quinta-feira

, 30 de maio de 2024

Atuação pastoral de Dom Geraldo Lyrio Rocha na Arquidiocese de Mariana

28 de julho de 2023 Arquidiocese

Nomeado pelo Papa Bento XVI no dia 11 de abril de 2007 como quinto Arcebispo de Mariana, Dom Geraldo tomou posse canônica no dia 23 de junho do mesmo ano. Pouco antes, no mês de maio, foi eleito Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Assim sendo, acumulou o oneroso encargo de Arcebispo de Mariana, com mais de 130 paróquias em 79 municípios, com a exigente função de Presidente da CNBB de 2007 a 2011. Isso exigiu dele uma rigorosa disciplina na organização da agenda e enorme capacidade de liderança e de trabalho.

Em sua sabedoria pastoral, Dom Geraldo procurou colocar-se por inteiro em seu novo campo de missão. Visitou todas as paróquias e retomou as atividades dos conselhos e demais instâncias organizacionais. Com entusiasmo apresentou as prioridades do documento de Aparecida: a necessidade do encontro pessoal com Cristo, da conversão pastoral e da vivência dos compromissos de discípulos missionários por parte de todos os cristãos.

O ministério episcopal de Dom Geraldo em Mariana se desenvolveu numa perspectiva de continuidade e crescimento, valorizando o legado de seus antecessores e consolidando muitas conquistas e iniciativas já implementadas. Merece destaque o profundo respeito pela memória de Dom Luciano Mendes de Almeida, seu imediato predecessor. Instituiu a Comenda Dom Luciano; deu o nome dele à Faculdade Arquidiocesana de Mariana, a qual tinha sido por ele fundada, e passou a ser chamada Faculdade Dom Luciano Mendes (FDLM); criou o Centro de Documentação Dom Luciano e, com o apoio de mais de trezentos membros do episcopado nacional, obteve a autorização da Santa Sé para a abertura do seu processo de beatificação e canonização. Promoveu, ainda, outras causas de beatificação e canonização de pessoas ligadas à história da Igreja particular de Mariana: Dom Antônio Ferreira Viçoso, sétimo bispo de Mariana; da jovem leiga Isabel Cristina Mrad Campos e de Mons. José Silvério Horta, presbítero de nosso clero diocesano.

Com seu estilo de governo pastoral, Dom Geraldo valorizou as várias instâncias de organização. Sem abdicar de sua autoridade de bispo, contou com a competência e a dedicação dos assessores, acompanhou e orientou os trabalhos com clareza, paciência e determinação. Criou o Conselho Episcopal; ampliou o número de integrantes do Conselho Presbiteral; instituiu encontros semestrais com os padres nos cinco primeiros anos de ordenação e encontros periódicos com os diáconos permanentes e esposas; incentivou, acompanhou e presidiu os encontros anuais de presbíteros e diáconos, criou o curso anual de atualização para o clero e apoiou as experiências missionárias de padres e seminaristas fora da arquidiocese.

Ao longo dos onze anos de seu pastoreio em Mariana, Dom Geraldo supervisionou e aprovou a redação de vários documentos que deixaram a marca distintiva de seu pastoreio. Entre eles, as Orientações e Normas para os Sacramentos, o Manual dos Conselhos e o Projeto Arquidiocesano de Evangelização (PAE). Na elaboração, propunha uma ampla consulta e discussão das questões em todos os níveis, convencido de que todos se sentem mais comprometidos em implementar as propostas quando conseguem participar do processo.

Merece destaque o seu esforço de conhecer a realidade através das Visitas Pastorais, realizadas em todas as paróquias. Comentava com entusiasmo sobre as visitas, apresentando-as como uma das responsabilidades que realizava com maior alegria pela oportunidade de conviver com os padres, ter contato com o povo e animar as lideranças leigas.

