terça-feira

, 02 de junho de 2020

Em entrevista, bispo referencial pela Comunicação do Regional Leste 2 fala sobre as reflexões do Dia das Comunicações

20 de maio de 2020 Arquidiocese

No próximo domingo, 24 de maio, será celebrado o 54° Dia Mundial das Comunicações. Todos os anos, o Papa Francisco publica uma mensagem para marcar essa data. “’Para que possas contar e fixar na memória’ (Ex 10, 2). A vida faz-se história” é o tema da carta do Pontífice.

Para colaborar com as reflexões dessa mensagem e do papel do agente da Pastoral da Comunicação neste tempo de pandemia, o Departamento Arquidiocesano de Comunicação (DACOM) conversou com o bispo referencial pela Comunicação e Cultura no Regional Leste II da CNBB e arcebispo de Juiz de Fora. Leia a entrevista na íntegra:

DACOM: Qual a principal mensagem que o Papa Francisco deixa para o 54° Dia Mundial das Comunicações?

Dom Gil: O Papa fala do valor da comunicação através de histórias que as gerações passam de pais para filhos. Destaca entre elas a própria Bíblica como uma coleção de histórias que vão alimentando a fé do povo. Veja que estou usando o termo história com “h”, ou sejam, fatos verídicos que são transmitidos de geração em geração. Porém, parece que o Papa fale também de estórias, ou seja, composições comparativas, como as parábolas, que também são uma forma de comunicar verdades, que não deveria ser perdida. O centro da comunicação num caso e outro, é, afinal, a veracidade. A verdade deve ser protegida em todo ato comunicador.

DACOM: Para o Papa Francisco, o ser humano é um ser narrador e tem necessidade de narrar-se a si mesmo, de tecer histórias, cuidar delas. Neste tempo de pandemia, podemos dizer que a missão dos comunicadores fica em destaque, visto que são eles os principais narradores da pandemia da Covid-19?

Dom Gil: Sim. Em tempos especiais, como de pandemias, guerras ou outras, a comunicação toma um lugar muito importante. Volta a questão do cuidado com notícia falsas. Diz um ditado que “em tempo de guerra, a mentira corre a terra”. Isto vale também para a realidade pandêmica. O Comunicador deve ter a maturidade e a sensatez de reconhecer a verdade e impossibilitar enganos originados de interesses econômicos, políticos, ideológicos e outros.

DACOM: Na vida da Igreja, a Pastoral da Comunicação está desenvolvendo um papel importante neste tempo de pandemia?

Dom Gil: Sem dúvida. Diria que esta é a hora da Pascom (Pastoral da Comunicação). Todas as paróquias e dioceses estão dependendo dela, para transmissões litúrgicas, catequéticas, formativas, informativas e até administrativas, porquanto, através dos meios sociais, pode-se organizar as contas da comunidade. Grande parte dos Seminários está funcionando remotamente, com EAD (ensino à distância). Por isso, os agentes da Pascom devem prestar um bom serviço, inclusive com tecnologia, uma vez que muitos pastores e gestores podem não estar tão acostumados a lidar com meios informais.

DACOM: Qual ensinamento a Pandemia da Covid-19 deixa para os comunicadores católicos?

Dom Gil: O seu principal legado será a força da oração, a espiritualidade, pois o comunicador cristão não age apenas como uma pessoa com experiência em tecnologia comunicativa, mas como pessoa de fé, discípula de Jesus. Além disso, a situação atual desperta para a importância da solidariedade, pois esta é uma hora de dificuldades de várias naturezas, desde as sanitárias, quanto as financeiras, quanto as tecnológicas e até mesmo as espirituais. Nós católicos somos aqueles que creem na unidade das pessoas humanas, a começar pelos cristãos e esperam realizar o sonho de Jesus de haver um só rebanho com um só Pastor, que é Ele mesmo, agindo através da mediação humana. Por isso o comunicador católico prima pela adesão sincera e tranquila da palavra de Jesus: “Pai, que todos sejam um, como eu e Tu somos um, para que o mundo creia” (Jo 17, 21).  O comunicador católico estará, neste tempo de pandemia, apreendendo este sentimento de unidade, de comunhão, de solidariedade, de caridade, de partilha, de amor indistinto ao próximo, uma vez que a Covid-19, embora seja um vírus mortal, acaba unindo a todos na busca de solução comum que proteja e gere vida.

Foto: Regional Leste 2