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, 20 de abril de 2024

Dimensão Sociopolítica e Comissão de Mulheres divulgam carta por ocasião do Dia Internacional das Mulheres e solicitam a leitura nas paróquias

01 de março de 2024 Arquidiocese

A Dimensão Sociopolítica da Evangelização e a Comissão de Mulheres da Arquidiocese de Mariana divulgaram nesta sexta-feira, 1º de março, carta por ocasião do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março. A publicação ocorre na data em que tem início, em Lamim (MG), o 10º Encontro de Mulheres.

Na mensagem, eles recordam que a celebração do Dia Internacional das Mulheres “convida, antes de tudo, a agradecer às mulheres por sua vocação e missão na Igreja e no mundo”, mas também de luta e denúncia.

“Alegra-nos perceber que, cada dia mais, cresce a consciência da dignidade da mulher e de sua valiosa contribuição na construção de uma sociedade justa, fraterna e solidária. (Mensagem da CNBB, 2012). Apesar desses grandes avanços obtidos pelas mulheres, o dia 8 de março continua a ser uma data para recordar e denunciar as inúmeras situações de violação de seus direitos e dignidade”.

Por ocasião do 10º Encontro de Mulheres da Arquidiocese de Mariana, a Dimensão Sociopolítica da Evangelização e a Comissão de Mulheres solicitam que a mensagem seja lida nas celebrações deste fim de semana.

Confira o texto na íntegra:

Mensagem pelo Dia Internacional da Mulher

8 de março de 2024

Nestes dias 1º e 2 de março de 2024, a ARQUIDIOCESE DE MARIANA se alegra e se une em comunhão fraterna e oração pelos bons frutos do 10º ENCONTRO DE MULHERES que acontece na Paróquia Divino Espírito Santo, em Lamim, Região Mariana Centro, com o TEMA: “MULHERES, PRESENÇA FORTE NA DEFESA DA VIDA” e o LEMA: “O ABRAÇO ENTRE AS MULHERES É UM ATO DE RESISTÊNCIA E SOLIDARIEDADE”.

A Dimensão Sociopolítica da Evangelização, através da sua Comissão de Mulheres, se antecipa e saúda a todas as mulheres, pela celebração no dia 8 de março próximo, Dia Internacional da Mulher. Esta data histórica nos convida, antes de tudo, a agradecer às mulheres por sua vocação e missão na Igreja e no mundo. É cada vez mais forte sua presença na família, no mundo do trabalho, na ciência, na educação, na política, na Igreja e na sociedade.

O Dia Internacional da Mulher nos conclama ainda, a aplaudir as mulheres por suas conquistas ao longo de uma história marcada pela discriminação e pelo preconceito.

Alegra-nos perceber que, cada dia mais, cresce a consciência da dignidade da mulher e de sua valiosa contribuição na construção de uma sociedade justa, fraterna e solidária. (Mensagem da CNBB, 2012). Apesar desses grandes avanços obtidos pelas mulheres, o dia 8 de março continua a ser uma data para recordar e denunciar as inúmeras situações de violação de seus direitos e dignidade.

O Documento de Aparecida nos adverte sobre a urgência de “escutar o clamor, muitas vezes silenciado, de mulheres que são submetidas a muitas maneiras de exclusão e violências em todas as suas formas e em todas as etapas de suas vidas” (DAp, n. 454). Meninas e mulheres são diariamente vítimas de violência baseada em gênero, dentro de casa, por pessoas conhecidas e em circunstâncias ainda muito toleradas socialmente na cultura brasileira. A naturalização de comportamentos violentos e a precariedade dos dados disponíveis contribuem ainda mais para a invisibilização das vítimas que sofrem em silêncio.

Os alarmantes dados sobre o feminicídio no Brasil indica a necessidade de políticas públicas de prevenção específicas para o problema, que vão além das políticas de controle da criminalidade urbana. De janeiro a outubro de 2023 ocorreram 1.158 feminicídios, o que significa que, em média, 4 mulheres ainda morrem diariamente no país vítimas de feminicídio, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Para muitas mulheres, como constatamos, o lar, lugar sagrado de proteção, converteu-se em espaço de dor e sofrimento. Símbolo de vida, também o corpo feminino é, infelizmente com frequência, agredido e deturpado por aqueles que deveriam ser os seus guardiões e companheiros de vida. As tantas formas de escravidão, de mercantilização, de mutilação do corpo de mulheres [e meninas] nos comprometem, portanto, a trabalhar para derrotar esta forma de degradação que o reduz a um puro objeto de venda nos vários mercados modernos.

A Lei Maria da Penha, criada em 2006, com o objetivo de punir com mais rigor os agressores contra a mulher no âmbito doméstico e familiar, é hoje símbolo nacional da luta das mulheres contra a opressão e a violência de que são vítimas. Também o combate à estrutura patriarcal é sim muito mais discutido hoje em dia, não só por ser uma questão necessária e um direito das mulheres, mas sim pela demora que ocorreu até que mulheres tivessem liberdade para falar abertamente sobre suas vontades, necessidades e escolhas.

O cenário de crescimento da participação feminina nos espaços de poder tem muito estimulado o empoderamento das mulheres na ocupação desses cargos e também na defesa dos direitos de outras mulheres, o que ocorre em diferentes espectros partidários e ideológicos (Pesquisa do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (Ipol/UnB).

Importante enfatizar que, em 2024, ano de eleições municipais para prefeitas e prefeitos, vereadoras e vereadores, comemoramos os 92 anos do voto feminino, uma conquista também histórica. Somente em 1932, o sufrágio feminino foi garantido pelo primeiro Código Eleitoral brasileiro: uma vitória da luta das mulheres que, desde a Constituinte de 1891, pleiteavam o direito ao voto.

Como nos recorda o Papa Francisco, “os dotes de delicadeza, sensibilidade e ternura peculiares, que enriquecem o espírito feminino, representam não apenas uma força genuína para a vida das famílias, para a propagação de um clima de serenidade e de harmonia, mas uma realidade sem a qual a vocação humana seria irrealizável. E isto é importante! Sem estas atitudes, sem estes dotes da mulher, a vocação humana não consegue realizar-se!” Que Maria, a Senhora das Dores, a Senhora da Assunção, modelo de mulher, seja sempre inspiração para todas as mulheres na vivência de sua vocação ao amor e ao cuidado da vida, em todas as suas dimensões, lutando por uma sociedade igualitária, de fraternidade e de paz.

Parabéns a todas as mulheres! Feliz Dia Internacional da Mulher!

Dimensão Sociopolítica da Evangelização

Comissão de Mulheres

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