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, 18 de junho de 2024

Agentes da Pastoral Carcerária refletem sobre a realidade do sistema prisional da Região MarianaSul

06 de junho de 2024 Arquidiocese

A Pastoral Carcerária da Região Mariana Sul promoveu, no dia 18 de maio, uma reunião formativa. Na pauta, estavam a Resolução CNPCP nº34, que trata sobre o livre exercício de cultos religiosos e a prestação de assistência religiosa nos espaços de privação de liberdade, e a realidade do sistema prisional da região.

Realizada no Centro de Pastoral Regional, em Barbacena (MG), o encontro contou com a presença de dez agentes e coordenadores da pastoral que atuam nas cidades de Barbacena, Carandaí e Rio Pomba. A conversa foi intermediada pela Coordenadora Nacional para a Questão da Mulher Encarcerada, Magda de Fátima Oliveira.

A reunião teve início com um momento de oração voltado para as pessoas privadas de liberdade a partir da meditação bíblica: “Lembrem-se dos presos, como se vocês estivessem na prisão com eles. Lembrem-se dos que são torturados, pois vocês também têm um corpo” (Hebreus 13,1-3).

“Assim, começamos a refletir sobre a missão da Pastoral Carcerária, destacando que os agentes da pastoral são presença da Igreja Católica e que buscam evangelizar e promover a dignidade da pessoa humana no cárcere”, afirmou Cláudia Volpini, agente e coordenadora da Pastoral Carcerária na cidade de Barbacena, da Paróquia São Sebastião.

Segundo Magda, inicialmente o momento seria voltado para uma conversa relacionada mais ao documento, publicado em 24 de abril deste ano, entretanto, a partir das dúvidas dos participantes outros assuntos foram abordados.

“A necessidade dos agentes provocou que, além da conversa sobre a Resolução 34, conversássemos ainda sobre Conselho da Comunidade, saúde mental e sistema manicomial”, informou.

O Assessor Regional da Pastoral Carcerária, Padre Oldair de Paulo Mateus, também participou da conversa e ressaltou alguns pontos preocupantes que, na sua opinião, merecem atenção por parte de toda Arquidiocese.

“Conversamos muito sobre os problemas que os presidiários têm enfrentado e a situação que vivemos com o encerramento de atividades dos Manicômios Judiciários, como o que temos em Barbacena. Percebemos o risco que os privados de liberdade dessas instituições correm ao serem transferidos para presídios comuns, sem nenhum suporte aos problemas de saúde que enfrentam”, apontou o sacerdote. Atualmente, ele é quem acompanha as visitas no presídio da cidade.

Durante o encontro, os agentes compartilharam suas experiências e fizeram um levantamento dos desafios que encontram nas visitas às pessoas privadas de liberdade nas diversas Unidades Prisionais.

“Magda orientou aos agentes com relação a essa percepção [falta de suporte aos cuidados com a saúde] no ato das visitas, além de orientar com relação a questões que podem ser percebidas nestes momentos, como alimentação e cuidados, para que a pastoral exerça a sua função de intervir pelos privados de liberdade. Outro ponto discutido foi para que se voltassem nossas orações e ações a situação dos presídios no Rio Grande do Sul, diante das intercorrências climáticas, despertando ainda mais a gravidade para a situação dos presidiários que lá estão”, completou Padre Oldair.

Para Magda, a reunião foi positiva e animadora. “Os agentes saíram mais animados e comprometidos com o objetivo da missão que é a evangelização e promoção da dignidade humana por meio da presença da Igreja nos cárceres, através das equipes de pastoral na busca de um mundo sem cárcere”, ressaltou.

Atualmente, a Pastoral Carcerária está presente nas paróquias Nossa Senhora da Piedade e São Sebastião, em Barbacena; São Manoel, em Rio Pomba; e Sant’Ana, em Carandaí.

Segundo os agentes, a ideia equivocada que somente cidades que possuem presídios devem contar com a Pastoral fazem com que o trabalho nem sempre seja ampliado para demais cidades e paróquias.

Conforme a coordenação e agentes, o ideal é que não só os privados de liberdade sejam assistidos, mas também seus familiares. Ainda, apontaram também a necessidade de um acompanhamento maior por parte de todas as paróquias junto às pessoas privadas de liberdade enviadas de outras cidades para os dois presídios que hoje estão ativos na Região Sul, nos municípios de Barbacena e Rio Pomba.

Texto: Ana Paula Mendes dos Santos
Foto: Leonardo Moreira dos Santos