada Cantaria Conservação e Restauro, sob o rigoroso aval do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Texto: Dacom/Arquidiocese de Mariana
Fotos: Pedro Victor

Erguida a partir de 1707, a Igreja Nossa Senhora da Conceição, apresenta uma fachada de singela sobriedade, um espetáculo de opulência artística em seu interior.
Segundo a tradição oral, o Templo foi construído em substituição à capela original e se destaca entre as igrejas coloniais por suas dimensões.
A portada em cantaria é valorizada por um ornato em curvas e contracurvas encimado por uma coroa que reverencia a Nossa Senhora e ao Rei de Portugal.
O interior apresenta talha característica da primeira fase do Barroco, estilo Nacional Português. A capela-mor é esculpida com colunas torsas, elementos fitomórficos e figuras de anjos.
Sua talha colonial é exuberante, o qual é um dos conjuntos de esculturas em madeira mais significativos e refinados do período colonial mineiro.
Sua arquitetura híbrida é uma estrutura imponente que combina a solidez da pedra na nave com o tradicional adobe na capela-mor.
Cada centímetro da Igreja exala uma sofisticação secular que não passa despercebida. Seu interior é um espaço de detalhes preciosos, tendo dois altares laterais de execução primorosa e uma distribuição espacial em dois pavimentos, que integra nichos profundos, tribunas de traços clássicos e um coro que ecoa a história do século XVIII.
Veja, abaixo, mais fotos da cerimônia.