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Batizados e enviados: entrevista com padre José Geraldo da Silva

14 de outubro de 2019 Arquidiocese

Em sintonia com o Mês Extraordinário Missionário, o Departamento Arquidiocesano de Comunicação (DACOM) lança a série “Batizados em Enviados”. A partir de hoje estará disponível no site da arquidiocese algumas entrevistas com os padres de Mariana que estão em missão. As entrevistas têm como objetivo partilhar um pouco das experiências missionárias e conhecer a realidade das dioceses acolhedoras.

Na entrevista de hoje, padre José Geraldo da Silva (padre Juquinha) comenta sobre a sua experiência na Arquidiocese de Porto Velho (RO). Leia a entrevista na íntegra: 

DACOM: Onde e há quanto tempo o senhor está em missão?

Padre Juquinha: Estou em missão na Arquidiocese de Porto Velho – RO. Mas, já passei por outras experiências missionárias: Prelazia de São Félix do Araguaia, três meses; uma primeira vez em Porto Velho, de 2003 – 2012, atendendo a três paróquias: Santa Clara (Porto Velho); Nossa Senhora da Conceição (Candeias do Jamari) e Nossa Senhora de Lourdes (Itapuã do Oeste); além disso, ajudava na Comissão de Justiça e Paz e atendia também os presídios de Porto Velho, organizando a Pastoral Carcerária, que naquele momento ainda não existia. Depois tive a oportunidade de ir para a Prelazia do Xingu, atendendo uma área missionária, Asuriní, que contava com quarenta e cinco comunidades. Ajudava na Comissão de Justiça e Paz e na Pastoral Carcerária. Retornei à Porto Velho em janeiro de 2017, para assumir a função de coordenador das pastorais sociais, trabalhando diretamente com a Pastoral do Menor, atendendo quatro unidades socioeducativas; na Pastoral Carcerária, acompanho quatorze unidades prisionais, em Porto Velho, e ainda, colaboramos na comissão de justiça e paz, desenvolvendo trabalhos em Porto Velho e Candeias do Jamari. Recentemente, o arcebispo, Dom Roque Paloschi, pediu-me para assumir a assessoria da Pastoral da Criança.

DACOM: Do ponto de vista eclesial e social, como é a realidade da região onde o senhor está em missão?

Padre Juquinha: Do ponto de vista eclesial, a Arquidiocese é carente de vocações sacerdotais, o clero local, incardinado, tem um número reduzido. No desejo de formar um clero local, a arquidiocese dispõe de duas casas formativas: o seminário maior, São João XXIII, que acolhe vocacionados que estudam filosofia e teologia; e a comunidade vocacional Dom Helder Câmara, que acolhe vocacionados que cursam o ensino médio. Por outro lado, é visível a participação e o despontar de lideranças leigas. Há também muito envolvimento da arquidiocese nas questões sociais. A arquidiocese tem mais de oitocentas comunidades eclesiais de base (CEBs), estas são formadas por comunidades ribeirinhas, quilombolas, estas comunidades estão em ocupações rurais e urbanas e uma atenção especial aos povos indígenas, por meio do CIMI (conselho indigenista missionário).

É uma região marcada economicamente pelo agronegócio (soja e gado); crescente e contínuo desmatamento e queimadas. Com a construção de duas grandes hidrelétricas (Jirau e Santo Antônio), muitas famílias foram expulsas de suas terras, muitos conflitos que geraram mortes; além de tudo, cresceu em Porto Velho, com o término das construções o número de moradores em situação de rua, que não tiveram como voltar para suas cidades de origem. Outra realidade impactante foi o crescimento da prostituição. Diante de todas estas difíceis situações, as pastorais sociais surgem como uma resposta às necessidades dos que foram atingidos e estão marginalizados, o trabalho acontece em parceria com movimentos populares e os professores e alunos da Universidade Federal de Rondônia.

DACOM: Como nasceu o desejo em ir em missão no senhor?

Padre Juquinha: O desejo em sair para a missão nasceu com o testemunho e pedido de Dom Luciano, para que a Igreja se tornasse missionária. Papel importante teve o período de formação, no seminário, quando tive a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre as pastorais sociais, movimentos populares e a realidade prisional.

 DACOM: Como a experiência missionária pode colaborar com a vida eclesial?

Padre Juquinha: A experiência missionária desperta na gente uma dimensão maior de Igreja, saímos da nossa realidade e nos deparamos com outras, mais desafiadoras e ao mesmo tempo enriquecedoras. Isso nos faz crescer vocacionalmente, nos coloca diante do novo. A missão desperta em nós a dimensão do serviço, principalmente aos mais pobres, que não podem ser esquecidos. Estando em missão, não tem como ser indiferente, vou ficando mais humano e solidário, diante dos rostos com os quais eu me deparo no dia a dia.