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Em Mariana, 1º dia da Semana Santa é marcado pela bênção dos ramos, procissão e Coleta da Solidariedade

03 de abril de 2023 Arquidiocese

A Arquidiocese de Mariana celebrou neste domingo, 02 de abril, o primeiro dia da Semana Santa: o Domingo de Ramos e da Paixão de Nosso Senhor. Em Mariana (MG), o início da celebração aconteceu na Igreja Nossa Senhora do Rosário, com a bênção dos ramos, seguida de procissão até a Praça da Sé e da Missa presidida pelo Arcebispo Metropolitano, Dom Airton José dos Santos.

O vermelho da roupa eclesiástica usada pelo arcebispo, pelo diácono e presbíteros presentes, simbolizava o sangue de Jesus Cristo e chamou a atenção dos olhos atentos dos fiéis que aos sons das melodias instrumentais das Bandas marianenses São Caetano e Sociedade Musical 16 de Julho, elevavam seus ramos e cantavam em honra ao Filho de Davi.

Bênção dos Ramos.

À ocasião, o Diácono Robson Adriano Fonseca Dias Silva proclamou Evangelho (Mt 21,1-11) para a procissão de Ramos. Em seguida, Dom Airton José dos Santos disse, em sua homilia, que os fiéis devem fazer “aquilo que Jesus quer e não aquilo que nós queremos”.

“Para nós que somos discípulos, se formos enviados, devemos realizar aquilo que Jesus quer e não aquilo que nós queremos, senão nós não preparamos o ambiente para que Ele chegue. Se Jesus chegar e o ambiente não tiver pronto, preparado, não encontrará acolhida, não porque as pessoas não o acolhem, mas porque nós não preparamos. É preciso que a gente prepare outra vez. Preparar os caminhos do Senhor, a exemplo de João Batista. Preparar os caminhos do Senhor a exemplo dos discípulos de Emaús. Preparar os caminhos do Senhor para que Ele chegue e encontre à corrida. Nós quem fazemos isso, nós temos a responsabilidade. Nessa nossa procissão, nós iremos lembrar daquele povo que acolheu Jesus, nós iremos lembrar que nós somos discípulos, seguidores, estamos indo com ele para entrar em Jerusalém. Lembramos bem hoje, nesse domingo chamado Domingo de Ramos, lembrando a entrada triunfal de Jesus na sua cidade, nós também devemos recordar toda sua peregrinação até a paixão, até sua morte na Cruz, por isso, nós ouvimos hoje o texto que fala da entrada de Jesus em Jerusalém e na missa iremos ouvir a Paixão do seu nome que é todo o movimento que aconteceu com Jesus antes de ser pregado a Cruz, desde a sua prisão, julgamento, condenação, depois seu percurso para o calvário segurando e carregando a cruz. Não podia deixar cair, era preciso carregar a cruz, com todo o sofrimento, para chegar aonde seria crucificado. O Domingo de Ramos é o começo do desenvolvimento de toda paixão, de toda semana santa, nós vamos ouvir, a leitura da paixão hoje na missa para nos lembrar o caminho que vamos percorrer com Jesus”, disse.

Ao final da homilia, os fiéis elevaram os ramos, que foram abençoados por Dom Airton. Em seguida, todos seguiram em procissão e oração pelas ladeiras e ruas históricas de Mariana até a Praça da Sé, onde foi realizada a missa solene.

Procissão de Ramos.

Com a chegada dos fiéis a Praça da Sé, foi narrado o Evangelho da Paixão de Nosso Senhor, igualmente falado da importância da Coleta da Solidariedade e a liturgia seguiu como de costume.

Na oportunidade, em seu discurso, o Arcebispo de Mariana disse Jesus entrara na cidade montado em um jumentinho, simples, humilde. Jesus veio para nos trazer a paz, é o príncipe da paz.

“Se uma pessoa está caindo ajudamos a que ela não caia, se uma pessoa está indo para um caminho que não é de Deus, ajudamos para que ela pelo menos perceba que não é o caminho para Deus, aquilo é outro caminho, isso não ter a ver com orgulho, com prepotência, tem a ver com nossa preocupação com o nosso irmão, com a irmã, com aquele que caminha conosco, nós não precisamos conhecer a todos, mas todos podemos ser os filhos e filhas de Deus, ser irmão entre nós.

Jesus entrara na cidade montado em um jumentinho, simples, humilde. Jesus veio para nos trazer a paz, é o príncipe da paz. Então, por tudo aquilo que provoca distúrbio, provoca distanciamento entre nós não vimos de Jesus, não vem daquilo que Deus quer, portanto, devemos estar atentos, toda vez que começamos a ter algum atrito é melhor parar um pouco e pensar, retomar o caminho, é preciso retomar, porque os conflitos não são entre nós e as coisas, conflitos são entre nós e as pessoas e se nós somos irmãos porque nós causamos conflitos ou enfrentamos conflitos? Por nossos interesses, por nossos egoísmos, nosso modo de querer impor as coisas, isso causa conflitos, causa distanciamento, causa situações difíceis e ruins nos nossos relacionamentos, portanto, toda vez que nos percebermos que tem alguma coisa que está bloqueando o nosso relacionamento que pode nos causar intranquilidade é melhor parar e pensar um pouco mais e não fazer as coisas que vem na cabeça. Às vezes, nós fazemos o que dá na cabeça e arrependemos.

