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“É um Sínodo que quer dialogar a partir do Espírito Santo de Deus”, afirma mineira Sônia Gomes

11 de outubro de 2023

Há quase uma semana, mais de 400 pessoas convocadas pelo Papa Francisco, estão em Roma, participando da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo sobre a Sinodalidade. Do norte do estado de Minas Gerais vem Sônia Gomes de Oliveira, presidente do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB) e uma das 54 mulheres com direito a voto na primeira etapa da Assembleia Geral do Sínodo sobre a Sinodalidade que vai até o próximo dia 29 de outubro.

No desejo de expressar como foram os compromissos dos primeiros dias da Assembleia, em um áudio enviado para a equipe de comunicação da Centro Nacional de Fé e Política ‘Dom Helder Camara’ (CEFEP), a presidente do CNLB contou sobre “uma Igreja encarnada com a vida, na vida, a partir da diversidade de cada um, de países e de línguas, de um único povo que quer pensar essa Igreja a partir das necessidades. A partir da realidade e da esperança respeitada através da diversidade, não da uniformidade”.

“É um Sínodo que quer dialogar a partir do Espírito Santo de Deus, mas de uma forma circular”, declarou Sônia Gomes.

No áudio, Sônia Gomes ressaltou constantemente o direcionamento da ação do Espírito Santo desde os primeiros trabalhos em Roma, destacando a unidade entre os participantes. “Além do dinamismo da presença do Espírito Santo, existe uma dinâmica de não possuir maiores e nem melhores, todos somos iguais. Isso já apresenta uma expectativa de esperança numa Igreja que quer caminhar sob as luzes do Espírito de Deus, mas também de iguais, sem ter ali bispos, cardeais, leigos, religiosos. Todos somos iguais, pessoas iguais. E aí é reforçada a Teologia do Batismo. Somos chamados com um só batismo, cada um com seu dom, seu carisma, seu ministério, mas o batismo é único”, destacou.

Identidade

De acordo com Sônia, as primeiras atividades do Sínodo também apresentaram uma proposta de identidade eclesial. “Um outro sentimento que me vem muito é a questão da pertença de todos nós. Eu pertenço a essa Igreja que se faz caminho. Um sentimento de pertencimento, de uma identidade cristã, católica, e que consegue dialogar com os outros. A minha identidade é esta, a Igreja de Jesus Cristo, mas que a partir da Palavra, da Eucaristia, se faz possível caminhar”, pontuou.

Mulheres no Sínodo

“Quero ressaltar a alegria de ser mulher, de estar aqui, e de ver outras mulheres”, disse Sônia se referindo a presença feminina entre os convocados para a Assembleia. “Em sua grande maioria são religiosas, mas são mulheres que estão aqui. São mulheres que vêm de realidades de periferia, de países sofridos, mulheres que têm sua marca, que têm sua luta. Fala-se muito da quantidade de mulheres que tem na Igreja, mas quando a gente começa a visibilizar essas mulheres, é uma outra coisa”, continuou.

“Como mulher preta do sertão, eu creio que é ainda mais significativo [estar aqui]. Quem podia imaginar que de tantos lugares de um país tão imenso como o nosso, com tantas teólogas e teólogos, uma mulher norte mineira que não possui tanto conhecimento teológico, mas tem a vivência da igreja, da participação, da comunhão, de acreditar muito nessa caminhada”, disse Sônia Gomes.

Uma Igreja de todos

A presidente do CNLB destacou também a responsabilidade e desafios de fazer ecoar na Assembleia as vozes ouvidas nas etapas locais. “Eu me sinto muito feliz, mas ao mesmo tempo com um desafio muito grande, porque ainda carregamos a escuta, os gritos, os lamentos que se fazem ecoar do nosso chão brasileiro. Quantas mulheres, quantos jovens, quantos LGBTs, quantas crianças, quantos negros, quantas comunidades tradicionais, quantos povos originários. E aí eu posso citar tantos outros que nós trazemos para cá. Essa lacuna que a Igreja tem e que não são escutados e que a gente precisa fazer reverberar essas vozes, esses gritos, aqui nesse meio, nesse espaço”, concluiu.

Texto: Centro Nacional de Fé e Política ‘Dom Helder Camara’ (CEFEP)

Foto: Divulgação/YouTube Vatican News

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