O Arcebispo Metropolitano de Mariana, Dom Airton José dos Santos, presidiu a Santa Missa em sufrágio pela alma de Dom Gilberto Pereira Lopes, Arcebispo Emérito de Campinas, falecido nessa segunda-feira, 22 de setembro. A solenidade teve início às 16h, na Catedral Metropolitana de Campinas, e contou a presença de dezenas de fiéis e sacerdotes.
Dom Airton foi Arcebispo de Campinas de 2012 a 2018 e durante seu pastoreio Dom Gilberto já era Arcebispo Emérito desde 2004. Eles conviveram como irmãos no episcopado durante esse tempo.

Dom Gilberto e Dom Airton. Foto: Arquidiocese de Campinas.
Em entrevista para a Rádio Brasil Campinas, Dom Airton disse que Dom Gilberto sempre foi muito atencioso, um conselheiro e um exemplo de dedicação como Arcebispo da Igreja Particular de Campinas.
“No tempo em que eu fiquei aqui, Dom Gilberto me ajudou muito na condução da Arquidiocese de Campinas. Aquilo que ele vivia e sentia é, para nós católicos, um exemplo de firmeza, de dedicação e de clareza da fé”, expressou o prelado.
Dom Gilberto Pereira Lopes nasceu em Santaluz, na Bahia, em 14 de fevereiro de 1927, filho de Salustino Lopes de Souza e Alice Pereira de Souza. Ainda criança, mudou-se com a família para Petrolina (PE), onde iniciou sua formação no Seminário Menor. Mais tarde, cursou Filosofia e Teologia em Olinda e foi ordenado sacerdote em 4 de dezembro de 1949, na Catedral de Petrolina, por Dom Avelar Brandão Vilela. Atuou como vigário e reitor em Ribeirão Preto, onde se incardinou em 1958, e também estudou Pedagogia no Instituto Católico de Paris. Em 1966 foi nomeado primeiro bispo da Diocese de Ipameri (GO), escolhendo como lema episcopal Mysterium Christi Praedicare – Anunciar o Mistério de Cristo.
Seu ministério episcopal foi marcado por forte engajamento na ação social e na vida da Igreja no Brasil. Na CNBB e no CELAM, desempenhou funções de destaque, integrando comissões ligadas à educação, à pastoral social e ao Movimento de Educação de Base. Em 1975 foi nomeado Arcebispo Coadjutor de Campinas, assumindo a missão de caminhar junto ao povo e ao clero com espírito de comunhão. Desde então, buscou fortalecer as prioridades pastorais da época, como as Comunidades Eclesiais de Base, a Pastoral Familiar e a Pastoral da Juventude, além de promover encontros de formação e proximidade com os padres da Arquidiocese.
Com a renúncia de Dom Antônio Maria Alves de Siqueira, assumiu como Administrador Apostólico em 1980 e, dois anos depois, foi nomeado Arcebispo Metropolitano de Campinas. Seu governo foi marcado por dinamismo e espírito colegiado. Liderou importantes processos pastorais, como a Revisão Ampla da ação evangelizadora da Arquidiocese, e incentivou a criação de organismos de participação e corresponsabilidade, como a Coordenação Colegiada de Pastoral. Também deu grande atenção à comunicação e à missão, fortalecendo a presença da Igreja junto à população mais carente por meio de projetos sociais e de acolhida.
Entre os grandes marcos de seu pastoreio está a realização do 14º Congresso Eucarístico Nacional, em 2001, que reuniu milhares de fiéis e marcou a vida da Arquidiocese de Campinas. Dedicado às vocações e aos sacerdotes, criou a Casa do Padre para acolher presbíteros idosos ou necessitados, além de investir na formação seminarística com novas estruturas. Após 22 anos à frente da Arquidiocese, apresentou sua renúncia em 2004, tornando-se Arcebispo Emérito de Campinas. Até hoje é lembrado como pastor atento, conselheiro sábio e homem de fé incansável, cujo legado permanece vivo na memória do povo de Deus que acompanhou com zelo e dedicação.
Fotos e vídeo: Rádio Brasil Campinas
Com informações de Arquidiocese de Campinas