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“Como Maria, vamos à soledade na certeza de que não estamos sozinhos”, diz Padre Adilson Feiler, SJ, em Sermão da Soledade

28 de março de 2024 Arquidiocese

A Quarta-feira Santa, 27 de março, foi marcada pelo Sermão da Soledade na Catedral Nossa Senhora da Assunção, proferido pelo Padre Adilson Felício Feiler, SJ. O rito paralitúrgico foi antecedido pela Santa Missa na Igreja São Francisco de Assis, presidida pelo Arcebispo Metropolitano, Dom Airton José dos Santos.

Com a participação de dezenas de fiéis, a celebração foi concelebrada pelo Padre Felício e pelo Pároco e Reitor da Catedral, Padre Geraldo Dias Buziani, que proclamou o Evangelho de Mateus 26,14-25, que recorda como Jesus contou aos seus discípulos que um deles iria o trair.

Dom Airton presidiu a missa na Quarta-Feira Santa.

Em sua homilia, Dom Airton elencou um trecho do Evangelho para evidenciar as consequências de ser um traidor de Cristo. “‘Ai daquele que trair aquele Homem, seria melhor que nunca tivesse nascido’. Meus queridos irmãos e irmãs, devemos estar atentos para sermos fiéis discípulos de Cristo, para não nos deixarmos vencer pelas tentações desse mundo e não nos tornarmos traidores daquele que veio para nos salvar”, disse.

Ao término da Santa Missa, os presentes caminharam em procissão com a imagem de Nossa Senhora das Dores em direção à Catedral Basílica, onde foi proferido o Sermão da Soledade.

No silêncio de Maria, a confiança em Deus

Procissão chegando à Catedral.

Em sua pregação, Padre Adilson ressaltou a imensa piedade de Maria, ao se dispor para carregar a Cruz no lugar de seu filho ao vê-lo passar por tamanha dor. Segundo ele, assim como somos surpreendidos por perdas de pessoas queridas e dores no dia a dia, Maria desejou preparar uma sepultura para o filho. Entretanto, isso não foi possível, pois aconteceu de maneira repentina, mas quando tudo parecia não ter mais sentido, Maria encontrou no silêncio a confiança em Deus.

“Essa é a força que Maria encontra para suportar a dor de ver o filho morrer na Cruz. Maria do silêncio, a soledade de Maria. Esse silêncio de fé, na ação da providência de Deus na história, é um silêncio coletivo. Um silêncio que não se silencia sozinho, é disso que se trata. Maria não está sozinha, ela tem a presença do Altíssimo, ela tem a presença do discípulo São João e outras mulheres piedosas que acompanharam Jesus. Eram poucas pessoas; onde estava aquela multidão toda? Irmãos, devemos nos perguntar quantas vezes somos omissos? Como Maria sejamos fiéis, como Maria vamos à soledade com fidelidade na certeza de que não estamos sozinhos, na certeza da presença da Igreja”, enfatizou.

Padre Adilson pregou o Sermão da Soledade, em Mariana.

Ao final, Padre Adilson convocou a todos a levar o grande testemunho e exemplo da virgem Maria que nos ensina a vivermos o silêncio repentino, a encarar a dor cotidiana de modo que não seja insuportável e pesado.

Em entrevista, o religioso jesuíta afirmou que é uma alegria saber que Mariana tem crescido na programação da Semana Santa, estando muito satisfeito de estar na cidade “Portal de Minas Gerais”. “Entrar dentro de uma atmosfera dessas é justamente voltar no tempo e refazer os passos de Nosso Senhor que se entrega a sua Paixão”, disse o sacerdote que também é professor da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia de Belo Horizonte.

Ofício das Trevas

Ofício das Trevas.

Após o Sermão, em profunda meditação, aconteceu o Ofício das Trevas. Rezado na quarta, quinta e sexta-feira da Semana Santa, ele traz orações para interseção em um momento em que a escuridão se apossou da terra com a morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A cada salmo rezado, uma vela é apagada em um candelabro ao lado do altar. Intercalando entre cânticos em latim, preces e salmos a cerimônia, se encerra quando a última vela é apagada juntamente com toda a iluminação de todo ambiente.

O Vigário Paroquial da Paróquia Nossa Senhora da Assunção, Padre Johny Sales de Figueiredo, que experienciou cantar um dos cânticos em latim, explicou que esse ofício é marcado pelo cântico das lamentações de Jeremias.

Padre Johny cantou no Ofício das Trevas.

“É um texto da sagrada escritura, um texto bíblico cantado em latim do Liber Usualis e que muito ajuda a mergulhar nessa tradição, sobretudo no canto gregoriano nas raízes da Igreja”, detalhou, enfatizando que a Semana Santa, em Mariana, é mergulhar na fé, história, e tradição da cidade.

Ernestina da Rita Saraiva, integrante do coral presente, também cantou algumas das músicas, descreveu seus sentimentos nesta Quarta-feira Santa. “Esses cantos mexem muito com a gente. A gente fica emocionada, a gente fica buscando Deus, buscando o Senhor que fez tudo por nós. É uma alegria poder participar, porque a gente participando, cantando, vivendo esse momento, a gente consegue chegar um pouquinho perto dela [Maria]”, falou.

Semana Santa 2024

as celebrações da semana maior da fé católica seguem até o Domingo de Páscoa. Nesta Quinta-Feira Santa, a Santa Missa com o rito do lava-pés será transmitida pelo canal do YouTube da Arquidiocese.

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Texto e fotos: Paulo César Govêa/Arquidiocese de Mariana

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