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Carta Compromisso do 8º Fórum Social pela Vida é aprovada pelos participantes

29 de novembro de 2022 Arquidiocese

Na manhã do último dia do 8º Fórum Social pela Vida, 27 de novembro, os participantes do evento estiveram reunidos na Escola Municipal Abelard Pereira para participarem do momento de leitura e aprovação da Carta Compromisso do Fórum. O documento foi aprovado pelos presentes e, conforme consta no Projeto Arquidiocesano de Evangelização (PAE, nº 10, p. 69), deverá ser assumido e implementado em toda Arquidiocese de Mariana.

Confira a íntegra do documento:

 

CARTA COMPROMISSO DO 8º FÓRUM SOCIAL PELA VIDA

“Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça” (Mt 6,33)

Impulsionados por esse mandamento de Jesus, nós, os participantes do 8º Fórum Social pela Vida da Arquidiocese de Mariana, realizado em Carandaí-MG de 24 a 27 de novembro de 2022, formamos uma grande família marcada pela alegria, pela esperança e pela resistência, fruto da fé que nos irmana e da pluralidade que nos enriquece. Vindos de 50 municípios das cinco regiões pastorais de nossa Arquidiocese, somamos 260 pessoas cuja vida e testemunho traduzem o anseio de uma multidão que acredita, sonha e luta por uma sociedade justa e fraterna.

Nossas reflexões e debates, nesses dias, foram iluminados, além do Evangelho, pelas encíclicas Laudato Si e Fratelli Tutti, do Papa Francisco. Dessas duas fontes nasceram nosso tema e lema que, unidos, fazem nossa meta: “Lutar por justiça e construir fraternidade – a sociedade do bem viver em nossas mãos”. Os muitos desafios vencidos, sobretudo, o contexto de pandemia e de pós-eleição, fizeram deste nosso encontro o Fórum da resistência. Uma resistência ancorada e alicerçada no evangelho da vida e no compromisso com os direitos humanos e a Casa Comum.

A mística de abertura de nosso Fórum soprou as cinzas que escondiam a brasa do amor, da fé e da luta que ardia em nossos corações. Fomos desafiados, desde o início, a fazer do Fórum ocasião de ver a realidade com nossos próprios olhos, de ouvir o clamor do povo e o grito da Mãe Terra com nossos próprios ouvidos, de anunciar a esperança e denunciar o pecado e o mal com nossa própria boca.

Auxiliados por assessores e assessoras comprometidos com as causas de uma evangelização encarnada, compreendemos que a justiça nasce da resistência que tem, na memória, sua mais forte motivação. Entendemos, igualmente, que a fraternidade não é uma realidade pronta, mas uma forma de vida a ser escolhida e construída. Fomos alertados pelas palavras do Papa Francisco que diz: “no mundo atual, esmorecem os sentimentos de pertença à mesma humanidade e o sonho de construirmos juntos a justiça e a paz parece uma utopia de outros tempos” (FT, 30).

Vimos que a justiça e a fraternidade, base da sociedade do bem viver, supõem a promoção e a defesa da vida mediante o irrenunciável compromisso com a Ecologia Integral que nos faz perceber que não existe uma vida humana e outra da natureza, mas que tudo está interligado[1]. Para tanto, jamais poderemos abrir mão da democracia, necessária onde impera a injustiça, possível onde se busca a justiça[2].

O cenário socioeconômico e político, caracterizado pela desigualdade social, pobreza e exclusão, fome, violência, discriminação e preconceito, coronelismo político, corrupção, pelo capitalismo sem alma e por tantas outras realidades de dor e sofrimento que ameaçam a vida, especialmente dos pobres, longe de nos desanimar, enche-nos da coragem e da esperança que alimentam nossa utopia da sociedade do bem viver, prenúncio do Reino de Deus. Afinal, somos discípulos e discípulas Daquele que venceu a cruz e a morte! Ele nos garantiu: “Tenham confiança, eu venci o mundo” (Jo 16,33).

O 8º Fórum Social pela Vida foi, para todos nós, fonte restauradora que saciou nossa sede do reencontro, alimentou a chama de nossa esperança e fortaleceu nosso desejo de jamais abandonar a luta por justiça e fraternidade. Sentimos, durante todos esses dias, a companhia luminosa do “Nosso Dom Luciano, bom samaritano, doce e bom pastor” e reafirmamos que ele vive na luta do povo e no coração dos que ele amou e serviu. Nele buscamos a inspiração para, com espirito renovado e coração ardente, caminhar em direção à sociedade do bem viver que queremos construir, assumindo os seguintes compromissos:

  1. Organizar o Movimento Fé e Política na Arquidiocese de Mariana, objetivando a formação e a capacitação dos cristãos leigos e leigas, em especial, mulheres, negros e negras e a juventude, com vistas à sua participação na Política Melhor[3] que constrói a sociedade do bem viver.
  2. Elaborar uma cartilha sobre a agricultura urbana e a agricultura familiar com o objetivo de conscientizar as comunidades sobre a importância da alimentação saudável e o uso de sementes crioulas e de terapias naturais.
  3. Atuar junto aos municípios com vistas ao fortalecimento ou à criação do Conselho Municipal de Habitação, acompanhando sua atuação na implementação de políticas públicas de moradia, especialmente, para a população pobre.
  4. Fortalecer, nas pastorais e nos movimentos populares, o trabalho permanente de defesa e promoção da dignidade humana, contra todo tipo de discriminação e preconceito.
  5. Criar, em nível arquidiocesano, a Comissão de Meio Ambiente e Ecologia Integral.
  6. Identificar, na Arquidiocese de Mariana, as iniciativas de economia solidária e de agroecologia, e, à luz da Economia de Francisco e Clara e da 6ª Semana Social Brasileira, incentivar sua prática.

Nossa Senhora da Assunção e São José, padroeiros de nossa Arquidiocese, intercedam por nós junto ao Deus Uno e Trino a fim de cumprirmos com alegria e fidelidade esses compromissos compartilhados com todos os irmãos e irmãs de nossa querida Arquidiocese de Mariana.

Carandaí, 27 de novembro de 2022.

[1] Papa Francisco. Laudato Si, nn. 91, 117, 138, 240

[2] Cf. Reinhold Niebuhr

[3] Papa Francisco. Fratelli Tutti, n. 154

Baixe aqui o PDF da Carta Compromisso

Foto: Tiago Fernandes

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