quinta-feira

, 07 de maio de 2026

Cerca de Cinco mil pessoas acompanham o Sermão do Descendimento na Sexta-Feira da Paixão

04 de abril de 2026 Arquidiocese

Na noite de Sexta-Feira da Paixão e Morte de Jesus, 03 de abril, aproximadamente, cinco mil pessoas acompanharam o Sermão do Descendimento da Cruz proferido pelo Bispo da Diocese de Divinópolis e filho da Arquidiocese de Mariana, Dom Geovane Luís da Silva, seguida da procissão com a imagem do Senhor Morto e a relíquia do Santo Lenho para a Catedral da Sé.

A cerimônia foi realizada na Praça Minas Gerais, diante das primorosas Igrejas de Nossa Senhora do Carmo e de São Francisco de Assis, e ali, os fiéis e os devotos puderam ouvir as belíssimas palavras de Dom Geovane, sensibilizadas pela retirada do corpo de Jesus da Cruz, o criador julgado e condenado pelas suas criaturas, só por amar até o fim.

“De fato, Jesus Cristo, não cometeu nenhum crime, morreu inocentemente e passou pelo mundo fazendo o bem”, destacou Dom Geovane.

Dom Geovane, trouxe um contexto não apenas histórico, mas uma verdade contínua que interpela a vida pessoal, comunitária e social dos católicos. Um convite para participar ativamente da Páscoa de Cristo através da fé, do amor e do compromisso com a justiça social, especialmente em relação aos pobres e sofredores.

Ele abordou pontos essenciais com a glória da Cruz e a esperança da ressurreição e a iniciativa de Jesus e o significado de “Preparar a Páscoa”.

Para ele, a Paixão do Senhor é um ato definitivo de amor, manifestando a glória de Cristo e o poder do Ressuscitado. Apesar do abismo entre morte e ressurreição, Jesus abriu um horizonte de esperança para a humanidade, orientando nossa história pessoal e comunitária para o encontro com o Senhor da Glória.

O Prelado explicou que Jesus tomou a iniciativa de preparar sua própria Páscoa, demonstrando que sua Paixão não foi determinada pelas maquinações das autoridades, mas por sua livre vontade. E a ordem de Jesus aos discípulos para “preparar a Páscoa” é um convite para que se unam a Ele na entrega de sua vida ao Pai, ou seja, na doação da cruz.

“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos. A pergunta “Onde queres que preparemos a Páscoa?” é dirigida hoje ao coração de cada um, pois Cristo deseja entrar e cear conosco, habitando nas profundezas do nosso ser. Os desequilíbrios do mundo moderno estão enraizados no coração humano. Quem tem a coragem de entrar no próprio coração nunca estará sozinho, pois Deus habita em nós”, frisou o Prelado.

O Bispo de Divinópolis apresentou Jerusalém, cidade da Paixão de Jesus, como símbolo das cidades atuais com seus desafios, violências e desigualdades sociais, e, por isso, também, clama por justiça social.

“Não obstante tais desafios, a cidade é o lugar do reencontro com Cristo, presente na dor de tantos irmãos e irmãs sofredores, abandonados a sua própria sorte, pois estes não recebem do Estado o que lhes pertence por direito enquanto cidadãos, e carecem da presença consoladora da Igreja para lhes oferecer o tesouro do Evangelho”, evidenciou o Bispo citando as vítimas de Mariana e Brumadinho, cujas reparações são consideradas “esmola”.

Ele também lembrou das vítimas das fortes chuvas em Minas e o impacto das mesmas nas periferias das cidades, onde vivem os segregados.

E denuncia:

“Jesus, que não tinha onde reclinar a cabeça, demonstra solidariedade com os pobres, mas não legitima a falta de moradia, que é um direito de todos”.

Para ele, é dever da Igreja denunciar as injustiças e citando a Campanha da Fraternidade 2026, que tem o tema: Fraternidade e Moradia, o Bispo defende que “moradia é direito de todos”.

Por fim, Dom Geovane iniciou o descendimento de Cristo da Cristo retirando a inscrição que significa “Jesus de Nazaré, rei dos judeus”, depois, retirou-se a coroa de espinhos. Na sequência, os pregos dos pés e das mãos de Cristo.

“Os pregos que traspassaram as mãos e os pés do Senhor, ferindo a sua carne, são os nossos pecados. Nessa Sexta-Feira Santa é um dia no qual devemos pedir perdão ao Senhor Jesus, perdão pelos nossos pecados, pelas nossas ofensas”, explicou.

Em seguida, a procissão seguiu para as ruas históricas da cidade até a Catedral da Sé, onde Dom Airton deu a benção do Santo Lenho, finalizando a celebração.

Ofício de Trevas e Solene Ação Litúrgica

Da Sexta-Feira da Paixão e Morte de Cristo até a parte da manhã de sábado, o dia amanhece com um sentimento de tristeza e dor, mas perseverantes na esperança que não decepciona.

Para celebrar esses momentos, durante o dia, na Catedral da Sé, em Mariana (MG), é realizado, na Sexta-Feira, às 09h, o Ofício de Trevas, e, às 15h, é feita uma Solene Ação Litúrgica com o beijo da Cruz. Já no Sábado de manhã também é rezado o Ofício de Trevas antes da Ressureição definitiva de Jesus.

No Ofício de Trevas, os ritos intercalam entre preces e salmos, além de cânticos em latim, os quais fazem referência a tristeza e a angústia pelo fato de que um Deus se padeceu em razão dos pecados da humanidade.

Na Solene Ação Litúrgica, em um clima de silêncio e com os altares desnudados, os celebrantes se prostram no chão diante do altar, fazendo um minuto de silêncio em memória de Cristo, simbolizando a humanidade oprimida e penitente.

A Sagrada Comunhão é distribuída e a oração do Pai-Nosso foi rezada por toda a assembleia presente.

Após a entrada solene as Santa Cruz até o altar com o cântico “eis o lenho da Cruz, do qual pendeu a salvação do mundo. Vinde, Adoremos!” o véu é retirado e no final da celebração, a Cruz de Cristo é exposta para o “beijo da Cruz” feito pelos fiéis.

Neste dia, toda coleta é destinada para ajudar na conservação e na manutenção dos lugares santos como Jerusalém, Santo Sepulcro, Jardim de Getsêmani e outros.

Texto: Dacom/Arquidiocese de Mariana
Fotos: Cremilda Moutinho, Sarah Corrêa e Pedro Victor.

Veja, abaixo, mais fotos das cerimônias

Clique no link e veja o Sermão do Descendimento da Cruz, por Dom Geovane, Bispo da Diocese de Divinópolis, Sexta-Feira da Paixão.

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