terça-feira

, 09 de agosto de 2022

Assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB fala sobre o Ministério do Catequista

28 de dezembro de 2021 Arquidiocese

Foto: Arquivo Pessoal do padre Jânison de Sá Santos

Neste mês de dezembro, o Papa Francisco dedicou a sua última intenção de oração de 2021 aos catequistas e às catequistas. Por essa razão, o Departamento Arquidiocesano de Comunicação (Dacom) compartilha a entrevista realizada com o assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), padre Jânison de Sá Santos, na edição nº 319 do Jornal Pastoral sobre o Ministério Laical do Catequista, instituído pelo Santo Padre em maio deste ano.

 

Jornal Pastoral: O Papa Francisco, por meio do Motu Proprio “Antiquum Ministerium”, instituiu o ministério do Catequista. Qual é a importância desse reconhecimento aos catequistas? 

Pe. Jânison: O Motu Proprio “Antiquum Ministerium” foi um grande presente para os catequistas, que são educadores e educadoras da fé. É muito importante o reconhecimento do Papa Francisco aos catequistas leigos e leigas, pois vem valorizar, incentivar e motivar sempre mais a vocação laical do catequista pelo serviço tão importante que ele realiza na Comunidade Eclesial Missionária. 

O Motu Proprio é, geralmente, na forma de decreto e se trata de matéria decidida exclusivamente pelo Papa. A expressão poderia ser traduzida como de sua iniciativa própria. 

Jornal Pastoral: Qual foi o caminho percorrido até a publicação do Motu Proprio? 

Pe. Jânison: O Papa São Paulo VI já tinha aberto essa possibilidade de refletir sobre o Ministério do Catequista nos anos 1970, mas nada oficial e instituído. Depois, em 1997, o Diretório Geral para a Catequese abre essa possibilidade, mas ainda não foi possível e oficializada. O Papa Francisco tem essa abertura e o desejo de sempre mais fortalecer os Ministérios Laicais na Igreja. De fato, todo o Motu Proprio insiste que o Ministério instituído do Catequista é um Ministério Laical. 

O Papa Francisco pediu ao Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização que refletisse sobre a possibilidade da instituição do Ministério do Catequista. Eu participei de um encontro no México, com o Monsenhor Rino Fisichella do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização e sua equipe, onde ele colocou que o Papa tinha feito esse pedido. No ano seguinte, a equipe do Monsenhor Rino Fisichella esteve no Brasil, em Aparecida (SP), e no encontro também falou-se sobre essa possibilidade. É algo que o Papa Francisco desde 2014, no início do seu pontificado, já tinha em mente e que finalmente, em maio deste ano, foi instituído. 

Jornal Pastoral: No documento, o pontífice destaca  que o ministério do Catequista é o mais antigo da Igreja e a participação dos leigos e leigas na Evangelização por meio do serviço catequético. Diante do contexto atual, como o senhor vê a participação laical na Catequese? Acredita que algo será mudado a partir da instituição do ministério? 

Pe. Jânison: De fato, a nossa catequese hoje é realizada, na grande maioria, por leigos e leigas, particularmente pelas mulheres. Nesta ação Bíblico-Catequética, nós reconhecemos e valorizamos todo bem que os nossos catequistas leigos realizam em nossa Igreja. 

Com a instituição do ministério acredito que sim, com certeza, algo vai mudar, como catequistas com mais formação, preparação e conscientes sobre a sua missão. Hoje, eles são reconhecidos pela Igreja e confiados a uma missão, mas a partir da instituição do ministério será algo novo, pois eles serão instruídos com rito litúrgico pelo bispo diocesano e aqueles que, de fato, correspondem aos requisitos serão preparados para continuar exercendo esta missão agora como ministros instituídos.

Gostaria de lembrar e pedir aos catequistas e às coordenações nas dioceses que aguardem, pois deverá sair da CNBB, ainda neste ano, aquilo que o Motu Proprio pede: que cada Conferência Episcopal, no caso do Brasil a CNBB, possa elaborar uma proposta de itinerário formativo e critérios para aqueles que irão receber o ministério. A CNBB já formou uma comissão de sete pessoas e que depois será apresentada aos bispos no Conselho Permanente para uma possível aprovação. Se aprovado, será publicado e enviado às dioceses.

Jornal Pastoral: O Papa Francisco afirmou que “catequista é uma vocação”. O senhor concorda com o Papa? Como despertar essa vocação entre os nossos leigos e leigas?

Pe. Jânison:  Concordo plenamente. Catequista é alguém que se sente chamado por Deus para esta missão e vocação na Igreja. Deus chama e forma, como nos lembra o Evangelho de Marcos (3,13): o Senhor que chama os seus discípulos para ficarem com ele. Nós interpretamos como um período importante de formação e depois enviamos em missão. 

Sobre despertar essa vocação, hoje, nos leigos e leigas, eu creio que é importante que quem estiver na Catequese procure sempre mais dar testemunho, convidar outros e outras a participar e colaborar, além de envolver as famílias, os jovens, outras pastorais e grupos [nas atividades da Catequese]. Também é importante que os padres nas paróquias e as coordenações de Catequese possam motivar, convidar e movimentar as pessoas na Comunidade Eclesial Missionária e na paróquia para que possam nascer novas vocações e [que se tenha] novas pessoas dedicadas a esse serviço de transmissão da fé, procurando educar na fé as futuras gerações.

Veja também:

Papa Francisco introduz rito específico para instituir catequistas

Agenda