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Arquidiocese de Mariana recorda o centenário do nascimento de Monsenhor Vicente Diláscio

07 de dezembro de 2023 Arquidiocese

A Arquidiocese de Mariana recorda nesta quinta-feira, 7 de dezembro, o centenário do nascimento de Monsenhor Vicente Diláscio. Falecido em 12 de abril de 2005, teve uma intensa atuação nesta Igreja Particular, contribuindo na Cúria Metropolitana por muitos anos, tendo exercido as funções de ecônomo e vigário geral.

Monsenhor Vicente trabalhou durante toda a sua vida sacerdotal na cidade de Mariana (MG), sendo vigário geral da Arquidiocese por muitas décadas e colaborador muito próximo dos Arcebispos Dom Helvécio, Dom Oscar e Dom Luciano.

Foi também cura da catedral, administrador da Arquidiocese, fundador das Obras Sociais Monsenhor Horta, que foi responsável pela constituição de boa parte das instituições de caridade na cidade de Mariana.

Confira, a seguir, o artigo escrito por Dom Luciano sobre o Monsenhor Vicente, publicado no Jornal Folha de São Paulo em 16 de abril de 2005.

 

Monsenhor Vicente, sacerdote exemplar

Deus chamou na madrugada de 12 de abril de 2005, aos 81 anos, o querido Monsenhor Vicente Diláscio, para receber o prêmio de uma vida abnegada, totalmente dedicada ao ministério sacerdotal. Nascido em 7 de dezembro de 1923, em São João del Rei, filho de Nicolao Diláscio e de dona Zulmira Santos Diláscio, desde cedo, já aos 13 anos, entrou no Seminário de Mariana (MG). Foi nessa cidade que exerceu, desde a ordenação presbiteral, durante mais de 50 anos, sua zelosa atuação, tornando-se mais tarde pároco e vigário geral.

Homem de fé profunda, fiel à oração e a seus deveres pastorais, vibrante pregador da palavra de Deus, formado em Filosofia, Teologia e Direito, era por todos amado e respeitado. Afável e acolhedor, recebia as pessoas com muita atenção, procurando que a ninguém faltasse a resposta esperada. Os sacerdotes encontravam nele o amigo solícito, discreto, capaz de dar todo o tempo necessário para aconselhar os colegas com sorriso e prudência.

À ciência e à cultura soube aliar a iniciativa de promover inúmeras obras sociais, fruto de sua caridade. Para atender os doentes e cuidar da saúde do povo, construiu o Hospital Monsenhor Horta. Abriu a creche que acolhe até hoje centenas de crianças carentes e uma casa especial para meninas adolescentes. Mais tarde, conseguiu, com a cooperação de amigos, edificar o Lar Santa Maria, onde os idosos são recebidos com carinho e residem com dignidade. Preocupava-se com o alimento dos pobres e conseguiu organizar em Mariana uma refeição diária, substanciosa, servida com pontualidade na Casa da Tia Lica. As pessoas carentes não faziam fila em sua porta. Com elegância, muito antes de nossas cestas básicas, garantia um vale no armazém para a nutrição mensal da família.

Esse apóstolo da caridade era também excelente administrador da Arquidiocese e solícito colaborador dos arcebispos que nele depositaram toda a confiança.

Entre suas realizações mais portentosas está a restauração da igreja de Nossa Senhora do Carmo. Após anos de fechamento, graças a empresas patrocinadoras, reformou toda a construção. Tudo estava preparado para a inauguração quando aconteceu, em 1999, o incidente do incêndio, que, em poucas horas, consumiu a maior parte da imponente igreja. Monsenhor Vicente sentiu muito, mas não esmoreceu. Recomeçou a sua luta, convocou os amigos, as irmandades, o povo. Pouco a pouco, o santuário foi saindo das cinzas e hoje, com beleza, está terminada a reconstrução, obra-prima de sua devoção a Nossa Senhora do Carmo, padroeira da cidade de Mariana. Várias outras capelas e igrejas foram recuperadas pela competente atuação de monsenhor Vicente.

A vida de tão eminente sacerdote apresenta uma singular característica: a presença e a colaboração constante de seu irmão, Cônego Paulo Diláscio, que com ele partilhava, a todo momento, o zelo no serviço divino, o peso dos trabalhos e as alegrias do ministério. Os dois irmãos sabiam dedicar-se aos demais membros da família, cuidando da formação espiritual e da compreensão entre todos.

Na última conversa que tive com o querido Monsenhor Vicente, um dia antes de seu falecimento, enfraquecido pela doença, manifestou mais uma vez seu amor e abandono nas mãos de Deus e sua confiança em Nossa Senhora. Queria recuperar a saúde para retomar os trabalhos e servir ainda mais.

Servo bom e fiel, Deus o chamou para o prêmio. Com seu sorriso de bondade, levou-nos no seu coração e agora intercede por nós diante de Deus. (Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida)

Texto: Colaboração de Gabriel de Moraes Torres

Imagens: Arquivo da TV Top Cultura/ Gabriel de Moraes Torres