terça-feira

, 18 de agosto de 2026

Mãe Augusta retorna ao seu povo: a fé e a resistência de um povo que não se deixou separar

18 de agosto de 2026 Arquidiocese

A Paróquia São João Batista, em Barão de Cocais (MG), viveu um momento de profundo significado para a preservação de sua história, de seu patrimônio e de sua fé. A imagem restaurada de Nossa Senhora Mãe Augusta do Socorro foi oficialmente entregue, no dia 13 de agosto, à comunidade, durante uma cerimônia marcada pela emoção e pela memória coletiva.

A celebração representou mais do que o retorno de uma peça sacra restaurada. Para os devotos, a imagem é um elo espiritual que une a Comunidade do Socorro, evacuada em 2019 devido ao risco de rompimento da barragem de rejeitos. Mesmo dispersos por diferentes regiões da cidade, os moradores mantiveram viva a devoção à Mãe Augusta, símbolo de identidade, resistência e esperança.

O momento contou com a presença do Arcebispo Metropolitano de Mariana, Dom Airton José dos Santos; do pároco e reitor do Santuário São João Batista, Padre Bruno Gomes; do diácono José Apolinário; além do Prefeito Municipal, do secretário Municipal de Cultura, do Presidente do Conselho Municipal de Patrimônio, de representantes da Associação Comunitária do Socorro e da Práxis, empresa responsável pela restauração.

Durante a cerimônia, a equipe da Práxis apresentou os estudos realizados e detalhou as etapas do processo de conservação. Foram explicados os danos identificados, provocados pela ação do tempo, por insetos e por intervenções anteriores, bem como os procedimentos adotados para preservar, ao máximo, as características originais da peça.

Entre os trabalhos realizados estiveram o registro fotográfico, a limpeza e remoção de vernizes oxidados, o tratamento das áreas afetadas por insetos, a consolidação do suporte em madeira, o nivelamento das perdas, a aplicação de verniz protetor, a reintegração cromática e o tratamento dos elementos dourados.

A apresentação também destacou a relevância histórica da imagem. Suas características indicam tratar-se de uma peça antiga, possivelmente do século XVIII. Contudo, seu valor ultrapassa o campo artístico: diante dela, gerações de fiéis elevaram preces, agradeceram graças, confiaram suas dores e renovaram a esperança na intercessão da Virgem Maria.

 

 

 

 

Ao receber novamente a imagem, Padre Bruno expressou a alegria de devolvê-la à comunidade. Recordou que Mãe Augusta do Socorro não representa apenas um patrimônio material, mas a própria história de fé da Comunidade do Socorro. O pároco agradeceu à Arquidiocese de Mariana pela iniciativa de preservação do patrimônio sacro e a todos os envolvidos no processo de restauração.

Após a entrega, a programação seguiu com o sétimo dia da novena em honra a Nossa Senhora Mãe Augusta do Socorro. A Santa Missa, presidida por Dom Airton, reuniu os fiéis em torno do altar para celebrar esse momento tão especial.

Em sua homilia, o Arcebispo refletiu sobre a importância do perdão e da misericórdia, a partir do ensinamento de Jesus de perdoar “setenta vezes sete”. Recordou que, na Sagrada Escritura, o número sete simboliza plenitude e que, por isso, o perdão cristão não deve ter limites.

Ao comentar a parábola do servo que teve uma grande dívida perdoada, mas não foi capaz de agir com misericórdia diante de seu devedor, Dom Airton alertou para o perigo de permitir que mágoas e ofensas endureçam o coração. “Quem experimenta continuamente o perdão de Deus”, afirmou, é chamado também a oferecê-lo aos irmãos.

Durante a reflexão, o Arcebispo convidou os fiéis a observarem atentamente os detalhes da imagem restaurada. Em uma das mãos, Maria sustenta o Menino Jesus; na outra, segura uma lança que aponta para a língua da serpente. A partir desse símbolo, Dom Airton falou sobre o cuidado com as palavras: muitas vezes, a língua pode ser mais perigosa que a própria serpente. Palavras mal-empregadas ferem, dividem, alimentam ressentimentos e destroem relações. Por isso, o cristão é chamado a vigiar aquilo que diz e a não permitir que sua palavra se torne instrumento de discórdia.

A mensagem se uniu ao chamado ao perdão apresentado pelo Evangelho: não deixar que ofensas e feridas recebidas endureçam o coração. Quem experimenta a misericórdia divina é convidado a ser instrumento de reconciliação e paz na vida dos outros.

Ao final da celebração, foram realizadas as tradicionais orações em honra à Mãe Augusta do Socorro. Em gesto de carinho e devoção, os fiéis se aproximaram para oferecer flores à Virgem, encerrando uma noite marcada pela fé, pela gratidão e pela emoção.

Restaurada em sua beleza, a imagem de Nossa Senhora Mãe Augusta do Socorro retorna ao encontro de seus devotos. Nela permanecem as marcas de uma longa história de fé e a missão de continuar atravessando gerações como sinal da presença materna de Maria junto ao seu povo.

Para a Comunidade do Socorro, a imagem restaurada reafirma uma certeza: mesmo após a evacuação de 2019 e a dispersão dos moradores, a devoção à Mãe Augusta permanece como casa espiritual, memória coletiva e força de união. É diante dela que esse povo se reconhece, se reencontra e renova a esperança.

Nossa Senhora Mãe Augusta do Socorro, rogai por nós.

Texto: Elaine Cristina (Pascom Barão de Cocais) – Adaptado
Fotos: Elaine Cristina Moreira – Pascom Barão de Cocais.