domingo

, 03 de dezembro de 2023

A Pastoral do Dízimo em tempo de pandemia ou de pós pandemia

21 de novembro de 2022 Arquidiocese

O mês de novembro, na Arquidiocese de Mariana, é uma oportunidade para meditar sobre o significado do Dízimo para a missão evangelizadora e pastoral da Igreja. Em sintonia com essa celebração, o Assessor Arquidiocesano dessa Pastoral, Padre José Afonso de Lemos, preparou um artigo para ajudar na reflexão nas paróquias e comunidades. Confira:

 

A ação evangelizadora da Igreja não parou em nenhum momento, mesmo com as igrejas de “portas” fechadas, a suspensão das missas com a participação de fieis e a suspensão de encontros e eventos. Sua missão de anunciar o Evangelho e cuidar da vida dos menos favorecidos foi realizada de forma nova, criativa e ainda mais intensa. Isso foi possível porque a Pastoral do Dízimo está bem implantada em nossa Arquidiocese. Porém, a pandemia do novo coronavírus Covid – 19 suscitou novos desafios que têm afetado a vida de nossas comunidades.

Os ministros ordenados nos momentos mais críticos da pandemia continuaram a celebrar a Eucaristia, mesmo sem a presença física da comunidade, também continuaram a ministrar os sacramentos, com os devidos cuidados recomendados pelas autoridades sanitárias, continuaram a proclamar o Evangelho, mesmo com as portas fechadas, porque a Igreja nunca fecha e, de inúmeras formas, zela e se faz próxima do povo. Além disso, cada paróquia continuou a exercer a caridade com os mais pobres e necessitados, sendo essa uma parcela da sociedade que aumentou nesse tempo de pandemia.

A Pastoral do Dízimo, como todas as outras, precisou se reinventar nesse tempo de pandemia, precisou descobrir outras formas para que os fieis pudessem cumprir essa função sagrada de devolver o dízimo na comunidade de fé. Assim como numa família, a Igreja, também precisa dos recursos financeiros para se sustentar. Cada paróquia e comunidade tem as despesas comuns com água, luz, telefone, alimentação, funcionários, entre outras. Uma estrutura necessária para que ela possa exercer sua missão, ser a casa de Deus e de todos nós. Mesmo nesse período, em que muitas famílias passaram por dificuldades financeiras, o dízimo tornou-se um gesto concreto de amor a Deus e de compromisso com a Igreja, nossa casa.

Nesse período de pandemia, as paróquias buscaram formas alternativas para a devolução do dízimo, através do qual a Igreja mantém o seu trabalho de evangelização. Muitas paróquias disponibilizaram a conta bancária para que os dizimistas pudessem fazer sua contribuição por meio de transferência, sem precisar ir até a Igreja ou secretaria. Outras, optaram por disponibilizar o envelope do dízimo aos fieis. Neste caso, o dizimista entregava o envelope na secretaria ou ao agente do dízimo. Outras ainda, usaram e continuam utilizando as novas tecnologias para o dizimista fazer a devolução do dízimo. Estas foram algumas das iniciativas que facilitaram a vida dos fieis no tempo do forte isolamento social, devido a Covid 19.

Novos desafios e perspectivas

Estamos ainda inseridos num contexto de pandemia. Muitas sequelas estão presentes, outras irão nos acompanhar por toda a vida. Inúmeras pessoas continuam afastadas da vida comunitária, não retornaram às atividades presenciais. Além disso, temos lideranças que se encontram desanimadas e desalentadas.

Quando encontramos desmotivação no meio dos cristãos leigos e também dos ministros ordenados, precisamos rever a raiz da Igreja-Comunhão, pois, nas horas difíceis, precisamos dar as mãos e olhar com esperança para o futuro. As sábias palavras do Servo de Deus, Dom Luciano, devem nos inspirar neste tempo tão complexo pelo qual passamos: “Devemos estar unidos, não porque a missão é bela, mas porque a missão é grande”. A sociedade, em seu modo de viver hoje, tem suas interrogações e até a crescente cultura de morte, que atinge a todos, até a própria natureza. É certo que Deus não deixa de nos impulsionar para a direção da esperança, da construção do novo, do Reino, que está no meio de nós, por isso não há motivos para desânimos. É necessária uma abertura adequada e equilibrada para continuarmos em nossa missão. Se há caminhos de cruz, é certo que haverá caminhos que nos levam à ressurreição”.

Portanto, cada dia é um novo horizonte que se abre diante de nós, em que podemos servir com amor e gratuidade, pois foi isso que Jesus fez. Ele tinha sempre uma realidade diante de si, situações adversas das pessoas, situações sociais. Mas estava ali e dava sua resposta, seu alento, seu amor a cada realidade que encontrava. O agente da pastoral do dízimo hoje é chamado a ser presença junto das pessoas, a exemplo do próprio Cristo. Não podemos ser uma Igreja medrosa, acomodada, fechada, mas sim uma Igreja que vai ao encontro das pessoas. Assim fez Jesus. Assim a Igreja do Concílio Vaticano II nos ensina, e o Papa Francisco nos pede que sejamos Igreja viva, comprometida, inserida, encarnada. Não é possível seguir outro caminho, mesmo que haja insistências nesse sentido.

Trabalho em grupo:

1. A fé cristã é essencialmente comunitária. Muitas pessoas, devido a pandemia, não retornaram para as atividades presenciais. Que ações devemos implementar para responder a esse enorme desafio?

2. Apresentar sugestões para dinamizar a pastoral do dízimo nas comunidades?

3. Em nossa Arquidiocese, está em curso o fortalecimento das Foranias, sem enfraquecer as regiões pastorais. Desta forma, indique sugestões para fortalecer a pastoral do dízimo em sua Forania.

Baixe aqui o PDF do artigo

Texto: Pe. José Afonso de Lemos

Foto: Reprodução da página do Facebook da Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Piranga