Dom Geraldo deu continuidade à atuação da Igreja no âmbito social, testemunhando a fé diante das carências do nosso povo e dos desafios para melhorar a qualidade de vida na sociedade. Diante do rompimento da Barragem de Fundão, na área rural de Mariana, em novembro de 2015, encarou a situação com clarividência pastoral, coragem evangélica e postura profética. Percebeu imediatamente o alcance da tragédia e marcou a presença da Igreja na defesa dos direitos dos atingidos, cobrando a responsabilização das empresas envolvidas.

A conservação do patrimônio recebeu atenção e empenho da parte de Dom Geraldo. Fundou o Centro Cultural Arquidiocesano Dom Frei Manuel da Cruz, instalado no antigo Palácio dos Bispos. Criou a Comissão Arquidiocesana de Bens Culturais, reativou a Comissão de Arte Sacra e providenciou nova sede para o Arquivo Eclesiástico da Arquidiocese de Mariana. Também se empenhou na administração dos bens eclesiásticos, buscando a transparência e a adequação à legislação vigente no país, a melhor estruturação do setor administrativo da Cúria Metropolitana e a dinamização do departamento jurídico.

O arcebispo emérito valorizou a importância da memória na vida de um povo, dando relevo para datas significativas e incentivando comemorações. Destacam-se as festividades dos trezentos anos do início da construção da Catedral de Mariana, com seu ponto culminante na solene Eucaristia do dia 24 de outubro de 2013; e os duzentos e setenta anos da criação da Diocese de Mariana, em 2015. No dia 28 de novembro daquele ano, foi celebrado o Dia da Arquidiocese, na Arena Mariana, com missa festiva, contando com representantes das paróquias e expressivo número de diáconos, padres e bispos.

Em 31 de maio de 2009, celebrou o seu Jubileu de Prata Episcopal com expressiva representação do episcopado e do presbitério da arquidiocese, dos fiéis leigos e seus familiares. Seu Jubileu de Ouro Sacerdotal (15.08.2017) foi comemorado por meio de um ano vocacional, marcado por intensa programação e dinamizado pelo Seminário Arquidiocesano. Ponto culminante foi a peregrinação arquidiocesana ao santuário nacional de Aparecida, onde Dom Geraldo presidiu a Eucaristia na manhã do dia 13 de agosto de 2017.

No final do mês de julho de 2016, contraiu uma bactéria que desencadeou um complicado processo infeccioso, que o levou a um longo período de internação. Essa experiência foi vivida por ele com profunda atitude de fé e confiança em Deus, paciência edificante e serenidade. Permaneceu lúcido, acompanhando a vida da arquidiocese e dando as orientações até mesmo para o caso de uma sede vacante, consciente de seu delicado quadro clínico. Após meses de tratamento, conseguiu a recuperação total de sua saúde.

Antes de completar os setenta e cinco anos, idade com a qual o bispo entrega ao Papa a sua função, Dom Geraldo apresentou seu pedido de renúncia, receoso de que não pudesse cumprir bem a sua missão após a doença mencionada. Mas, com a graça de Deus e com sua determinação pessoal, prosseguiu normalmente as atividades. No período de sua despedida, deixou-nos marcante lição como homem de Deus e da Igreja, repetindo em diversas oportunidades: “a função se encerra, mas a missão continua”.

Pessoalmente sempre me edificaram a alegria e o entusiasmo com que Dom Geraldo desempenhou a função de Arcebispo de Mariana, mesmo no enfrentamento dos incontáveis desafios inerentes à sua missão, além da capacidade de estreitar laços de amizade e convivência e o investimento constante na construção de uma verdadeira unidade no corpo da Igreja.

Estou certo de que seu exemplo de pastor continuará inspirando a muitos com quem ele conviveu e aos quais cativou com sua rica personalidade e profundos princípios humanos e cristãos, revelando a beleza de uma vida entregue a Deus pela causa do Evangelho.

Mons. Celso Murilo de Sousa Reis
Texto adaptado do Livro sobre os 80 anos de Dom Geraldo (2022)