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Fórum Social pela Vida discute a PEC 241 e a dignidade humana

29 de outubro de 2016 Arquidiocese

Para debater um pouco mais sobre a sociedade do bem viver, na manhã do dia 28, durante o 6º Fórum Social pela Vida, houve o debate sobre o tema: Por uma Economia e por uma Política a serviço da Vida.

Os convidados para falar sobre o assunto foram o deputado federal Patrus Ananias, o Vigário Forânio da Arquidiocese de Belo Horizonte, Padre Márcio Paiva e a professora da Universidade Federal de Ouro Preto, Dulce Maria Pereira.

O deputado federal Patrus Ananias ressalta que o direito à vida, a Casa Comum, a água, o alimento, a saúde, o ar puro, a moradia, o espaço de convivência humana e a dignidade da pessoa humana são sagrados, que, infelizmente, o direito mais protegido hoje são o dinheiro e os grandes lucros. O capitalismo selvagem ainda prevalece ferindo a Constituição Federal de 1988.

Para ele, o Projeto de Emenda a Constituição (PEC 241), desmonta a ordem social, desvincula fundos da educação e saúde, congela por 20 anos os recursos conquistados e assina a pena de morte de políticas públicas de assistência continuada como agricultura familiar, direitos dos trabalhadores e trabalhadores rurais, e outros.

Patrus destaca que o país está vivendo um momento difícil, está fazendo uma travessia, tendo retrocessos graves e a grande mídia brasileira passa informações de acordo com seus próprios interesses e convida   todos a exercerem a cidadania, “considero fundamental que cada um de nós assume seu papel político, exercendo seus direitos e deveres de cidadãos. Que conversem com seus familiares, parentes, amigos, colegas de trabalho, de militância, nas igrejas, nas comunidades, nos movimentos sociais esclarecendo as pessoas do momento que nós estamos vivendo, onde os trabalhadores vão ter que se submeter às  condições impostas pelo capital e detentores do poder econômico”, considera o deputado.

Durante o momento, o Padre Márcio Paiva também destaca a situação da grande mídia brasileira que está a serviço de quem tem dinheiro e poder, criando realidades que ele chama de hiperrealidade, seja nas mídias digital, escrita e televisiva e lembra o convite do Papa Francisco para que haja uma conversão ecológica global de tal forma que a vida seja valorizada de forma suprema.

Ele falou do futuro, das mudanças de vida e das estruturas de poder e destaca a importância de distinguir os recursos e questiona quais instituições existem para defender a Casa Comum, que são a água, a perda da qualidade de vida humana, cuidados com a terra, economia, meio ambiente e política. Para ele falta uma ecologia social, uma luta por uma dignidade humana e igualdade para todos.

Diante da realidade do cenário atual, Márcio destaca que a “esperança é um alimento do cotidiano, é força no momento de decepção. Não permitamos que essa esperança seja decepcionada, moldada ou chantageada pelos meios de comunicação. Unamo-nos no dia a dia, não nos separemos, vamos de mãos dadas”, destaca Padre Márcio.

Já Dulce Maria Pereira adverte: a  PEC 241 tem o objetivo de reduzir direitos conquistados que vinham crescendo paulatinamente ao longo dos últimos;  anos como o implantação do tempo integral, o ingresso de negros e indígenas nas universidades.

Dulce afirma que tudo está sob risco, que existe uma constante luta pelo poder para atender o interesse das indústrias dos transgênicos, narcotráfico e indústria do cimento.

“O conjunto da sociedade brasileira tem que se entender, entender que sua força e sua fé, o desenho claro de suas utopias e a suas esperanças   são as grandes forças. É preciso ter cuidados com nossa Casa Comum e não podemos deixar de fora os valores, os direitos e dizer que a nossa responsabilidade, mais do que nunca, é a restauração dos direitos do povo brasileiro”, destaca Dulce.

Em determinado momento, alguns participantes do Fórum manifestaram-se, com cartazes e gritos, contra a PEC 241, que foi amplamente aplaudido por todos.

Colaborou: Clau Magalhães

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