domingo

, 14 de abril de 2024

Fiéis lotam a Catedral de Mariana para a celebração da Quinta-Feira Santa

29 de março de 2024 Arquidiocese

Abrindo o Tríduo Pascal, a Catedral Basílica Nossa Senhora da Assunção, em Mariana (MG), ficou repleta de fiéis na noite desta Quinta-Feira Santa, 28 de março, que acompanharam com piedade a cerimônia com o rito de lava-pés.

Presidida pelo Arcebispo Metropolitano, Dom Airton José dos Santos, a celebração foi concelebrada pelo Pároco e Reitor da Catedral, Padre Geraldo Dias Buziani, pelo Vigário Paroquial, Padre Johny Sales Figueiredo Dias, e pelo Frei André Luis Tavares, OP, que pregará o Sermão do Descendimento nesta Sexta-Feira da Paixão, em Mariana.

Recordando os gestos de Jesus na Última Ceia, a Santa Missa da Quinta-Feira Santa celebra a instituição da Eucaristia e do sacerdócio. Em sua homilia, o Arcebispo Metropolitano ressaltou o aspecto espiritual da Eucaristia, fonte de vida e força para os católicos, lembrando que é o próprio Cristo Vivo. 

“Da Eucaristia nós tiramos tudo o que necessitamos. No dia a dia da nossa vida, testemunhamos tudo aquilo que nós recebemos de graça, de bens, de dons pela Eucaristia e nos sentimos, outra vez, atraídos a Ela, voltamos para ela. A Eucaristia, portanto, queridos irmãos e irmãs, está no centro de nossa fé”, disse. 

Outro aspecto enfatizado por Dom Airton foi a razão do mistério eucarístico: “o fundamento está no amor: amor a Deus sobre todas as coisas, nós sabemos disso; e amor ao próximo como nós mesmos”. 

Segundo o Pastor desta Igreja Particular, é fazendo o gesto de serviço de Cristo, ao lavar os pés dos discípulos, é que se vive verdadeiramente o amor a Deus e ao próximo. “Lavar os pés não significa apenas se abaixar, mas o abaixar-se já é um gesto importantíssimo, e Jesus Cristo vai lembrar isso aos seus discípulos: ‘vocês compreendem bem o que eu vos fiz? Vocês me chamam Mestre e Senhor e, de fato, eu sou. Jesus não foge de sua condição nem esconde isso. Declara, abertamente, aos seus discípulos, aos seus apóstolos, que Ele é o Mestre, Ele é o Senhor, mas no gesto de abaixar-se e lavar os pés dos seus discípulos, refaz a história das relações humanas desde o princípio”, destacou.

O ato de servir dispõe a despojar-se de si mesmo. “É preciso servir com amor, como Jesus fez. Servir o outro não é apenas fazer o bem, é amar a pessoa, amar de modo verdadeiro, desinteressado, amar querendo que a pessoa esteja bem, querendo que a pessoa viva bem”, pontuou Dom Airton.

Ainda meditando sobre o Evangelho de São João (Jo 13, 1-15), o Arcebispo Metropolitano de Mariana ponderou sobre a instituição do sacerdócio, afirmando que Nosso Senhor escolheu homens para serem servidores do povo de Deus e levar o pão eucarístico.

“Por isso, queridos irmãos e irmãs, neste dia em que celebramos a instituição da Eucaristia, a instituição do mandamento novo e a instituição do sacerdócio do Novo Testamento, nós nos alegramos porque Nosso Senhor não quis que nós ficássemos órfãos nem separados, quis que nós fossemos acompanhados na nossa existência”, frisou Dom Airton, finalizando sua reflexão. 

Após a homilia, cumprindo o ensinamento do Cristo e recordando o seu gesto, Dom Airton lavou e beijou os pés dos doze homens escolhidos para lembrar os apóstolos de Jesus. 

Um desses jovens era Thalisson Maia de Carvalho, da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Mariana, e que participou do figurado pela primeira vez, este ano, na Catedral. “Eu me sinto lisonjeado por poder participar desse momento tão importante dentro da nossa Arquidiocese […]. É extremamente gratificante e, ao mesmo tempo, engrandecedor, poder fazer parte desse momento”, descreveu.

Para ele, o lava-pés significa colocar-se a serviço uns dos outros. “A Campanha da Fraternidade nos recorda a fraternidade social e nós hoje, enquanto discípulos, enquanto Igreja, Igreja em saída, Igreja viva, temos a necessidade de, recordando esse gesto de Jesus, também nós, dentro das nossas possibilidades, das nossas ações diárias, sermos discípulos que lavem os pés uns dos outros. Que esse gesto seja um gesto que nos reflita à humildade, à compaixão e à fraternidade”, afirmou.

Após o rito do lava-pés, a Santa Missa seguiu normalmente. Conforme a liturgia da Igreja, a celebração foi encerrada sem a bênção final, pois somente é concluída na Vigília Pascal, no Sábado Santo. No lugar da bênção, guardando o silêncio e em clima orante, o Santíssimo foi transladado para a Capela da Reposição, onde a âmbula com a Eucaristia foi colocada no tabernáculo e disponível para a adoração dos fiéis até à meia-noite.

Texto: Thalia Gonçalves/Arquidiocese de Mariana

Foto da capa: Pedro Henrique Hudson/Pastoral da Comunicação da Catedral

Fotos da matéria: Thalia Gonçalves/Arquidiocese de Mariana

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