A Arquidiocese de Mariana promoveu, entre os dias 23 e 25 de fevereiro, por meio do seu canal no YouTube, três encontros formativos sobre a Campanha da Fraternidade 2026 (CF), que tem como tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). Os encontros contemplaram três temáticas, uma a cada dia: ver, iluminar e agir.

O primeiro encontro, dia 23, trabalhou-se a temática do “Ver: compreendendo o direito à moradia”. Para essa conversa, a convidada foi a Evaniza Rodrigues, membro da equipe do texto base da CF 2026 e integrante do Movimento Nacional por Moradia Popular.
Evaniza fez uma análise da história da política sobre a moradia desde a ditadura até a redemocratização, ressaltando que houve redução de investimentos em políticas sociais, desregulamentação do mercado e priorização do capital financeiro e a privatização de empresas e bens públicos.
Ela enfatizou a necessidade de ver a moradia como um direito humano fundamental e não como uma mercadoria e questiona.
“Se a moradia é um direito reconhecido na Constituição Federal (Artigo 6º), por que tantos irmãos e irmãs não têm um teto digno?”

Evaniza Rodrigues
Além disso, a convidada mostra as diversas faces do déficit habitacional, o qual compreende as favelas e assentamentos populares, áreas de risco, ameaças de despejo e a população em situação de rua.
Para ela, é preciso haver soluções e experiências positivas para construir alternativas e pressionar o Poder Público por mais políticas públicas.
E finaliza que é fundamental “parar a máquina de produzir favelas”, mudando profundamente a forma como construímos nossas cidades.

O segundo encontro, dia 24, a temática sobre o “Iluminar” foi o assunto em questão e a convidada para explaná-lo, Sandra Assis Reis, do Forum Arquidiocesano de Moradia e Assessora dos Grupos de Reflexão, explorou a perspectiva bíblica, o magistério da Igreja e as realidades sociais atuais, enfatizando a importância da solidariedade, da justiça e da dignidade humana.
“Na Bíblia, o direito à moradia incluía também o direito de viver com dignidade no espaço onde era possível estabelecer vínculos, relações e sobreviver economicamente por meio do trabalho”, destacou Sandra.
Ela fez um levantamento dos principais pontos dos desafios da moradia, especialmente, diante das catástrofes recentes das chuvas intensas, as quais muitas pessoas perderam a vida e deixaram muitas famílias desabrigadas em Minas Gerais.

Sandra Assis Reis
Sandra refletiu também sobre as razões pelas quais pessoas pobres constroem em locais vulneráveis, muitas vezes por falta de recursos.
Além disso, ela enfatizou a necessidade de políticas públicas de moradia que incluam saneamento, preservação ambiental e planejamento urbano.
Contudo, para fechar sua apresentação, ela mencionou a construção do Residencial Dom Luciano Mendes, na cidade de Entre Rios de Minas (MG), o qual já beneficiou centenas de famílias com a casa própria.

O terceiro encontro, dia 25, contemplou a temática do “Agir: Construirão casas e nelas habitarão. O que fazer?”. A proposta foi apresentada pelo Leleco Pimentel, da Coordenação Arquidiocesana da Escola Fé e Política Dom Luciano Mendes e membro do Movimento Nacional de Moradia Popular.
Durante sua apresentação, ele destacou que a moradia não deve ser tratada como mercadoria ou favor do Estado, mas sim como uma obrigação estatal e a porta de entrada para todos os outros direitos.
Segundo Leleco, é necessário retirar a culpa e o estigma sobre os mais pobres pela falta de moradia e conscientizar as pessoas sobre as causas do déficit habitacional.
“Nós não podemos naturalizar a falta da moradia como algo inerente ao ser humano, porque o nosso jeito de morar foi se modificando durante os tempos e hoje a exclusão é, também, sinônimo da falta de prioridade de atenção política”, destacou.
Para a ação e o engajamento, Leleco propôs ações em três frentes: pessoal e educativa; comunitária e sociopolítica e a eclesial.
Para ele, a ação pessoal e educativa visa garantir a moradia digna; a ação comunitária e sociopolítica tem o objetivo de expandir a ideia de lar para a comunidade, promovendo o bem-viver no âmbito sociopolítico, com ações conjuntas no campo e na cidade.

Leleco Pimentel
Com isso, é crucial interagir com os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário em todas as esferas – municipal, estadual, federal.
Já a ação eclesial propõe a participação ativa da Igreja assumindo um “rosto periférico”. Isso inclui encontrar Jesus nas periferias, clamando por teto, terra e trabalho.
Como soluções propostas, Leleco enfatizou que espaços vazios urbanos e especulação imobiliária devem cumprir seus papéis sociais, além disso, deve haver a superação dos preconceitos, a implementação das políticas públicas de habitação eficaz, o fortalecimento dos conselhos de habitação e da Pastoral da Moradia.
A partir das lives, a Arquidiocese de Mariana proporciona um espaço de formação crítica e reflexiva sobre uma realidade que afeta milhões de pessoas. A Campanha da Fraternidade 2026, chama a atenção da sociedade e do poder público para essa violação do direito fundamental à moradia digna.
Para rever as lives, é só entrar no canal do YouTube da Arquidiocese de Mariana ou acessar os links abaixo.
Live dia 23 de março de 2026.
Live do dia 24 de março de 2026.
Live do dia 25 de março de 2026.
Texto: Dacom/Arquidiocese de Mariana
Fotos: Prints das transmissões das lives