terça-feira

, 06 de outubro de 2026

Pastoral Familiar debate o sentido da vida na era digital na Semana Nacional da Vida

06 de outubro de 2026 Arquidiocese

Na noite de segunda-feira, 5 de outubro de 2026, às 20h, a Pastoral familiar realizou sua segunda live, por meio do canal oficial do YouTube de nossa Arquidiocese de Mariana, intitulada “Para além das curtidas: o sentido da vida dentro e fora das telas”.

Para enriquecer o encontro virtual, que integra a programação oficial da Semana Nacional da Vida e do Dia do Nascituro, Padre Valter Monteiro da Paixão, Psicólogo e Pároco da Paróquia Sant’Ana e São José, em Santana dos Montes (MG) trouxe suas considerações a respeito do assunto.

Durante a transmissão, o sacerdote combinou dados de estudos científicos com observações da prática pastoral e pessoal para propor uma reflexão profunda sobre as transformações causadas pela tecnologia na comunicação e nos relacionamentos familiares.

“Hoje em dia você percebe que dentro da família há TV ligada, mas o pessoal todo conectado ao celular. Você não sabe e não consegue entender essa nova geração. [Antigamente]Quando nós sentávamos em frente a uma televisão, a gente olhava para a TV. Hoje o pessoal liga a TV, mas pega o celular”, observou Pe. Valter.

Com o objetivo central de debater o significado da existência na era digital, a explanação promoveu uma análise comparativa entre os modelos de comunicação das décadas de 1970 a 1990 e os dias atuais.

Enquanto no passado o contato interpessoal era intermediado por cartas detalhadas, jornais impressos e uma televisão analógica em preto e branco — meios unidirecionais e mais lentos que, contudo, estimulavam a imaginação, a atenção focada e a convivência interpessoal —, no presente, contudo, ferramentas como smartphones, plataformas de streaming, redes sociais e aplicativos de mensagens instantâneas instauraram um fluxo de informação veloz, globalizado e altamente interativo.

Todavia, o sacerdote alertou que essa mesma agilidade, frequentemente, resulta em superficialidade, impaciência e no aprisionamento das pessoas em uma “onda tecnológica” sem precedentes.

Além disso, Pe. Valter destacou, ainda, os impactos diretos da hiperconectividade na dinâmica familiar e no bem-estar psicológico. Embora a tecnologia permita a aproximação com pessoas geograficamente distantes, cria-se o paradoxo da desconexão presencial, ou seja, membros da mesma família, habitualmente, passam a viver isolados em “bolsas individuais” dentro do próprio lar, recorrendo aos dispositivos móveis como uma espécie de “babá eletrônica”.

“Nunca tivemos tantos meios para estarmos conectados. No entanto, vivemos um tempo em que grande parte da nossa vida acontece exclusivamente diante de uma tela. A gente já sente que é um verdadeiro big brother a questão familiar”, destacou o sacerdote.

Como consequência, Pe. Valter alertou sobre o desgaste dos laços afetivos, a perda da singularidade do olhar e da voz humana, reforçando o tema do 60º Dia mundial das Comunicações 2026, exortado pelo Papa Leão XIV, e um aumento drástico nos índices de solidão, ansiedade e depressão.

Paralelamente, a sobrecarga cognitiva, a infodemia, e a busca incessante por validação externa — medida pelo número de “curtidas” — conduzem à perda da privacidade, à preguiça mental e a um ciclo de fuga existencial amparado por aparências digitais refinadas por filtros.

Por outro lado, o convidado da noite ressaltou que a tecnologia não deve ser sumariamente demonizada, visto que assegura avanços inegáveis, tais como a rapidez no acesso à informação, a democratização do ensino a distância e a flexibilidade do trabalho remoto.

“Nós precisamos dessa tecnologia, temos que usá-la, temos que adaptar. Mas o objetivo não é o banimento, mas a mediação consciente. Precisamos aprender a habitar o ambiente digital sem sermos consumidos por ela”, ressaltou.

Nesse sentido, respaldado por posicionamentos da psicologia contemporânea e por diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), Pe. Valter defendeu o “caminho do meio”, caracterizado pela mediação consciente do uso das telas.

Para tanto, recomendou que os pais exerçam um papel ativo e exemplar, estabelecendo limites claros de tempo, delimitando momentos estritamente livres de dispositivos — como as refeições em família — e navegando conjuntamente com os filhos para selecionar conteúdos educativos e saudáveis.

Em suma, a live reforçou que a verdadeira essência da vida acontece fora do ambiente virtual, por meio do toque sensorial, da presença genuína e do diálogo olho no olho. Afinal, o valor fundamental de cada pessoa não deriva do engajamento em redes sociais, mas sim de sua condição intrínseca como filho, irmão, pai, mãe e ser humano vocacionado ao amor.

“Somos, acima de tudo, seres humanos, chamados a amar e a ser amados. A vida realmente acontece fora das telas. Então, isso é muito importante que a gente perceba”, reforçou Pe. Valter

Ao encerrar, a reflexão alinhada à Semana Nacional da Vida e do Dia do Nascituro reafirmou a mensagem do Evangelho de que Jesus veio para trazer vida em abundância, convidando a sociedade a olhar além do brilho efêmero das telas digitais em busca daquilo que é verdadeiro, eterno e profundamente humano.

Texto: Departamento Arquidiocesano de Comunicação (Dacom)/Arquidiocese de Mariana
Fotos: Prints da apresentação

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