Padre Tobias e o Lobo Guará
“Araújos” é um dos 853 Municípios deste nosso querido Estado de Minas Gerais, que agrega em seu perfil muitas riquezas, inclusive, naturais. Já dizia João Guimarães Rosa: “Minas são muitas, são, pelo menos, várias Gerais”. Mas o que a gente não pode se esquecer de que se trata de um CELEIRO DE VOCAÇÕES SACERDOTAIS. O personagem em destaque nesta crônica, Anibel Filho, é de uma família araujense que ofereceu três filhos Sacerdotes, dois dos quais, Bispos da Santa Mãe Igreja.
Tive a alegria de conhecer os três: Padre Tobias Zico, CM, quando de uma hospedagem no Colégio do Caraça. Foi uma semana de descanso para nós, os quatro Padres, que trabalhávamos juntos no Santuário da Piedade, em Barbacena. Naquele ambiente paradisíaco, por vezes, bucólico, todas as noites ele ingressava pátio adentro. Ora sozinho, ora com a sua companheira. Chegavam de orelhas em pé, escutando o insistente chamado da parte do Padre Tobias Zico. Eu o conheci nesta inusitada cena: “Guará!.. Guará!… Guará!… Fiu-fiu!… Fiu Fiu!… Surreal contemplar o Padre Tobias segurando, mão estendida e semierguida, um pedaço de carne para o lobo Guará abocanhar. Mais adrenalina impossível: deu-me o pedaço de carne para que eu também protagonizasse a cena inesquecível. Foi assim que conheci aquele Lazarista que, no passado, fora Reitor do Seminário de Mariana.
Já o segundo dos três, eu o conheci no Arcebispado de Belém do Pará, onde comemos Pato no Tucupi, Suco de Bacaba e outros alimentos típicos do Norte de nosso País. Trata-se de Dom Vicente Tobias Zico, CM, então Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Belém do Pará. Ele tornou-se o Metropolita, sucedendo a Dom Alberto Gaudêncio Ramos. Ultimamente, emérito, e há poucos anos, celebrou a sua Páscoa.
Pude conhecer também o terceiro: Anibel Filho, pseudônimo utilizado por Dom Belchior Joaquim da Silva Neto, CM (1918-2000), que foi Bispo Diocesano de Luz, Minas Gerais, além de Professor, Escritor e Poeta. Este, eu apenas o vi em alguns eventos, sem falar diretamente com ele. Entendendo o seu pseudônimo: o nome “Anibel Filho” é uma junção em honra aos Pais de Dom Belchior: Anita (mãe) e Belchior (pai) e Filho (ele próprio). Sob este nome (e como Dom Belchior), ele publicou diversos livros de poesias, biografias e romances pastorais, incluindo “Oásis do meu Deserto”, “Sinos da Madrugada” e “Caminhada de um Bispo”. Quando localizei no “Guia da CNBB” o número de seu telefone, nem cheguei a lhe telefonar para ajudar-me a acolher as Relíquias de São Vicente de Paulo, chegou-se através das mídias, que Dom Belchior acabara de falecer. Agora são três Lazaristas, da Congregação da Missão, junto ao Trono do Altíssimo intercedendo por nós! Dentre eles, nosso poeta ANIBEL FILHO!
Pároco de Santa Rita de Cássia, em Viçosa, MG