Hoje, na primeira leitura, nós ouvimos o profeta dizer: O senhor Deus me deu língua adestrada. Língua adestrada para quê? Para dizer uma palavra boa. Tem gente que tem língua adestrada sim, mas só para falar mal, só para reclamar da vida, reclamar dos outros, não tem uma palavra de conforto, de ajuda, de proximidade, sempre uma palavra que parte do sentido negativo, uma palavra que não ajuda, vem do jeito errado, atravessado, esse jeito não é bom, o nosso jeito de crer é esse jeito de Jesus Cristo que não desviou o rosto das bofetadas, das cusparadas, não desviou o rosto quando o arrancaram a barba, não desviou o seu corpo das chicotadas do açoite, suportou tudo aquilo por amor a cada um de nós, nós reclamamos do sofrimento. Nós não sabemos sofrer mais? Não sabemos mais nos doar apenas temos dificuldade de sofrer, achamos que o sofrimento não é mais para os seres humanos, claro que é para nós, o sofrimento não é para Deus não. O sofrimento veio para nós, por isso é necessário a solidariedade, fraternidade, estarmos juntos uns dos outros para que o sofrimento seja menor, enquanto estivermos na face da terra nó iremos sofrer, muito de nós iremos impor o sofrimento aos outros, isso acontece, mas temos que vencer, com a solidariedade, com a fraternidade, na oração e na fé, esperança de que o senhor nos da coragem para tudo aquilo que a vida nos reserva, louvado seja o nosso senhor Jesus Cristo”, disse.

Para finalizar a cerimônia foi realizada a Coleta da Solidariedade, em prol do combate a fome.

Domingo de Ramos uma tradição familiar; confira os depoimentos dos fiéis

Andreza Liziane da Silva Carvalho foi a celebração de Domingo de Ramos acompanhado dos filhos: Barbara (de 6 anos) e Heitor (10 anos); do esposo Flaviano e a mãe Maria.

“É uma tradição. Nós viemos até de Itabirito (MG), eu sou nascida aqui, mas meus filhos não, e, todo ano, a gente tenta acompanhar. Já é uma coisa que foi passada desde a minha vó, minha mãe e eu estou passando para os meus filhos. Espero que eles continuem essa tradição. Nós aprendemos que a Semana Santa é a semana que a gente precisa estar em oração, principalmente o Domingo de Ramos que simboliza a chegada de Jesus a Jerusalém. Eu aprendi que a gente usa os ramos, eu coloco para secar e uso na minha casa, por causa do cheiro, e quero passar isso para os meus filhos”, contou Andreza.

Jovens trançaram os ramos para a procissão.

Ana Beatriz Dias de Paula, de 21 anos, trançou, junto com as amigas: Vitória e Evelyn, os ramos que foram elevados pelo Bispo, pelos Padres e pelo Diácono, no Domingo de Ramos.

“A gente é coroinha e desde o ano passado a gente participa dessa procissão, porque teve a pandemia, a gente virou coroinha e ainda não tínhamos participado dessa tradição. E o ano passado, para fazer uma diferença, a gente aprendeu a trançar os ramos e o pessoal gostava muito, pedia para trançar para os padres e, este ano, a gente continuou fazendo e sempre que possível a gente trança para as pessoas que estão pedindo”, disse Ana.

Estefani de Paula da Silva, moradora do Rosário, fez questão de manter a tradição da família e acompanhar a procissão de ramos.

“Já é uma tradição, desde pequena, é de família, eu venho acompanhando o Domingo de Ramos e a Semana Santa também até a gente completar no domingo de Páscoa. Eu acho que é um dia da gente comemorar que Jesus está chegando em Jerusalém e a gente começar a essa semana de forma bem ardorosa, começando com louvor e terminando também com louvor. Eu levo o ramo para casa, para bençoar e como sinal de proteção”, apontou Estefani.

Vera Lúcia Miranda, de 60 anos, deslocou-se do bairro Cabanas até o bairro Rosário, para prestigiar a cerimônia.

“A minha mãe me ensinou que no Domingo de Ramos a gente tinha que estar com o ramo, porque Jesus foi acompanhado com todo mundo alegre com o ramo da mão. Por isso, todo Domingo de Ramos a gente acompanha a procissão com o ramo na mão. O ramo serve para gente fazer chá, fazer defumador para dentro de casa. A gente tem essa fé, que Jesus abençoa o ramo. Isso traz muita paz para minha casa. Meus filhos ficam esperando, porque eu pego um raminho para eles”, disse Vera Lúcia.

Fotos: Magu Tavares

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